Porque hoje é o dia da Terra
Não me cabe a mim assumir se iremos cair numa situação catastrófica, mas tenho a obrigação de levar as pessoas a pensarem sobre o problema.
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Não me cabe a mim assumir se iremos cair numa situação catastrófica, mas tenho a obrigação de levar as pessoas a pensarem sobre o problema.
Quando tudo aparentemente parecia ir bem em Portugal, pois os bancos cobriam a falta de rendimentos das pessoas e do Estado com empréstimos para permitir um consumo desenfreado que alimentava o crescimento da economia, as estatísticas eram geralmente positivas. O Povo e os poderes político e financeiro pareciam estar na generalidade felizes com a estratégia em curso, embora alheios ao facto de estarem a comprometer o futuro.
Nesses tempos, algumas vozes raras e isoladas de economistas sensatos alertavam para a insustentabilidade da via que se estava a seguir com a justificação de que as dívidas necessitam de se limitar a uma fração dos rendimentos para não se atingir uma situação de rotura com a impossibilidade do seu pagamento, momento a partir do qual o sistema entraria em colapso.
Em paralelo, outro grupo com preocupações bem diferentes, remava contra o otimismo cego reinante e com muitos a usar a voz do bom senso: os ambientalistas. Estes alertavam para a necessidade de se racionalizar o consumo, implementar a reciclagm, a reutilização e mesmo a sua redução ou reparação artigos de forma a diminuir a pegada ecológica, os gastos dos recursos e a produção de resíduos, pois a Terra é limitada nos seus bens para sustentar o aumento demográfico, o crescimento imparável do consumo nos países desenvolvidos e o alatramento desta situação aos países emergentes.
Hoje em crise, muitos dos economistas sensatos matém-se como pessoas duras ao dizerem o que não nos agrada em termos de sacrifícios, enquanto muito dos insensatos de antes persistem na receita do consumismo para se sair da crise e, mesmo com o Estado falido, vendem a ideia de que a solução é continuar no erro... considero normal que muitos dos que não tinham bom senso antes o passassem a ter agora.
Contudo, passei a estranhar que alguns ambientalistas, alguns dos quais falavam da insustentabilidade do vício consumista do capitalismo e associados a grupos de esquerda, de repente, mesmo sem apagar em definitivo várias premissas ecológicas, passaram a ter um discurso que aponta para a saída da crise através do aumento do consumo, como se isso agora fosse ambientalmente sustentável, e é vê-los aí em blogues e nos órgãos de comunicação social num volte face incrível.
Enquanto isso, para os ambientalistas convertidos à saída da crise pelo consumo, um dos resultados da insustentabilidade deste método em termos globais está à vista. Encontrar receitas para a crise sem comprometer o ambiente é um novo desafio que não se submete às lutas político-ideológicas oportunistas.