Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012
por Carlos Faria

Uma das causas mais invocadas da recessão económica em Portugal, além da austeridade, tem sido as restrições ao crédito às empresas que o pedem insistentemente e parecem estar a precisar de injeção de dinheiro rápido para investir como o pão nosso de cada dia.

Muitas famílias encontram-se endividadas porque lhes foi facultado, em excesso para as suas capacidades e de forma agressiva, crédito de que não precisavam.

Ainda hoje uma instituição bancária telefonou-me, como cliente não empresário, a disponibilizar-me um crédito com condições vantajosas que eu não solicitei, nem estou interessado que racionalmente informei que recusava.

Pelos vistos a Banca Portuguesa não está mesmo interessada em mudar o estilo de gestão de dinheiros que levou não só o Estado, mas também numerosas famílias à aflição da bancarrota e da insolvência. Assim, não saímos da crise!


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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2012
por José Meireles Graça

Houve um tempo em que não se podia sair do país com mais de 7.500$00 (façam as contas para Euros, eu ainda estou pela moeda antiga e quero que Vocês se lixem). Então como agora, os senhores das alfândegas o que queriam era uma lei idiota para remexer nos bens do próximo, em particular se tivesse o bom aspecto com que a Divina Providência bafejou alguns de nós.

 

Nessa época viajava bastante em trabalho e abri uma conta em Inglaterra - o tal limite era um inconveniente sério e o Banco de Portugal não hesitava em inquirir (aconteceu-me) o que se foi fazer e com que resultados.

 

Deixei de movimentar essa conta há bem mais de quinze anos. E, tendo perdido o livro de cheques, fiquei com um saldo de 35,64 libras. Pois recebo ainda hoje um extracto mensal com o tal saldo intocado, e anualmente dois cartões de débito, para cuja activação é necessário ligar para um número de telefone, o que por preguiça nunca fiz. Custo? Zero.

 

É por isso que esta notícia: "Até ao final de Maio os bancos já tinham devolvido 4,8 mil milhões de libras aos seus clientes" - não podia ser de uma história passada entre nós. Os bancos a operar em Portugal competem entre si para inventar maneiras de extorquir dinheiro aos clientes singulares e às empresas sob os mais diversos pretextos. Parece que chamam a isso marketing, concorrência e não sei quê.

 

Apesar disso, alguns têm prejuízos e de todos se suspeita que os balanços devem estar entupidos de imóveis que davam para alojar todos os habitantes da ex-possessão de Macau.

 

É justo: durante anos a fio foi mais fácil encontrar financiamento para um empregado comprar uma casa, e o patrão dele um Bentley, do que para fazer um investimento produtivo sério, salvo se fosse para uma empresa pública ou uma fantasia modernaça qualquer à sombra do Estado, tipo TGV para ir à Calle Serrano num repente ou Magalhães para jogar Free Cell, ou lá o que é que os putos jogam.

 

As luminárias que então presidiam aos destinos dos bancos não só eram entusiastas da adesão ao Euro que permitiu e incentivou este estado de coisas como continuam alegremente a somar inépcia à estupidez: se o mercado que dizem existir funcionasse boa parte dos bancos ou tinha fechado ou mudava de mãos, donde concluem que o mercado está enganado. E eles, mais a nominal superintendência deles, tinham razão então e têm razão agora, quando foram de um extremo ao outro - dantes toma lá dinheiro mesmo que seja para consumires ou comprares a casa que não sabes se vais poder pagar, ou ainda para encher os montes de corrupios, e agora não te empresto nada mesmo que seja para investires.

 

As empresas sobreviventes habituar-se-ão a viver sem bancos - que remédio. E daqui a dez, ou vinte, anos, virá de novo o assédio dos homens da gestão prudencial, na feliz expressão desse engenheiro da banca, do Euro, e da carreira dele, que é o Vice-Presidente do BCE, para que as empresas e as famílias se endividem, porque sem volume de negócios não há resultados e sem resultados os prémios de gestão da banca, em vez de subirem à mesosfera, ficam-se pela estratosfera - uma grande maçada.

 

"Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície."

 

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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
por José Meireles Graça

Em princípio, o que quer que diga qualquer responsável de topo que seja oriundo do sector bancário, ou a ele ligado, hoje, não merece confiança.

 

É verdade que não são os bancos privados que definem a política monetária e de crédito; que a inexistência de supervisão, entre nós e no exterior, não é da responsabilidade dos próprios bancos, que naturalmente procuram influenciar os poderes públicos; que a promiscuidade entre reguladores e regulados (o regulador é oriundo muitas vezes do sector que vai regular, sob pretexto que é necessária experiência, e a ele regressa, sob pretexto que não se lhe pode desperdiçar a putativa competência técnica) resulta da fraqueza, interesse, venalidade ou pura ingenuidade de quem decide.


Mas a recente crise veio pôr a nu que os gestores bancários de topo, por muito albardados de prestígio académico, mesmo quando o têm sem ser comprado pelos consultores de imagem, são genuína e irremediavelmente incompetentes, quando não desonestos: uma empresa (é o que os bancos são, embora sejam designados por "instituições") existe para dar lucros e continuar a dá-los - não existe para privilegiar os lucros no curto prazo de tal modo que crie as condições para falir.


Sucede que criar as condições para falir foi precisamente o que muitos bancos fizeram com o delírio do crédito demencial à habitação, ao consumo e aos Estados de contas duvidosas.


Entre nós, o relacionamento entre os bancos e as empresas chegou a ser, e continua, caricato: não há muito tempo, era mais fácil arranjar crédito para adquirir um topo de gama (a expressão consagrada por invejosos para designar automóveis que não sejam utilitários) do que uma máquina; e o mesmo banco que perseguia os empregados das empresas para lhes oferecer crédito, a golpes de publicidade com frequência enganosa, não o dava a quem pagava aos empregados.


Agora, quando é já pacífico que é do sector de bens transacionáveis que pode vir a solução para os nossos problemas (como, aliás, nunca deixou de ser), é preciso andar muito distraído para ignorar que o dinheiro não chega às empresas: não chega o dinheiro dos bancos, porque estes estão ocupados a, com dinheiro público, reconstituir o que não deviam ter escavacado e a financiar quem não deveria ser financiado; não chega o que o Estado lhes deve porque o Estado não o tem - está ocupado a aumentar os impostos para sustentar o monstro que deixou se criasse e arrasta os pés para emagrecer; e não chega sequer o que pertence às próprias empresas porque as promessas de melhoria do sistema de extorsão fiscal que designamos por IVA não passaram das boas intenções.


Há mais e pior: o desempregado que deixou de pagar o apartamento que era "seu" e por isso fica sem ele, nem assim fica desobrigado da dívida, se o banco o vender por preço inferior ao remanescente dela; e a empresa, ainda que exportadora, ainda que demonstradamente viável, é obrigada a pagar juros mafiosos em caso de incumprimentos, justificados embora.


Não sou, tecnicamente, um liberal puro. Mas há dias em que aos genuínos liberais concedo isto: o instituto falimentar garante que o tecido empresarial fica mais eficiente pela punição do falhanço e do erro, separando o trigo do joio; os  bancos não podem falir; o que temos é joio.


O Banco de Portugal devia banquear, mas baqueia - é joio também. E estamos nisto.

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Domingo, 25 de Março de 2012
por José Meireles Graça

É hoje relativamente pacífico que o Euro, enquanto os emprestadores viveram na ilusão de que as dívidas externas dos países que a ele aderiram não tinham importância, permitiu que a economia portuguesa se financiasse, fosse para investimento público, privado ou ainda para consumo, a taxas irrealistas.


Daí os delírios do investimento público não reprodutivo, do endividamento de empresas e famílias, do crescimento baseado no consumo de bens importados e da expansão do Estado Social sem economia que o suportasse.


Todos os problemas que a economia portuguesa enfrenta decorreram de escolhas políticas. E esta verdade triste fica reforçada pelo facto de um demagogo dinâmico,  convincente e trafulha como Sócrates, acolitado por um colégio de economistas mentecaptos da lamentável escola Constâncio, ter beneficiado de legitimidade democrática reiterada.


É assim - o Povo pouco entende de economia, nem se espera que entenda, e os economistas também não, embora se imagine que sim.


A Deusa Economia, com tempo, acerta todas as contas, indiferente aos sacerdotes que, em nome dela, têm êxtases e visões. E que muitos fiéis sejam triturados no processo está na ordem natural das coisas.


Estamos nessa fase - do acerto e da trituração: afinal consumir não é boa ideia, importar ainda menos, e a palavra de ordem é pagar os calotes dê por onde der.


Mas isto é o País e os malditos diabos estrangeiros. Entre nós, e com os burocratas e plutocratas locais, conviria que os penitentes (porque votaram escolhendo miragens) não fossem ademais vítimas de uma banca incrivelmente cúpida, estúpida e mal gerida, com a chancela e a conivência do organismo público cuja missão é, entre outras, a de evitar abusos.


É que os dicionários definem usura ou agiotagem como o delito cometido por quem empresta dinheiro, cobrando taxa excessiva de juros. E não há outra maneira de classificar isto: Cartões de Crédito, Linhas de Crédito, Contas Correntes Bancárias e Facilidades de Descoberto - 36,5%.


Estas taxas são mafiosas. E não deixam de o ser se defendidas por sábias explicações académicas, fatos de riscas, vozes graves e prestígio de pacotilha.


Que a nomenclatura europeia, com a característica estupidez das burocracias privilegiadas, sofra de cegueira contumaz e crie as condições para a sua própria extinção, a prazo, é da ordem das inevitabilidades e, para mim, uma feliz perspectiva; que entre nós e connosco, o roubo seja coonestado por quem tem obrigação de o prevenir releva do domínio do incompreensível.


Ou talvez não.


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Quinta-feira, 15 de Março de 2012
por José Meireles Graça

António e Laura contraíram há dez anos um empréstimo para a compra de um apartamento, cuja prestação cabia perfeitamente dentro do orçamento familiar, porque ambos estavam empregados, aliás numa sólida empresa onde eram estimados.

A empresa não resistiu à crise - faliu.

Vão ficar sem a casa. E o banco vai pô-la à venda num mercado entretanto deprimido, a um preço que não chega para cobrir integralmente o remanescente da dívida.

Parece que, mesmo assim, António e Laura não se livram: se e quando voltarem a ter emprego, a dívida e os juros respectivos estarão à espera deles.

Parece que há quem (incluindo o legislador e o Banco de Portugal) ache isto bem: contratos são contratos, quem não cumpriu foram eles, a garantia real é subsidiária, etc. etc.

Alteração das circunstâncias? Risco do prestamista? Nicles.

Um banco a correr riscos, como está abundantemente demonstrado entre nós (salvo pelo insignificante BPP, que de toda a maneira era um desprezível banco de "ricos") é uma contradição nos termos: quem corre os riscos somos nós, contribuintes. Os accionistas também, coitados, via desvalorização dos títulos. Agora, gestores não, mesmo que o Estado lhes cubra as asneiras do passado e lhes garanta que as podem continuar a fazer no futuro, logo que a oportunidade surja, e lhes permita no entretanto serem obscenamente gratificados pela competência que evidentemente não têm nem tiveram.

E ao António e à Laura mais lhes vale trabalharem no mercado negro, se conseguirem: é que, se não fosse assim, isso poderia "tornar o crédito à habitação ainda mais oneroso para o cliente".

Não se está mesmo a ver a lógica cristalina? Eu estou.

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Terça-feira, 6 de Março de 2012
por José Meireles Graça

Às vezes tropeça-se num texto e diz-se: É isto!


De certo modo é uma chatice: se o que queríamos dizer já foi dito antes, e melhor, então a gente anda a fazer aqui exactamente o quê?


Ao menos, ao menos, acrescento por minha conta que a propriedade pública de bancos não deixou boa memória, nem o único banco público que existe se tem distinguido recentemente quer pela lucidez da gestão quer pelos resultados - alguma coisa teria que ser feita para nos pôr ao abrigo de aventureiros, incompetentes e malfeitores.

 

Ah, e a Lei nº 2105, de 6 de Junho de 1960, bem podia servir de inspiração para a maneira correcta de tratar os gestores da banca. E como o nosso País deixou de ser independente e o Banco de Portugal não emite moeda, é claro que o apoio do BCE deveria, para este efeito, ser considerado equivalente a apoio do Estado Português.

 

Não vai suceder - nem me dou ao trabalho de explicar porquê.

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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
por jfd

* basta fazer click!

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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

No DN de ontem: Banqueiros querem limitar estes ganhos. Se acções recuperarem para as cotações de há um ano, lucros triplicam

 

É um cenário que os banqueiros querem evitar a todo o custo. Caso o Estado entre na estrutura accionista das instituições, poderá comprar barato para vender depois mais caro, aproveitando o actual preço muito baixo das acções.

 

Basta que os bancos regressem aos valores de há um ano (já em tempo de crise) para que a sua cotação mais do que triplique, o que significaria um lucro para o Estado. Por isso, os bancos querem definir um preço de recompra.

 

Paul Krugman tem criticado com grande frequência a possibilidade de os bancos, quando ganham, guardarem para si os lucros enquanto que, quando perdem, conseguirem ter as suas perdas socializadas por um país inteiro. Esta possibilidade é claramente injusta e Krugman tem razão ao criticá-la. A justiça exige que os Estados sejam compensados pelas perdas e os riscos decorrentes da nacionalização de bancos falidos. Uma forma de obter tal compensação é, por exemplo, permitir aos Estados obter ganhos de capital nas instituições socorridas.

 

Se o dinheiro do Estado - isto é, dos contribuintes - é bom para salvar bancos, também tem de ser bom como forma de investimento. A única maneira de dignificar o dinheiro dos contribuintes utilizado para acudir a bancos privados mal geridos, corruptos, criminosos ou, simplesmente, azarados é remeter para o erário do Estado - isto é, de todos nós - os ganhos de capital realizados. Isto se o dinheiro investido vier a gerar lucro, o que lamentavelmente não é sempre o caso (basta pensar no BPN).


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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
por jfd

O Presidente da República confessa, à Bloomberg, que Portugal está comprometido com metas definidas na ajuda internacional, mas diz que as exigências para os bancos deviam ser menores.(...)


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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Excepções há muitas e muito recomendáveis, basta sair da órbita das hierarquias do costume e da "boa Europa" vs. "má Europa". Excepções à parte, o que mais se vê é isto:

 

A crise, iniciada nos Estados Unidos da América, pôs a descoberto as fragilidades dos países europeus. Entre elas, dois falhanços: o do "welfare state", baseado numa demografia pujante mas que não se aguentou e numa expansão económica que foi se abrandando pelos vícios do próprio Estado social. Os vícios foram, principalmente, dois: desincentivos generalizados ao estudo, trabalho, investimento e poupança; má despesa pública, isto é, projectos de larga escala com rentabilidade nula ou negativa.

 

O outro grande falhanço europeu: a supervisão bancária. Ainda antes da descolagem do euro que já se popularizava, entre outras, a historieta de que, com a moeda única, os bancos centrais pouco mais seriam que gabinetes de investigação. O que a actual crise vem demonstrar é que o euro, na verdade, deveria ter implicado uma responsabilidade acrescida na tarefa de vigilância da banca, da economia e do sistema financeiro.


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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011
por jfd

Agora sim, isto vai dar a volta! Yes!

 

(...)chegou a altura de a banca portuguesa devolver o esforço à economia  e aos portugueses que os portugueses e o Estado fizeram quando a banca portuguesa  há dois anos precisou desse apoio(...)

 

(...)os bancos têm que ter um sentido de responsabilidade social e perceber  que têm que colocar à disposição das empresas portuguesas mais crédito(...)

 

 


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