Domingo, 21 de Julho de 2013
por Luís Naves

 

(Texto publicado também aqui)

 

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Tenho o hábito de discordar de Pedro Marques Lopes (PML), mas a segunda parte deste artigo deixou-me perplexo. O comentador cita uma frase do primeiro-ministro e conclui que este não tem condições para se manter no cargo.
A frase de Passos Coelho citada é a seguinte: "O País precisa de quem não acalente a fantasia de uma súbita e perpétua vontade de o Norte da Europa passar a pagar as nossas dívidas provavelmente para sempre". A finalizar o seu comentário, Marques Lopes atribui ao primeiro-ministro uma “profunda ignorância sobre as causas da crise europeia e portuguesa”. Rendi-me, incrédulo. Seria útil uma explicação sobre as causas da crise, segundo quem não tenha a tal profunda ignorância.
Transcrevo a parte do artigo de PML que interessa:
«Digamos que estas palavras proferidas na Assembleia da República e repetidas no Conselho Nacional do PSD já indicavam que as negociações estavam condenadas. Mas isso seria o menos. O que esta afirmação indica é uma profunda ignorância sobre as causas da crise europeia e da portuguesa, exibe que Passos Coelho é uma espécie de porta-voz da tese que defende que os portugueses são uns preguiçosos que vivem à custa dos trabalhadores do Norte da Europa, mostra um fundamentalismo ideológico capaz de fazer corar a sra. Merkel, reproduz a vergonhosa conversa do viver acima das possibilidades. Bastavam estas palavras para percebermos que Passos Coelho não pode continuar como primeiro-ministro de Portugal".

 


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por Pedro Correia

«O pessimista queixa-se do vento; o optimista espera que ele mude; o realista ajusta as velas.»

William Arthur Ward


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Sábado, 20 de Julho de 2013
por Alexandre Poço

No ponto 1.1.1 do documento de propostas para o "compromisso de salvação nacional", o PS reafirma a sua oposição aos cortes de 4.7 mil milhões de euros exigidos pela troika até ao final de 2014. "Parar com os cortes de 4,7 mil milhões de euros acordados entre o Governo e a troica na sétima avaliação", lê-se. O PS além de não querer dimininuir a despesa pública, pretendendo "parar com os despedimentos na função pública, com mais cortes nas pensões atuais, com a “contribuição de sustentabilidade do sistema de pensões” e com a redução de vencimentos" (Ponto 1.1.1), propôs ainda um conjunto de medidas que aumentam a despesa pública. Esta atitude assemelha-se à do indivíduo que, já estando à beira do coma alcoólico, quer continuar a beber whisky. O Partido Socialista propõe portanto um aumento "das pensões mais baixas e a extensão do subsídio social de desemprego por mais seis meses" (Ponto 1.1.2), "reposição dos níveis de proteção social assegurados pelo complemento social para idosos e pelo rendimento social de inserção" (Ponto 6, alínea 4) ou ainda a criação de um "programa de reabilitação urbana como prioridade para a eficiência energética" (Ponto 1.4.7). Se a estas medidas somarmos os cortes de impostos também defendidos, chegamos à conclusão de que o PS esqueceu-se por completo dos compromissos assumidos com a troika em termos de défice orçamental. Outro ponto interessante é o facto de todas as medidas que aumentam a despesa pública não estarem quantificadas. Apenas vemos manifestações de interesses, do jeito de panfleto eleitoral. Na prática todo o documento parece um sumário executivo de um programa eleitoral, o que mostra bem qual a prioridade de António José Seguro e dos seus compagnons socialistas. O défice do Estado situou-se em 2012, não contando com medidas extraordinárias, nos 10.6 mil milhões de euros. A dívida pública ronda os 127% do PIB. O país encontra-se sob assitência financeira, sendo a troika a financiar o défice. Perante este cenário, qual a resposta do PS? Gastar, gastar, gastar. 2 anos depois (ou melhor, 39 anos depois), o PS ainda não aprendeu a lição. 


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por Pedro Correia

«Uma monarquia deve ser governada por democratas e uma república por aristocratas.»

Talleyrand


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Sexta-feira, 19 de Julho de 2013
por Carlos Faria

Não vou culpar o partido A ou B, nem o Presidente da República, nem o passado. O problema financeiro e económico que Portugal enfreta hoje, independentemente de quem nos colocou aqui, deveria ser resolvido pelos políticos de hoje, tivessem ou não cometido erros no passado.

Infelizmente tenho uma elevada certeza de que do desacordo hoje anunciado entre as partes envolvidas na busca de uma solução consensual para enfrentar a nossa quase bancarrota só vem piorar a situação atual de Portugal e vai ser sobre o Povo que cairão os espinhos e os azedumes que deste desentendimento irão resultar.

Tenho quase a certeza que vamos a caminho da Grécia e que ninguém nos dará a mão para nos aliviar do fardo de um novo resgate ou bancarrota e alguns dos que hoje se regozijam, mais tarde também se lamentarão. Temo pela qualidade de vida das próximas gerações que nem gozou e aproveitou o passado  nas condições de juventude e de grande parte da vida adulta da minha geração, nem terá acesso aos direitos adquiridos de alguns.

Oxalá esteja enganado... mas prevejo tempos bem piores para os Portugueses.

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por jfd

Algo tem de ser gabado na politica Portuguesa. A persistência e obtusidade do PCP. Há partidos assim.

 

 

 

ps - Verdes? quem?


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por Maurício Barra

António Costa, Sócrates e Mário Soares inviabilizam acordo de salvação nacional !


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por jfd

 

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por Pedro Correia

Cisão? Que cisão? Em mais de 30 anos de democracia, tenho visto muitos membros do PCP engrossar as fileiras do PS mas não me lembro de um só movimento na direcção contrária. Alguém até hoje rasgou o cartão de filiado no PS para se tornar militante comunista ou bloquista?

Não vale a pena mencionar nomes: poderia indicar aqui largas dezenas de ex-militantes do Comité Central do PCP, de antigos autarcas, sindicalistas ou deputados do partido da foice e do martelo que passaram a rever-se no conteúdo programático do PS. O próprio Mário Soares, que agora acena com esse tigre de papel, fez esse percurso: trocou o comunismo pelo socialismo democrático. E até este, no momento próprio, foi remetido para o fundo de uma gaveta.

Quando certas frases são proferidas, convém enquadrá-las com o mais elementar conhecimento histórico. E o natural sentido das proporções.

 

ADENDA: Também Felipe González lança farpas ao actual líder do PSOE, Rubalcaba: o mundo gira, imparável, mas nem todos se apercebem disso.


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por Alexandre Guerra

Linha de chegada da 19ª etapa do Tour em Le Grand-Bornand, 19 de Julho de 2013/Foto: Le Tour

 

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por Luís Naves

Escrevo no momento em que os três partidos que assinaram o memorando de entendimento estão na fase crucial da negociação de um acordo chamado de ‘salvação nacional’. O resultado é ainda incerto, mas queria deixar aqui algumas ideias sobre a crise política, apesar do post poder ficar desactualizado em poucas horas.

 

Tanto quanto se sabe, o que separa os partidos é a ‘reforma do Estado’, ou seja, os 4,7 mil milhões de euros de cortes na despesa pública. Em resumo, este acordo tem no seu osso a questão do segundo resgate.
Se Portugal conseguir cortar na despesa num montante de 4,7 mil milhões de euros, terá concluído o ajustamento. A equação é simples: com o corte, teremos contas públicas sustentáveis; se falharmos, o segundo resgate é inevitável.
Muitos portugueses têm sido mal informados sobre as exigências da troika. Para atrairmos investimento externo e podermos ter crescimento económico e emprego, necessitamos de equilibrar de forma sustentável a balança corrente e o orçamento. O primeiro indicador já é excedentário, o segundo precisa ainda do corte de 4,7 mil milhões. São quase 3% do PIB, ou seja, um pouco mais do que o actual défice estrutural. Mesmo assim, no final do ajustamento, teremos concluído um programa com metade de impostos e metade de cortes na despesa.


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por José Meireles Graça

Antes que os partidos cheguem a acordo, como desejo, que o Presidente veja restaurada a sua popularidade, como seria útil, e que o PS se divida ou não, a bem da clareza, digo que as circunstâncias vão alterando aquilo que em cada momento um cidadão sensato e pragmático estima desejável, e que por isso o que ontem era a melhor escolha deixou de o ser.

 

Porque, na realidade, Cavaco fez um grande desserviço à Nação quando se pôs em bicos de pés, rejeitando a solução de um problema que os envolvidos haviam pelos seus próprios meios engendrado, e condicionando as escolhas dos responsáveis políticos, agora e, petulantemente, no futuro.

 

Passos, vendo rejeitada a solução e o elenco que apresentara, devia ter calmamente dito: O senhor Presidente não governa, quem governa sou eu. Se insiste em impôr-me a sua opinião sobre como devo proceder no exercício do meu mandato, não pode exigir-me que, em vez de fazer aquilo em que acredito, faça, sob minha responsabilidade, aquilo em que o senhor acredita, pelo que terá que ter a maçada de resolver a situação como lhe aprouver, mas sem mim.

 

Cavaco nunca, como governante, foi além da vulgata do europeísmo, porque acompanhada da cornucópia dos milhões da solidariedade da CEE, e só deixou obra feita porque no momento histórico em que assumiu funções as condições estavam maduras para a evidente necessidade de desmantelar a economia socialista e modernizar a sociedade - coisas que, por incapacidade e falta de coragem e convicção, deixou aliás a meio. Como Presidente, colaborou no governo socrático muito para além da solidariedade institucional, refugiando-se em "avisos" que por ingenuidade imagina lhe garantirão uma imagem histórica positiva. E, de forma geral, nunca, nem por palavras nem por actos, deu a impressão de estarmos perante um estadista, mas apenas um político manhoso que se faz passar por não-político, um orador menos que medíocre que tacha a oratória de "verborreia", e um economista que acredita piamente que ele e um grupo de colegas, por estarem todos albardados das mesmas qualificações académicas, ficaram ungidos da sabedoria que permite a solução de todos os problemas.

 

Cavaco, confrontado com a renuncia de Passos, provavelmente recuaria. Ou talvez não, e iria buscar ao armário do PSD a amiga Manuela, ou Rui Rio, ou outro qualquer - o PSD tem governantes potenciais para abastecer cerca de metade dos países representados na ONU.

 

Nunca saberemos. Mas que o PSD, o CDS e o PS tenham sido forçados a fazer, sob a égide de um fiscal presidencial, umas negociações grotescas fora do lugar delas, que é o Parlamento, sob pena de, se não colaborarem no humilhante exercício, se arriscarem a ser severamente penalizados nas urnas, fica como exemplo de como uma Presidência entende o exercício da Democracia.

 

Desejo o sucesso das negociações, sim. E não duvido que, se ele tiver lugar, Cavaco será aplaudido de pé não apenas pelas numerosas pessoas que sempre nele viram o que lá não está, mas também por muitas outras.

 

Por uma vez, abençoo a Constituição: não permite a reeleição.


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por Maurício Barra

Doeu muito fazer um acordo de compromisso que garante, seja a quem for que ganhe as eleições, que terá uma plataforma de objectivos de política económica em banda larga que não impedem a expressão própria das opções políticas de cada partido ?

Doeu muito colocarem os interesses do bem comum dos portugueses à frente de obsessões destrutivas ?

Doeu muito optarem por assegurar que Portugal seja um país com os dois pés dentro da Europa e do Euro?

Doeu muito aumentarem a capacidade negociadora de Portugal nas difíceis circunstâncias económicas e financeiras que actualmente vivemos ?

Doeu muito fazerem o que 80% dos portugueses queriam que fizessem ?

 

Claro que não doeu.

A pergunta, que em todo o Portugal de faz, é porque isto não foi feito há mais tempo.

Ter-nos-ia salvo da bancarrota.

 

Mas vou dizer-lhes a quem doeu.

Doeu ao PC e ao BE, que viram em duas semanas quebrar-se o controlo ideológico que sempre pretenderam exercer sobre o PS, através de “benevolentes” companheiros de estrada.

Doeu aqueles que defendem a tese da extrema-esquerda marxista de que “esquerda” é a esquerda que não aceita a democracia representativa, a integração na Europa, a integração no Euro e a participação na NATO.

Doeu a Sócrates e aos seus bobby’s, que, para justificar o seu governo, tem de estar contra tudo o que signifique a solução dos sarilhos em que nos deixou metidos.

Doeu a Mário Soares e Manuel Alegre, que em 2013 querem reviver a irresponsabilidade instável da Iª Republica.

Doeu àqueles comentadores que, na imprensa e televisões, têm como objectivo ser porta-vozes de uma agenda política minoritária, e doeu a uns tantos outros responsáveis editoriais e jornalistas, artistas da manipulação da informação e da pequena política, que viram as suas narrativas ultrapassadas pela realidade.

 

E sei a quem não deve doer.

Não deve doer aos portugueses mais do que tem doído. Com a bancarrota e com o remédio que tivemos de engolir para a resolver.

Se aquele pequeno Portugal rancoroso e mesquinho que mata um vizinho por causa de um rego de água, o mesmo que cercou José António Seguro durante toda esta semana, impedir este acordo que a grande maioria dos portugueses desejam, podemos esperar que a com a dor que vão infligir aos portugueses virá o ódio, um ódio profundo a quem os devia representar mas não os representa.

Se isso acontecer, podemos começar a escrever o epitáfio do regime desta IIIª República.


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por Pedro Correia

«A verdade é corrompida tanto pela mentira como pelo silêncio.»

Cícero


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Quinta-feira, 18 de Julho de 2013
por Pedro Correia

Mário Soares governou duas vezes aliado com partidos à direita do PS. Enquanto foi primeiro-ministro, viu Portugal sob intervenção do Fundo Monetário Internacional nessas duas vezes: a primeira originou aliás um célebre disco de José Mário Branco, intitulado FMI. Em 2011, segundo ele próprio admitiu, teve uma intervenção decisiva junto de José Sócrates para que o Governo socialista solicitasse uma intervenção externa de emergência destinada a salvar as malogradas finanças nacionais. Lá veio o FMI pela terceira vez a Lisboa, desta vez partilhando a tutela do resgate com a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.

Este extenso currículo, espantosamente, não inibe agora o fundador do PS de alertar António José Seguro contra o risco de "uma cisão" no partido caso o secretário-geral socialista estabeleça um acordo com o PSD e o CDS. Com uma sobranceria que nenhum notável do PS lhe transmitiu quando ele se entendeu em 1977 com o CDS de Diogo Freitas do Amaral e em 1983 com o PSD de Carlos Mota Pinto.

Soares nunca resistiu à tentação de condicionar as lideranças de todos os secretários-gerais que lhe sucederam no Largo do Rato - de Vítor Constâncio a Sócrates. A deselegante ameaça que hoje deixou no ar constitui um excelente teste para Seguro. Este só pode agradecer-lhe a oportunidade que o fundador do partido acaba de lhe proporcionar para demonstrar a sua efectiva capacidade de liderança.


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por jfd





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por Luís Naves

Um pequeno divertimento, para desenjoar, aqui.

Em forma de verso, baseado numa história verídica contada por Suetónio, a propósito do imperador romano Tibério.


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por Alexandre Poço

Tribunal trava fecho da Maternidade Alfredo da Costa

Não surpreende. Qualquer tentativa de reformar o Estado e a relação que este tem com os cidadãos tem esbarrado no crivo dos juízes. Nos últimos dois anos já se registaram várias decisões neste sentido, quer seja nas instâncias inferiores quer seja no sacrossanto Tribunal Constitucional. A Oeste nada de novo, portanto. 


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por Maurício Barra


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por Pedro Correia

Em Espanha, durante 35 anos de regime democrático, foram votadas apenas duas moções de censura no Parlamento. A primeira em 1980, suscitada pelo Partido Socialista de Felipe González, então principal força da oposição, contra o Executivo centrista de Adolfo Suárez. A segunda em 1987, promovida pela conservadora Aliança Popular, contra o Governo socialista de González.

Repito: apenas duas.

 

Em Portugal, só nos últimos nove meses, houve quatro moções de censura ao Governo. Duas apresentadas em Outubro de 2012, pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP. A terceira em Março, apresentada pelo PS. A quarta será discutida e votada hoje, por iniciativa dos 'verdes', um partido que não existe. Será a 25ª moção de censura apresentada na Assembleia da República desde 1976.

 

É uma estatística que diz muito sobre duas formas antagónicas de fazer política. Lá e cá.


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por Pedro Correia

«A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano.»

Voltaire


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Quarta-feira, 17 de Julho de 2013
por Pedro Correia

 

Em dia de moção de censura ao Governo apresentada pelo grupo parlamentar dos "verdes", vale a pena registar o que dois destacados socialistas dizem sobre este partido, que nunca foi a votos autonomamente e se limita a replicar as posições do Partido Comunista no plenário da Assembleia da República e nos órgãos de informação.

Sérgio Sousa Pinto e Augusto Santos Silva falam sem rodeios - e fazem muito bem. Nunca como hoje se sentiu tanta necessidade de posições claras na política portuguesa. Por isso destaco estas opiniões, que expressam exactamente o que penso sobre a mesma matéria.

 

Sérgio Sousa Pinto (RTP i, 16 de Julho, 21.20): «O Partido Ecologista Os Verdes - ou seja, o PCP, pois o PEV é uma farsa, não existe - apresentou uma moção de censura ao Governo. É mais uma deslealdade. Se o PEV não existe, o PCP, em rigor, pôde apresentar duas moções de censura nesta sessão legislativa: apresentou uma em seu nome e agora instruiu os seus satélites 'verdes' para apresentarem outra moção de censura. E porque é que o faz? É contra o Governo? Claro que não: é contra o PS! O PCP grita muito contra a direita mas reserva sempre os ferros contra o PS. O verdadeiro adversário estratégico do PCP sempre foi o PS. (...) Objectivamente, o PCP é um aliado do Governo. Porque esta moção de censura é um enorme serviço prestado ao Governo. Porque dispensa o PSD e o CDS de apresentarem uma moção de confiança, afrontando o Presidente da República, porque o PCP teve a delicadeza de apresentar uma moção de censura que a direita vai derrotar e esmagar no Parlamento. Isto também é um recado que o Parlamento dá a Belém.»

 

Augusto Santos Silva (TVI 24, 16 de Julho, 22.50): «A moção de censura é apresentada agora pelos 'Verdes' - que são barriga de aluguer, como todos sabemos - para embaraçar o PS. O único sentido político [desta moção] não é perturbar os partidos do Governo, mas embaraçar o PS. Se o PS votasse contra a moção, seria acusado de ser muleta da direita; se votar a favor, como vai fazer, será acusado de ter dupla personalidade. (...) Na minha opinião, o Partido Ecologista Os Verdes é uma fraude política. É um partido que nunca foi a votos, que não tem identidade própria e cuja existência se destina a aumentar os tempos de intervenção e os mecanismos institucionais de intervenção no Parlamento ao dispor do Partido Comunista Português. O PS poderia ter em relação a qualquer iniciativa dos 'Verdes' esta linha de conduta: iniciativa política que venha de vocês não nos merece nenhuma credibilidade.»

 

Leitura complementar: O partido que nunca existiu; O PCP coligado consigo próprio.


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por Luís Naves

Estamos todos um bocadinho cansados da política e desiludidos com as elites, por isso, talvez mais cínicos, incapazes de vislumbrar um passe de mágica que de repente possa consertar tudo à nossa volta.
Os comentadores mediáticos não ajudam a descodificar a realidade. Muitos nunca souberam (ou não quiseram) explicar à opinião pública a camisa de varas em que estamos presos. Daí que se mantenham tantas ilusões sobre a culpa dos credores ou a simplicidade das alternativas. Os portugueses continuam a acreditar que o Estado não está falido e que bastaria gastar umas verbas (inexistentes) para criar milhões de empregos.
O comentário tem sido dominado por políticos profissionais e nunca percebemos se estão a analisar a situação ou enviar recados. Os factos são escolhidos conforme dá jeito. Um exemplo: o boletim do Banco de Portugal divulgado ontem tinha várias notícias assim-assim, dissecadas ao pormenor pela legião de comentários, e incluía uma boa notícia, que foi quase ignorada.


Refiro-me às previsões para a balança corrente e de capital, que são de tal forma inéditas, que é preciso olhar duas vezes para elas, esfregar os olhos e pasmar. Pois esse indicador, em 2013, poderá atingir 4,5% do PIB, positivos, e 6,4% no próximo ano. Não há memória de algo assim.
Fala-se muito no défice orçamental, que inclui o pesado lastro da dívida, mas menos no desequilíbrio externo, cuja componente mais importante tem sido esta balança, agora excedentária. Em 2008, foi de 11,1% do PIB, negativos, e em 2010 de 9,4%, também negativos, o que atesta bem o descalabro do governo anterior. Foi preciso financiar estes défices gigantescos e o País endividou-se de forma rápida. Se a previsão se confirmar, isso quererá dizer que, durante o ajustamento, a balança corrente melhorou 14 pontos percentuais de PIB, o que significa que o programa está quase concluído. Deixámos de nos endividar e parece haver condições para pagarmos a dívida no futuro.
Os que detestam as boas notícias lembram que isto foi conseguido à custa da quebra de importações e do colapso do consumo. Certo, mas havia outra forma? As pessoas adaptaram os seus padrões de consumo e, mesmo que agora muitos portugueses comecem a abrir os cordões à bolsa, os valores parecem ser sustentáveis. Eles são até um bom argumento para diferir os efeitos da reforma do Estado, os famosos 4,7 mil milhões que estão na origem da crise política.

 

Também aqui


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por Pedro Correia

«Qualquer pessoa que conheça minimamente o PSD - e eu faço parte dessas pessoas - pensa que a última coisa que o partido podia aceitar seria essa proposta que o presidente do partido fez [ao Presidente da República]. Porque é primeiro-ministro mas é presidente do partido. É preciso não conhecer o partido - e ele conhece-o, com certeza - para pensar que o partido aceitaria uma coligação com o CDS-PP em que o CDS-PP fosse a parte mais forte dessa coligação.»

«Do ponto de vista do partido, era uma proposta que não tinha a mínima hipótese de ser aceite. Em qualquer órgão - o Conselho Nacional, o Congresso - seria iminaginável o partido aceitar.»

«Os partidos não aceitam tudo aquilo que os líderes dizem que querem fazer. É sempre bom consultá-los.»

 

«É evidente que o pedido do PS de eleições antecipadas tem muito de táctica e muito de interesse partidário e muito pouco de interesse nacional.»

 

Palavras de Manuela Ferreira Leite, no seu mais recente comentário na TVI 24.

Notável raciocínio: Pedro Passos Coelho é duramente acusado de não olhar aos interesses do PSD e António José Seguro é duramente acusado de só olhar aos interesses do PS.


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por Alexandre Guerra

 Foto AFP

 

A absolvição de George Zimmerman pela morte do jovem negro de 17 anos, Trayvon Martin, veio reacender um debate nos Estados Unidos que, em bom rigor, nunca desapareceu da sociedade, mas que há muito estava adormecido e que agora ressurge com outros contornos. E são esses novos contornos que este arregimentado julga estarem a passar despercebidos na acesa discussão que, entretanto, se gerou. 

As manifestações e vigílias que se têm verificado nalgumas cidades americanas contra a decisão do tribunal de Sanford têm expressado a crença histórica inabalável de que os negros na América vivem numa sociedade racista. Um sentimento que voltou a estar à flor da pele perante uma decisão judicial que é toda ela toldado por preconceitos de raça (mas não só) há muito enraizados na sociedade americana.

Infelizmente, aqui, não há nada de novo. Se, por um lado, os Estados Unidos, desde a sua "Fundação", têm sido um farol dos direitos humanos, por outro, contêm na sua natureza uma noção muito estratificada de raça e de condição social.  

Não há volta a dar, a cor da pele foi determinante no desfecho do julgamento da morte de Trayvon Martin, sobretudo quando o sistema judicial americano coloca nas mãos dos jurados, simples cidadãos, a aplicação da Justiça.

Ora, neste caso em concreto, não houve qualquer Justiça e quanto à aplicação da Lei, muito haveria para dizer, como se pode ver por estas cinco questões que o USA Today suscita. Além de que esta decisão parece abrir um precedente grave, porque a partir deste momento qualquer negro de "hoodie" na cabeça pode ser abatido em "legítima defesa".

Seja com for, o júri considerou que Zimmerman agiu em legítima defesa, por acreditar que corria perigo de vida, apesar de Trayvon Martin ter feito o que de mais banal qualquer jovem urbano pode fazer: na noite de 26 de Fevereiro de 2012 dirigiu-se a uma loja de conveniência, tendo comprado "ice tea" e um pacote de Skittles.  

À saída da loja, Martin colocou na cabeça o capuz do seu "hoodie" e a partir desse momento Zimmerman, um segurança voluntário de um condomínio privado daquela zona, viu ali um indivíduo suspeito. Os acontecimentos precipitaram-se e Zimmerman acabou por alvejar mortalmente o jovem no peito.

É aqui que está o pecado original desta história e que reflecte aquilo que é uma conjugação de preconceitos históricos de raça com o que este autor chamaria de novos preconceitos urbanos.

Uma simples "sweat com capuz" que escondia o rosto do Martin foi o tónico que faltava para tornar um inocente num potencial criminoso. O Forte Apache recorda que na altura gerou-se um debate interessante nalguns círculos sobre os novos preconceitos urbanos que vão muito além das discriminações de raça, de género ou de condição social. 

Obama, aliás, veio prontamente afirmar que ele próprio usava "hoodies", uma indumentária que muitos jovens (e adultos) vestem sem qualquer conotação criminosa. Neste sentido foi também o protesto original do congressista democrata Bobby Rush, que em plena Câmara dos Representantes se insurgiu na altura contra uma nova forma de preconceito.

São correctas as leituras de Obama e de Rush, só possíveis através de uma consciencialização das novas tendências e realidades urbanas, que não obedecem a qualquer condição racial, social ou de género. E é precisamente esta realidade que o autor destas linhas considera que está ausente do actual debate, muito centrado na importantíssima questão racial, mas que não esgota o problema.


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por Pedro Correia

 

No seu habitual espaço de comentário da TVI 24, Manuela Ferreira Leite louvou o «belíssimo discurso» ao País do Presidente da República. Como seria de esperar. Chegou a dizer o seguinte, que aqui registo para memória futura: «Se a atitude do Presidente da República provocasse um terramoto interno nos partidos não seria mau. Se há coisa sobre a qual a opinião pública não tem uma boa opinião é relativamente aos partidos», havendo portanto que «metê-los na ordem».

Anotei a perfeita sintonia destas palavras com declarações quase simultâneas de Rui Rio, também em claro elogio ao inquilino de Belém. «Não sei se os partidos se conseguem entender. Mas foi-lhes dada pelo Presidente da República uma oportunidade única de se poderem credibilizar perante a opinião pública», declarara horas antes o presidente da Câmara Municipal do Porto.

Começa a fazer caminho, entre as personalidades que têm como principal referência política o actual Chefe do Estado, a ideia de que a democracia portuguesa está degenerada por culpa dos partidos.

É um caminho perigoso e que contradiz todo o património histórico do PSD desde os tempos do seu fundador, Francisco Sá Carneiro.

Vale a pena reler com atenção a última entrevista concedida por Sá Carneiro, publicada no próprio dia da sua trágica morte, a 4 de Dezembro de 1980, na revista espanhola Cambio 16. «Eanes, com este projecto impossível de acordo entre os socialistas e os sociais democratas, é um factor de instabilidade», criticava o malogrado fundador do PSD, visando o então Presidente da República, a quem acusava sem rodeios: «Eanes é um homem que provoca crises nos partidos porque tem uma visão da política que é a do poder pessoal.»

A história repete-se, com mais frequência do que muitos imaginam. Não deixa de ser irónico que Cavaco - ex-ministro das Finanças de Sá Carneiro - sirva hoje de bandeira à retórica antipartidos emanada de alguns dos seus apoiantes mais notórios.

 

Imagem: Cavaco Silva e Sá Carneiro em 1980


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por José Meireles Graça

Desconhecia até hoje a existência de um parceiro social designado por Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas e não faço ideia de quem seja João Pedro Soares - no Google há vários e não tenho vagar para espiolhar.

 

No site informa-se que a CPPME está "no terreno" há três décadas e exibe-se a fotografia de um stand nas Festas da Rã, em Cascais, ao que se segue informação vária, cuja natureza não pude apurar por de momento me apetecer ir à cozinha comer cerejas.

 

Pois esta, não duvido, prestimosa organização, "apresentou ao secretário-geral da CGTP as suas propostas para o sector empresarial e para a reanimação da economia nacional".

 

Isto é realmente moderno: uma federação das federações das associações dos empresários anões, medianos e crescidinhos, "apresenta" coisas a um comunista que dirige uma feroz confederação cujo propósito é eliminar os grandes empresários, após os quais os médios, que entretanto passariam a ser os grandes, após os quais os pequenos, que seria exagero designar como grandes mas são tão exploradores como os outros, e finalmente os micros, que se empregarem nem que seja dois sobrinhos e um amigo de um filho estão-se apropriando de mais-valias e não sei quê.

 

"No final da reunião tanto a CPPME como a CGTP mostraram-se favoráveis a que se realizem eleições o mais depressa possível, por entenderem que a crise política e económica actual só pode ser superada se for dada 'a voz ao povo', houver 'um novo Governo' e se puserem em prática novas políticas".

 

Tiro o meu chapéu ao PCP: tem dois partidos políticos na AR mais outro que se imagina que não é compagnon de route; tem uma central sindical, uma nuvem de comentadores e uma presença tão vasta quanto enjoativa na comunicação social; tem uma quinta, uma Festa justamente celebrada e sabe Deus que mais.

 

Não tinha os empresários. Mas está a trabalhar nisso - parece.

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por Pedro Correia

«Acredito naqueles que procuram a verdade e duvido daqueles que a encontram.»

André Gide


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Terça-feira, 16 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

A trela do meu cão é verde de um lado e bege do outro, mas esta delicada combinação de cores não resultou da escolha, aliás avisada, de quem a comprou, mas de puro acaso.

 

O mesmo acaso poderia ter determinado a cor amarela, e isso seria potencialmente uma grande alhada. É que a visão de um cão com uma fita amarela na trela significa que o animal "precisa de espaço", razão pela qual devemos ou afastar-nos ou dar tempo à alma compassiva que passeia o bicho para passar ao largo.

 

É pelo menos o que é defendido em 45 (!) países, tendo os materiais pedagógicos já sido traduzidos para 12 línguas.

 

A notícia não esclarece se uma dessas línguas é o Português. Mas, se esse urgente trabalho ainda não estiver feito, sê-lo-á asinha. Que não há causa parva, bandeira imbecil, ou iniciativa estapafúrdia que cá não chegue, se vier embrulhada na bandeira da defesa de causas boazinhas, em nome de "direitos".

 

Direitos dos animais, neste caso. Que não basta que quem aprecie não possa ver uma tourada; é ainda necessário que, se nos cruzarmos com um canídeo perigoso devidamente assinalado, mudemos de passeio, não vá, além de corrermos o risco de pisar o cocó do animal, ainda lhe ofendermos os sentimentos. 

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por Alexandre Poço

 


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