Pela aragem não se vê quem vai na carruagem
Algures n'Uma Campanha Alegre, Eça verbera as toilettes dos Senhores Deputados, e considera normais os coletes desabotoados, já que também teriam as consciências - desabotoadas. É qualquer coisa assim, agora não tenho vagar para conferir.
As convenções de vestuário em uso naquele tempo eram diferentes das de hoje, e o Parlamento também: não havia Senhoras Deputadas, e havia criados de quarto para cuidar dos atavios dos senhores. No resto, as semelhanças são tantas que aprende-se talvez mais com as Farpas do que com as secções de cusquices do Expresso e outros jornais.
Eça, se regressado do Além para ir ver uma sessão do Parlamento, ficaria decerto varado com a falta de Gramática e, aparentemente, sabão e navalhas de barba, e creio mesmo que o fato de treino e a t-shirt de alguns Pais Conscritos o deixariam pávido, cuidando tratar- se de pijamas.
Não obstante, a simplicidade e a comodidade do traje contemporâneo merecer-lhe-iam aprovação; ainda que dissesse para os seus botões que a evolução da moda não é bem uma atribuição do Parlamento, e que dos deputados da Nação se espera a reforma do Estado e das Leis, não a promoção da estética rap. Enfim.
Isto pensava eu, e por o pensar invoquei um morto ilustre e atribuí-lhe as minhas opiniões, a ver se elas ganhavam alguma gravitas.
Mas não sei já para que lado me volte: Vem um tipo de brinquinho e rabo-de-cavalo e desata a fazer reformas liberais (das verdadeiras, não aquela mistura de impostos muitos e emagrecimento do Estado nicles) e a coisa funciona.
Ó senhores deputados: Bora lá buscar um quipázinho de missanga; e, senhoras deputadas, têm alguma coisa contra saias de cigana?
Poizé: a ver se isto melhora.