Domingo, 16 de Setembro de 2012
por Alexandre Guerra

Quando em 2003 foi dado como concluído o Projecto do Genoma Humano (PGH), dois anos antes do que estava previsto, os cientistas tinham acabado de vencer uma importante etapa no campo da investigação genética e na área das novas biotecnologias, num percurso iniciado no século XIX. Mas, concomitantemente acentuaram-se dilemas morais e éticos, que já vinham acompanhando a evolução do processo científico que, particularmente nesta matéria, sofreu um forte impulso no início da década de 70 do século XX, para mais tarde, nos anos 80, assistir a uma “louvada revolução biotecnológica”. 

Estas descobertas foram sendo desbravadas em diferentes áreas das “novas tecnologias genéticas”, nomeadamente nas células estaminais adultas e células estaminais embrionárias. Da reprodução de órgãos geneticamente iguais à possível criação de um “super-homem”, a sociedade encontra-se hoje perante um novo mundo de possibilidades que poderão vir a contribuir para a melhoria do bem estar e da qualdiade de vida das pessoas.

Tal como o passado já demonstrou, a comunidade científica parece caminhar para a inevitabilidade da descoberta. A investigação em células estaminais adultas e células estaminais embrionárias (estas mais ricas devido às suas características únicas que lhes permitem transformar-se em outros tipos de células – “blood cells”, "neural cells”, “muscle cells”) assume particular importância no campo da genética, uma vez que poderá ser a porta de entrada para uma sociedade perto da utopia, onde, segundo alguns, os malefícios que hoje assombram o Homem se tornariam coisa do passado.

Certos cientistas não têm dúvidas ao afirmar que o uso de células estaminais poderá vir a curar doenças congénitas e degenerativas. Em termos mais amplos, a utilização das células estaminais poderá funcionar como uma espécie de “kit de reparação” do corpo humano. Teoricamente, será possível usar as células estaminais para “(re)criar vida”, mais concretamente tecidos vivos e totalmente compatíveis com o eventual receptor.

Quando Francis Fukuyama falou no “fim da História”, apropriando-se de uma concepção determinista, admitiu mais tarde que a génese da destruição da sua tese se encontrava precisamente nas novas biotecnologias. A possibilidade de um “outro eu”, produto do Homem e não do livre arbítrio, faria emergir um mundo pós-humano, dando-se, assim, início a uma nova História.

E essa "nova História" pode ser de esperança para a Humanidade. É certo que nos dias que correm o pessimismo parece ter invadido as sociedades ocidentais, muitas vezes esquecendo-se do que foi alcançado de positivo nas últimas décadas, sobretudo na Europa. Mas, contra tudo aquilo que se vai escrevendo e ouvindo por estes dias, notícias como esta do New York Times ou esta da BBC News só podem alimentar esperanças para uma "nova História".


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