Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Forte Apache

Orçamento de 2013... à espera de Godot

Carlos Faria, 27.11.12

O Orçamento de Estado para 2013 foi aprovado e mereceu a unanimidade de desagradar a todos e todos com responsabilidade ficaram absurdamente à espera que aconteça algo, sem ninguém ter feito algo que não fosse manter um diálogo de surdos (oportunista, subserviente ou por desacordo inconciliável), onde nada se resolve, mas espera-se que a salvação (que não se sabe qual é) venha e, tal como em Godot, há sempre alguém que dirá: hoje não… talvez amanhã.

Uns querem que Lucky se revolte;

Outros esperam que Pozzo morra;

Vladimir e Estragão impotentes esperam e

O rapaz continua a alimentar a esperança que Godot virá um dia…

 

e se Godot não vier?

Gente Independente de Halldór Laxness

Carlos Faria, 14.11.12

 

Há livros cuja dimensão da sua estória e mensagem se tornam o cerne de uma obra prima literária que forma espíritos e por isto devem ser lidos.
"Gente Independente", de Halldór Laxness, já tem 77 anos e o seu protagonista, em vez de ser um islandês, poderia ser o povo português do século XX e a revolta contra o sistema poderia ter sido escrita hoje 14 de novembro em Portugal.
"O homem não é criminoso o bastante para saber viver dentro deste sistema social."
É uma frase forte, mas muito bem demonstrada pela resistência e lição de vida, roçando a obstinação e por vezes cruel, de Bjartur para se tornar num homem livre.
Um romance duro, cruel, terno, irónico, doloroso, romântico, comovente e revoltante que - apesar de uma escrita densa, alguns parágrafos muito extensos, com nomes de personagens impronunciáveis e por vezes demasiado semelhantes que obrigam a um certo esforço - deveria ser lido por todos.
Provavelmente será o romance que maiores marcas me deixará em 2012 e só por si justifica o Nobel que o seu autor recebeu, sem dúvida alguns não concordarão com tudo o que Halldór pretendia dizer, aliás o autor evoluiu no pensamento político e inclusive sentiu-se defraudado com muitos comportamentos dos sistemas que defendeu, mas também dá perceber muita da revolta que gente honesta hoje em Portugal sente sem nunca ter partilhado ideais políticos de esquerda.

Novo Presidente de um novo Governo dos Açores - zero X Protesto de uma pessoa - muitos

Carlos Faria, 07.11.12

Os Açores, uma região autónoma com cerca de 250 mil habitantes e responsável pela grande área económica marítima de Portugal, assistiu ontem à cerimónia de posse de um novo Governo Regional, presidido por um novo Presidente eleito pelo povo do Arquipélago: Vasco Cordeiro.

Durante a cerimónia houve o discurso de circunstância de Vasco Cordeiro na sua nova qualidade, bem como o discurso da primeira mulher eleita Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores: Ana Luís.

Em paralelo, na mesma hora um cidadão isolado, vindo do exterior da região, livremente exibia um cartaz contra o ministro Relvas que representava o Governo de Portugal na cerimónia de posse, à noite, o mesmo cidadão isolado, parece que jornalista, é suspeito de tentar invadir o quarto do hotel do ministro.

Ouvindo os noticiários e lendo as parangonas dos jornais dos OCS no continente, o conteúdo da cerimónia parece que se eclipsou, praticamente nada se sabe do seu conteúdo, nem as ideias mais fortes destes recém-eleitos. Em contrapartida, praticamente todos abordam o protesto isolado de um cidadão que seria anónimo, não Açoriano mas que no fim há quem diga tratar-se de um jornalista a escrever sobre um percurso a pé ao País...

Isto não retrata o jornalista, mas sim a generalidade do jornalismo que temos em Portugal, a sua falta de isenção conjuntural e de prioridade das notícias nacionais...

Pior que não resolver é criar problemas

Carlos Faria, 03.11.12

Vivemos num momento crucial para se conseguir adequar o modelo socioeconómico e político de Portugal à realidade conjuntural e estrutural do País do início do século XXI sem desrespeitar de forma preconceituada os valores fundamentais de Abril: a liberdade e a justiça.

Certo que há quem confunda liberdade e justiça com a imposição da sua ideologia, mas há também quem esteve em governos e não foi capaz de corrigir a herança complexa do passado e como tal deixou os problemas para que outros os resolvessem no futuro.

Infelizmente, depois de não ter sido capaz do difícil, só tem criado dificuldades a quem com maior ou menor imperfeição corajosamente se esforça por mudar os constrangimentos que nos colocaram à beira da bancarrota. Só que pior do que dificultar, considera ainda a democracia uma barreira às reformas fundamentais do Estado, como se a falta de democracia, mesmo que temporária, fosse algo melhor que a austeridade ou gerasse desenvolvimento e fosse justa.

Eu por mim não tenho complexos de assumir que acredito na democracia e é nela que considero viável criar-se um futuro melhor, mesmo no seio das dificuldades.

Eleições nos Açores

Carlos Faria, 14.10.12

Os partidos do governo da república hoje não perderam uma região que já não era sua há 16 anos, mas os resultados indiciam que estão mesmo a perder o País e sem darem quaisquer esperanças de que o estão a salvar e os muitos votos brancos que hoje desdobrei são sinal de uma descrença muito perigosa.

Podem-se perder eleições na política, mas perder a esperança no futuro nenhum governo em democracia pode permitir tal situação, pois é o regime democrático que fica em risco.

Mas a quente, várias reflexões podem-se já fazer com os resultados das legislativas regionais dos Açores de 2012.

Gestão comunicacional suicida

Carlos Faria, 04.10.12

Quem acompanhou ou viu as reportagens da comunicação ao País de Vítor Gaspar de ontem ficou consciente de que o mesmo anunciou mais austeridade e que o Executivo assumiu que o novo pacote é menos austero do que a alternativa da TSU.

Depois foram atirados números soltos para que os jornalistas pegassem e trabalhassem ao seu bel prazer e estes, como habitualmente, trabalham e criam os títulos mais vendáveis. Independentemente de não se gostar do pacote, o Diário de Notícias numa síntese fenomenal, mostra como é suicida a estratégia de comunicação deste governo.

Só não é perfeita porque faltou mesmo aproveitar a dica deixada por Vítor Gaspar: se o Povo vier à rua novamente pode ser que se consiga outra alternativa melhor, pois o Ministro assume que aconteceu com a versão anterior…

Pessoalmente, além de não pensar que este pacote seja melhor, dói-me ver um Executivo suicidar-se com as suas próprias palavras. Sobre a comunicação anterior de Passos, tentei mostrar aqui os aspetos omissos que a comunicação social não pegava para trabalhar outros no seu interesse, mas o atual Governo não aprende.

Que soluções no caminho diferente?

Carlos Faria, 17.09.12

Não tenho complexo de caminhos diferentes, desde que me demonstrem previamente que são viáveis, melhores, mais justos, eficazes e democráticos.

Agora, confesso que suspeito muito quando alguém não eleito na presente conjuntura propõe outras vias como de salvação nacional sem dizer antes o que pretende trilhar, que medidas a implementar e ainda condiciona à exclusão de quem foi democraticamente eleito.

Mas talvez sou eu que sou desconfiado e os históricos que construíram o modelo político que nos trouxe até à situação atual do País sejam mesmo bons, não tenham culpa nenhuma de aqui termos chegado e por isso não precisem de apresentar as suas soluções às claras.

Os bons, se corajosos, que avancem para a frente de combate

Carlos Faria, 13.09.12

Uma coisa é estar descontente ou discordar com algumas medidas deste governo e apresentar propostas de melhoramento, outra é desacreditá-lo perante todos. Que os partidos da oposição optem por esta última via sem propostas sérias e a acenar com sugestões populistas é algo que já nos habituámos em Portugal.

Agora que membros responsáveis dos partidos do Governo de Portugal discordem publicamente das diretrizes do executivo, não apresentem propostas, desafiem os deputados a explicitar as suas oposição às medidas do orçamento e ficar à espera para ver, mas que não sejam capazes de internamente reunir as estruturas do partido, discutir a sério e disponibilizar-se para enfrentar todas as consequências daí resultantes é, além de cobardia política, uma forma de terrorismo político que mina qualquer executivo eleito em democracia.

Se o poder executivo depende do Parlamento, se os deputados são eleitos e os seus mandatos não terminam com as crises internas dos partidos. Então este corajosos mensageiros reúnam as hostes, apresentem internamente as suas medidas, proponham alternativas internas e disponibilizem-se a assumir uma solução que pode até passar por ocupar o lugar daqueles que hoje estão no poder, compromentendo-se a fazer melhor, se possuem de facto uma alternativa seguramente correta para enfrentar o problema.

Pelo menos é um comportamento mais honroso e patriótico que minar apenas tudo à sua volta com ar da sábio e dar condições para que seja a troika a ter a iniciativa de propor um líder de Governo. O que, infelizmente também, não era totalmente inédito nesta Europa em crise.

Agora, só minar e destruir tudo o que os outras fazem, já basta! O Povo de Portugal merece mais.

Estratégia socialista para Portugal

Carlos Faria, 22.08.12

Ouvi num noticiário o melhor exemplo do que foi e ainda é a estratégia socialista para Portugal, através da crítica de um autarca socialista à suspensão da autoestrada do Baixo Alentejo com a seguinte fundamentação:

 

A autoestrada do Baixo Alentejo é estruturante por fazer a ligação ao aeroporto de Beja.

 

Em resumo: depois de um elefante branco, há que lhe fazer um pedestal.

 

Mesmo assim, muitos ficam felizes com a esta estratégia suicida.