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Forte Apache

A Espanha também é fascista*

jfd, 11.07.12

*e Rajoy mentiu para ser eleito. Certo?

 

A taxa máxima do IVA sobe de 18 para 21 por cento e a taxa reduzida salta de 8 para 10 por cento. Os funcionários públicos espanhóis também não vão rebecer o subsídio de Natal. Estas são algumas das medidas que fazem parte de um rol de políticas fiscais que o executivo espanhol acaba de anunciar para cumprir com a meta da redução do défice.

SAPO

A derrota mais amarga do PSOE

Pedro Correia, 20.11.11

 

Sete anos de governação socialista mereceram hoje um duro, amargo e justo castigo do eleitorado espanhol. Nem o facto de Rodríguez Zapatero ter dado lugar a Pérez Rubalcaba (na foto) como cabeça de lista travou a queda do Partido Socialista Operário Espanhol, com menos quatro milhões e meio de votos do que os obtidos nas legislativas de 2008. Com apenas 28,6% dos sufrágios, o partido que governou Espanha durante 21 anos (entre 1982 e 1996, e de 2004 até agora) perde 59 lugares na Câmara dos Deputados e quase metade dos assentos no Senado. Pior que isso: perde pela primeira vez em todas as comunidades autónomas, restando-lhe como consolação o triunfo em duas das 52 circunscrições eleitorais -- Barcelona e Sevilha.

O claro vencedor da noite é o Partido Popular, liderado por Mariano Rajoy. Que consegue o mais dilatado e expressivo triunfo da direita espanhola desde que foi restaurada a democracia: com  44,5% dos votos e 186 deputados (mais 32 do que os eleitos em 2004), o PP conquista a maioria necessária para governar sem necessidade de acordos parlamentares -- algo que Zapatero nunca conseguiu e o ex-líder conservador José María Aznar alcançou apenas na legislatura 2000-2004, embora com menos deputados. Os populares são hoje a única força política com grande expressão eleitoral na generalidade do território espanhol, tendo alcançado pela primeira vez a vitória na Andaluzia (comunidade que irá a votos em Março de 2012).

 

Outras breves notas desta noite eleitoral:

- Na Catalunha, os nacionalistas moderados da CiU obtêm o primeiro triunfo de sempre numas legislativas, ultrapassando largamente um PSOE em queda livre que ali perde 11 deputados.

- Em Madrid, o PP reforça um dos seus bastiões, situando-se 22 pontos percentuais acima dos socialistas.

- Os comunistas e seus compagnons de route, agrupados em torno da sigla Esquerda Unida, recuperam o grupo parlamentar nas Cortes, passando de dois para 11 deputados -- o seu melhor resultado desde 1996.

- A União Progresso e Democracia, força política do centro, também progride eleitoralmente, subindo de um para cinco deputados com mais de um milhão de votos.

- As forças pró-etarras, que se apresentaram nas urnas com a designação Amaiur, venceram no País Basco, conseguindo sete deputados que prometem batalhar pela independência no Parlamento de Madrid.

 

Rajoy pode agora formar um Governo forte e com um mandato muito claro: tirar Espanha da grave crise económica e social em que o país mergulhou. Como assinala Ignacio Camacho no ABC, "desde o esmagador triunfo gonzalista de 1982 não existe memória de uma convicção tão rotunda de mudança". É disso mesmo que Espanha necessita com urgência: de mudança.

 

Adenda: Javier Pradera, um dos mais prestigiados jornalistas espanhóis, morreu subitamente, há poucas horas. Vale a pena ler o seu último artigo: Al borde del abismo, publicado na edição de hoje do El País.

 

O pesadelo espanhol

Pedro Correia, 19.11.11

 

José Luis Rodríguez Zapatero prometeu edificar uma Espanha diferente, mais próspera e mais dinâmica, quando concorreu às legislativas de 13 de Março de 2004. A Espanha era a oitava economia mundial e servia de modelo a muitos países. O jovem líder socialista, então com apenas 43 anos, rompeu o pacto de Estado com a oposição conservadora sobre os grandes alicerces do regime que fora construído na transição de 1977/78. Desenterrou os demónios da guerra civil. Privilegiou o diálogo político com os nacionalistas da Catalunha e do País Basco. Fez disparar a dívida do país. Geriu a economia com rara incompetência, deixando descontrolar as contas públicas e triplicar a taxa de desemprego, que hoje se situa em 21,5%.

O balanço do seu mandato é profundamente negativo: no consulado de Zapatero registou-se a maior destruição de emprego de toda a história de Espanha. Só na última legislatura perderam-se 2,4 milhões de postos de trabalho. No terceiro trimestre de 2011, o crescimento foi nulo e prevê-se que o ano termine com crescimento negativo. A recessão espreita e o auxílio financeiro de emergência tornou-se praticamente inevitável. O chefe do Governo cessante acordou tarde e a más horas para a crise, que procurou negar até ao limite: agora, em busca do tempo perdido, já reclama "auxílio imediato" às instituições europeias. Vão longe os tempos em que garantia haver uma "saída social" para a situação de pré-colapso económico. Com um optimismo antropológico que se foi tornando cada vez mais patético.

Zapatero é hoje, provavelmente, o político mais impopular de Espanha. Consciente desse facto, recusou recandidatar-se: para o seu lugar avançou o vice-primeiro-ministro Alfredo Pérez Rubalcaba, antigo lugar-tenente de Felipe González, ainda hoje idolatrado entre as bases socialistas como patriarca do Partido  Socialista Operário Espanhol. González tem comparecido mais nos comícios desta campanha do que o desacreditado Zapatero. Mas nem isso impede que Rubalcaba tenha uma missão impossível: o país baixou três lugares na lista dos mais desenvolvidos do planeta, mergulhando no pior momento desde a queda do franquismo, em 1975. Com sucessivos aumentos de impostos, cortes salariais na administração pública, congelamento de pensões, um défice público de 6% e o maior número de desempregados de que há registo. "Um drama de cinco milhões sem emprego", titulava há dias o insuspeito El País, com notável precisão.

"Sem o menor respeito pela verdade e pela lealdade, você mentiu e atraiçoou-nos a todos." A frase não é do líder do Partido Popular, Mariano Rajoy, que vencerá as legislativas de amanhã. É de um homem de esquerda: o escritor Arturo Pérez-Reverte, numa demolidora carta aberta dirigida ao ainda chefe do Governo. Um documento que vale por mil editoriais. E que justifica, melhor do que qualquer análise política, a viragem que dentro de poucas horas ocorrerá em Espanha.

Publicado também aqui

Papandreou Não Passa de Um Sócrates

Ricardo Vicente, 04.11.11

Simplificando um bocado, Papandreou é um Sócrates, id est, um socialista troca-tintas. Os gregos que façam o favor a eles mesmos e a todos nós europeus e encontrem lá depressa pelo menos um Passos Coelho. A demissão de Papandreou é tão necessária como foi por cá a de Sócrates.

 

Já não há paciência nenhuma para socialistas, nem aqui, nem na Espanha, nem na Grécia, nem em lado nenhum.

Trocar Guardiola por Jorge Jesus

Pedro Correia, 30.10.11

De súbito, a auto-estima lusitana é incentivada de onde menos se esperava: o socialista Gregorio Peces-Barba, ex-presidente do Parlamento de Madrid e um dos 'pais' da Constituição de 1978, vem dizer que a Espanha "teria ficado melhor com Portugal do que com a Catalunha". Os políticos catalães não gostaram da comparação: talvez achem inconcebível que alguém queira trocar Guardiola por Jorge Jesus. Um deles recorreu mesmo ao vernáculo -- claramente entendível em qualquer recanto da Península Ibérica -- para qualificar o patriarca da lei fundamental espanhola.

Confirma-se: não adianta atirar a História porta fora. Ela acaba sempre por entrar pela janela.