Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Se fosse convidado pela Caritas a pronunciar-me sobre o problema do cancro da próstata, confessar-me-ia preocupado com a incidência do fenómeno, não porque acredite que o problema tem sido descurado, mas por defender que não deve ser objecto de descaso.

 

Isto sem esconder que esta é uma matéria para o plano médico, não para mim que estou mais virado para fabricar frigoríficos, ainda que não deixe de avisar que se o problema não for encarado fica por resolver.

 

Adiantaria ainda que, sem prejuízo do que antecede, o assunto em apreço me lança num estado de grande aflição, pelo que defendo mecanismos que mitiguem o impacto do processo de tratamento.

 

Para mim, é evidente que há pessoas, umas mais velhas e outras nem tanto, que vão sofrer um tratamento radical sem retorno, o que obriga à criação de condições para que possam retornar.

 

E, dever cumprido, creio que mereceria o aplauso de quem, com a atenção que mereço, me estivesse a ouvir.

 

Isto diria eu, se ganhasse a vida a dizer coisas.


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Quinta-feira, 14 de Março de 2013
por José Meireles Graça

- Sr. Fulano, o que são shrimps?

 

- São camarões, porquê?

 

- Porque táqui um mail do xxxxx que quer saber se temos um móvel próprio para expôr isso.

 

- Ah, e não respondeste, então?

 

- Não, o Sr. sabe perfeitamente que me falham algumas coisas em Inglês.

 

- Tou a ver. És correspondente de línguas estrangeiras mas falham-te algumas coisas. Fazes-me lembrar este.

 

- Isso queria eu. Que não falo pelos cotovelos, vou fazendo alguma coisa e não ganho fortunas.

 

- Deixa lá. Mas também não cais no ridículo.


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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
por José Meireles Graça

O Governador do Banco de Portugal diz, com inusitada frequência, coisas. E valem a pena porque são, quase sempre, extraordinárias.


Vejamos a eructação mais recente: Há "evidência" de dificuldades de acesso de crédito por parte das empresas, mas acrescenta que neste momento a instituição ainda está a tentar perceber "o que se passa".


Também gostava de saber o que se passa na cabeça do Dr. Costa, porque o que se passa nas empresas não é difícil de perceber. Se eu constatasse a "evidência" de um problema tão grave como a falta de financiamento às empresas e tivesse a obrigação de o resolver, convocava os senhores dirigentes dos bancos e perguntava-lhes porque não emprestam; depois confirmava as informações e esclarecia-me das dúvidas; finalmente, tomava medidas, se tivesse competência para as tomar, ou propunha-as a quem de direito. O que não vinha era para a praça pública confessar ignorância e revelar impotência.


Mas, magnânimo, dou umas dicas: imagine, Dr. Costa, que o Estado não paga o que deve, por exemplo no âmbito do IVA; e que uma empresa deixa, por causa disso, de pagar a um banco, dado que a alternativa é não pagar a um fornecedor que não dá crédito por causa do "risco País". E que o que o banco lhe debita pela mora, mediante o expediente de a considerar descoberto na conta DO, é, com autorização sua, Dr. Costa, 25 ou 27%. Não sei se está a ver o quadro - depois ainda é preciso produzir, e exportar, e dar crédito ao cliente - só estou a levantar uma pontinha do véu, que eu ganho mal pelo meu trabalho bem feito, enquanto o Amigo ganha bem pelo que faz mal ou nem faz de todo.


Mas a inutilidade palavrosa e a ignorância contumaz a gente atura - nenhum pequeno empresário exportador espera realmente que um membro da elite dirigente da coisa pública, ou da Academia, a começar pelo Presidente da República, passando pelo Ministro das Finanças, dezassete catedráticos de Economia e acabando no adjunto do adjunto da Secretaria de Estado da Reforma da Contabilidade Fortemente Informática, saiba realmente do que está a falar quando fala de pequenas empresas.


Mas já é mais difícil aturar frases como esta: "O problema é que há empresas financeiramente inviáveis que perturbam a análise dos agregados monetários e análise de crédito".


Ou seja, traduzindo: as empresas financeiramente viáveis são as que não necessitam de crédito à tesouraria; uma vez eliminadas passa a haver grande abundância de crédito, e Costa fica assim dispensado de esmiuçar a embrulhada. 


Costa, desculpa só ter para ti frases banais: Porqué no te callas?


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Sexta-feira, 2 de Março de 2012
por José Meireles Graça

As vedetas do music-hall e outros famosos gostam de aparecer e os jornalistas gostam que apareçam: os primeiros vendem mais, aos famosos por serem famosos abrem-se portas que de outro modo não se abririam, os jornalistas vendem o papel que lhes paga os ordenados, as donas de casa sonham com a vida que não têm, todos espreitam com gosto pelo buraco da fechadura das festas e dos escândalos, a economia gira e de tudo não vem grande mal ao mundo e virá algum bem.


Agora este Senhor abunda na comunicação social porquê?


É para nos inteirar dos seus dotes de vidente e tranquilizar-nos nas nossas inquietações? Não pode ser: a função está completamente desacreditada desde que o antecessor informou que, com a adesão ao Euro, o problema da dívida externa seria coisa do passado.


É para emprestar o prestígio e independência da instituição às decisões do Governo? Fora mister que tal prestígio existisse, mas nenhum banco central em parte alguma, muito menos entre nós, deixou e deixa de andar a reboque das situações, isto quando, nos melhores casos, não é ele próprio que contribui para os problemas. E a independência tem justificado regimes salariais e de aposentação excepcionais, mas pouco mais, agora que a Rua do Comércio, nº 148, fica em Francoforte.


É para preparar uma carreira política? Não deve ser: o Dr. Carlos Costa tem tanto carisma como um pau de sabão, e de economistas com cabelos brancos e suficiência na banalidade do pensamento económico há uma pletora.


Ah, será para reunir com personalidades de consequência e informá-las de matérias relevantíssimas para o seu interesse delas. Mas, se for isso, a plateia ficou menos que passavelmente convencida.


Às vezes há quem não fique tolhido pelo temor reverencial e diga que o rei vai nu.


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