Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
por José Meireles Graça

Não conhecia a peça, nem de nome. Mas tendo lido: "O Secretário de Estado da Agricultura defende a proibição do uso de galheteiros, diz ser uma medida com impacto positivo e considera que seria 'positivo' alargar a decisão a toda a União Europeia" - fui ver quem era o intrometido.

 

Mais um iluminado albardado de diplomas, cuja biografia na wikipédia diz que "fez o curso de formação avançada no programa de doutoramento de Alterações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Nova de Lisboa, com a colaboração da Universidade de East Anglia (2010)".

 

Uma formação temível, doutorado em fantasias. E este é o burocrata local, que sabe o que convém aos produtores de azeite, aos donos dos restaurantes e aos clientes deles.

 

Já o burocrata Capoulas, europeu de nacionalidade, que é o relator do Parlamento Europeu para a reforma da Política Agrícola Comum, considera o recuo de Bruxelas nesta matéria "tão absurdo quanto seria a declaração de obrigatoriedade da venda de whisky a granel".

 

Absurdo, é, Rastapopoulos? Pois olha, a tua comparação não faz sentido, porque invocas uma inexistente obrigatoriedade para justificar uma proibição, embora, por ínvios caminhos, tenhas razão num ponto: são ambas inadmissíveis numa sociedade livre, onde o Estado não se senta à mesa, não se deita na cama, e não regula relações entre cidadãos senão na exacta medida do necessário para defender interesses legítimos da comunidade ou de terceiros, ou dos próprios apenas quando seja razoável supôr que o legislador sabe o que o cidadão ignora.

 

Queres fazer trabalho útil, Rasta, para compensar a fortuna que o contribuinte gasta contigo e os outros parasitas bruxelenses?  Dedica-te a revogar legislação - um quarto de quilo ao ano já seria precioso.

 

A vossa pesporrência, ó legisladores da bugalha, não tem limites: um cidadão íntegro tem direito aos seus gostos, às suas escolhas e à sua liberdade, que não consiste apenas no direito de dizer o que lhe vem à cabeça ou ir passear pelas ruas com tachos e panelas a protestar a favor da sobrevivência da raposa do Ártico, em risco por causa do aquecimento global, ou contra a legislação laboral, por causa de Abril.

 

Consiste também em deixar espaço para aqueles, mesmo que sejam poucos, que reservam para a opinião dos outros respeito mas indiferença, e para a própria modéstia mas independência. E que, confrontados com uma garrafa de azeite balsâmico e um livrinho a explicar as maravilhas da iguaria, de um lado, e um galheteiro sem livrinho nem petulância, do outro, provam primeiro do galheteiro.

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