Sexta-feira, 9 de Novembro de 2012
por José Meireles Graça

Havia no meu grupo de amigos da adolescência um moço, excepcionalmente simpático e excepcionalmente burro, que tinha um catálogo de frases engatilhadas para diversas situações. Por exemplo, para um chumbo numa cadeira, o falecimento de um conhecido, um furo num pneu, lá vinha a frase, sacramental: "Que queres? É a puta realidá!" (achava fino afastar-se do sotaque da terra e usar um outro, pessoal, que imaginava ser o de gente de outra criação).

 

Tinha razão o meu amigo: a realidade explica muita coisa. E tenho para mim que, se nos governos que temos tido houvesse mais gente a conhecê-la, muita asneira se evitaria.

 

Desde que o Estado moderno se afastou das suas funções clássicas e começou a ser visto como responsável pelo crescimento económico, o desemprego, o bem-estar, e a saúde, que quem legisla e decide devia saber bem onde põe os pés.

 

Não sucede assim - boa parte da actividade legislativa destina-se a corrigir defeitos de legislação anterior, a qual produziu efeitos perversos. E a nova legislação, o mais das vezes, apenas troca uns erros por outros, com frequência piores.

 

Isto deve-se ao perfil académico e profissional da maioria dos políticos e à competição feroz em que a actividade política é, e tem que ser, exercida: um político raramente vem das fileiras do empresariado e, se eleito, passa a gastar o seu tempo nos jogos de poder e da administração do seu pelouro, se o tiver. O capital de conhecimentos que tem sobre a realidade é o que tinha antes - e vai-o gastando.

 

As coisas são piores ainda: se o crescimento económico é a mãe e o pai de todos os benefícios, entender os mecanismos da criação da riqueza seria o conhecimento mais útil que um político poderia ter. Mas a experiência evidencia que sobre isto há a maior cacofonia: cada partido tem uma receita para o progresso material diferente, e até antagónica, da do vizinho. E isto significa que não podem estar todos certos; embora, desgraçadamente, possam estar todos errados.

 

Então, devíamos como eleitores privilegiar empresários e oferecer a chefia do Governo, por exemplo, ao Engº Belmiro de Azevedo, a das Finanças ao Sr. Américo Amorim e a da Economia ao Sr. Henrique Neto?

 

Não, de todo, a perspectiva de um tal governo gela o sangue mais fleumático: uma empresa não é um país; relações sociais não são relações laborais; gerir conflitos em democracia, e até em ditadura, não é a mesma coisa que geri-los na clausura e no despotismo esclarecido da boa empresa; sempre haverá oposição, dissensão, facadas nas costas e na barriga; e há as relações com outros estados, instituições internacionais e todo um mundo de diferenças, grandes e pequenas.

 

O que os decisores políticos fazem, sob pressão para tomarem medidas e debaixo dos holofotes e do ruído da opinião pública, é pedir conselho a especialistas. E como na ciência económica há igrejas, e dentro destas capelas, cada grande tendência ideológica rodeia-se dos seus clérigos e, se no Poder, segue-lhe os conselhos.

 

E é isso que, se cada um se puder abstrair de angústias e dúvidas sobre o futuro, faz estes nossos tempos tão interessantes: tirando os comunistas, que não têm dúvidas,  e os bloquistas, que são compagnons de route daqueles mesmo quando julgam não ser, nas hostes do PS para a direita lavra a confusão, as igrejas cindem-se, as capelas proliferam.

 

Os fiéis não estão mais seguros: este Vosso criado, por exemplo, deveria em princípio, nesta polémica, estar ao lado do Borges, de quem está mais próximo. Mas não, está ao lado do Amaral, de quem está mais afastado.

 

Não é que me incomode: lá está, tenho idade e experiência relevante. Se a modéstia não mo impedisse, chamar-lhe-ia sabedoria.


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Sábado, 6 de Outubro de 2012
por Judite França

Ainda Borges. Desculpem o atraso, mas o post, no word, tinha sido dado como perdido. Até que foi resgatado: este, com sucesso. É mais forte do que eu: se tudo diz mal do Borges, eu penso duas vezes. Afinal, quando tudo se junta para "jogar" pedra na Geni, eu não mando. Nem pontapeio quem já foi ao tapete, por si próprio aliás: Borges parece os jogadores que tropeçam no pé esquerdo; não precisa sequer de ajuda. Mas tem sempre uma mãozinha da comunicação social e da opinião pública que, consigo, é inclemente. A questão é que Borges é livre. Totalmente livre. E isso atrapalha qualquer Governo. O problema é do Governo, não de Borges.


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Sábado, 29 de Setembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

"Os empresários que estão contra a TSU são todos uns ignorantes", afirmou hoje António Borges. Deus nos livre dos adiantados mentais...


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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012
por Diogo Agostinho

 

É verdade que passamos mais tempo a discutir o acessório do que o essencial.

 

A RTP é daqueles temas que, como a Selecção Portuguesa, todos opinam. E acho muito bem. Mas, a RTP tem um Ministro que a tutela e uma Direcção própria. Não precisamos de um qualquer conselheiro a falar para a TVI e anunciar medidas futuras do Governo, no que ao canal do Estado diz respeito. Ainda por cima um Conselheiro que já foi responsável de topo de um Partido em plena crise financeira e foi incapaz de fazer Política de forma clara e que os portugueses entendessem. Pode ser muito bom a negociar e privatizar. Não coloco em causa a competência adquirida nos diferentes cargos que ocupou ou ocupa… mas, por favor, não precisa de vir à televisão falar em nome do Governo.

 

Esteve muito bem João Almeida do CDS, ao colocá-lo no seu devido lugar!


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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012
por Sérgio Azevedo

Sempre tive António Borges como um excitado da política. E um excitado da política, que é manifestamente diferente de um excitado da vida, é normalmente um ser vaidoso de pseudo superioridade intelectual, normalmente com um pensamento estruturado de forma a que poucos  entendam (e por isso alguns os têm como  brilhantes - a ininteligibilidade também tem destas coisas...) mas que sempre que lhes é metido, passo expressão, um microfone à frente descontrolam-se de tal forma que a intelectualidade arrumadinha dá rapidamente lugar à verborreia.

 

A declaração sobre a necessidade de baixar salários não foge à regra. 

 

Mas por isso, falando de coisas sérias e que realmente contam, é que gosto do Presidente Cavaco. Nestas declarações Cavaco corrige o incidente. E nós agradecemos.

 

Primeiro porque tranquiliza os cépticos nas políticas do Governo que, diga-se, nunca indiciou caminhar nesse sentido. Depois porque, e com algum gozo mesquinho, corrige a asneira e a vaidosice do seu amigo Borges.


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Sexta-feira, 16 de Março de 2012
por Judite França


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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
por Mr. Brown

Também não gostei e torci o nariz ao conjunto das nomeações para a CGD, EDP e Águas de Portugal. Mas ir buscar esse assunto - o das ligações partidárias de alguns dos nomeados para certas e determinadas empresas - a propósito da escolha de António Borges para liderar uma equipa que tem como objectivo ajudar a implementar o programa de reformas estruturais do Governo é falhar o alvo por completo. O que se segue? Criticarão o facto de entre os nomes escolhidos para ministros do actual governo não existir um único que subscreva as políticas dos partidos da oposição?


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