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Forte Apache

Voto contra,

José Meireles Graça, 04.01.13

Senhora Presidente. Porque a República Indiana é um país independente, com as suas instituições, os seus cidadãos, os seus problemas. E sobre eles, os problemas, eu, se fosse Indiano, faria o que bem entendesse. Mas nem Vossa Excelência, nem nenhum dos meus ilustres colegas, é Indiano.

 

Sendo cidadão português não estou inibido de dizer o que bem me pareça sobre o que se passa na Índia ou em qualquer outro lugar. Mas a Assembleia a que Vossa Excelência preside representa - melhor, num certo sentido é - o Povo Português. E este não tem que dar conselhos pesporrentos a nações amigas, pronunciar-se sobre incidentes que nada, nem directa nem indirectamente, têm que ver com Portugal, ou tecer considerações sobre os ordenamentos jurídicos de países terceiros.

 

Depois, o decoro das instituições recomendaria que não se fizessem proclamações pomposas, como é o caso quando o Parlamento se põe em bicos de pés para se atribuir uma relevância que não tem, afirmando sem receio do ridículo "o seu compromisso no combate a todas as formas de violência contra as mulheres", no fraseado da infeliz proposta do BE. Como se o que diz o Parlamento português pudesse ou devesse ter outro eco na Índia que não o da indiferença; e como se a violência no Mundo diminuísse porque uns revolucionários de bairro, empreendedores e mal-vestidos, redigiram umas tretas entre um café e um cigarro.

 

Se o Parlamento quer combater a violência, terá alguma coisa para fazer entre nós. E se for esse o propósito da moção - defender as mulheres Portuguesas - então junta a injúria à estupidez, por utilizar a trágica história de uma vítima Indiana, ou de centenas de vítimas Indianas, como pretexto para fins que nada têm que ver nem com elas, nem com a Índia, nem com o respeito que é devido à vida interna dos Estados.

 

Isto eu diria, se fosse Deputado. Felizmente, não sou.