Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
por Rodrigo Saraiva

Eu não sou de intrigas, mas parece que a CGTP (ou será o PCP?) quer fazer esquecer rapidamente Carvalho da Silva.


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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
por Pedro Correia

 

Há oito anos, escrevi no Diário de Notícias que Arménio Carlos seria o sucessor de Manuel Carvalho da Silva na CGTP. Lembro-me de que na altura não foi fácil encontrar fotografia do obscuro coordenador da União dos Sindicatos de Lisboa, então totalmente desconhecido da opinião pública. Sabia-se, isso sim, que a cúpula comunista estava irritada com as contínuas fugas à ortodoxia de Carvalho da Silva e pretendia substituí-lo por um homem aparentemente mais duro mas afinal muito mais dócil no cumprimento das directivas partidárias. Por um motivo fácil de explicar: a CGTP é o mais poderoso instrumento de acção estratégica do Partido Comunista, que após ter perdido os seus bastiões operários e autárquicos recuou com a tenacidade de sempre -- um passo atrás, dois passos à frente, recomendava Lenine -- para o seu derradeiro reduto, o do sindicalismo nas áreas da administração pública e das empresas públicas, designadamente na área dos transportes. Quanto mais Estado, tanto mais a CGTP se robustece. E quem diz CGTP diz PCP. Não faz qualquer sentido a actual correlação de forças -- firmada durante os anos do "processo revolucionário" -- na cúpula da central sindical onde os comunistas estão em larga maioria, remetendo independentes, socialistas, católicos e bloquistas para posições minoritárias. Algo sem paralelo na sociedade portuguesa.

Essa foi talvez a cacha mais fácil da minha carreira jornalística, à semelhança de outra -- que escrevi com meses de antecedência -- em que garantia, também no DN, que Jerónimo de Sousa seria o sucessor de Carlos Carvalhas como secretário-geral dos comunistas. Porque não há nada mais previsível do que o ritmo "lento" e "vertical" -- sem qualquer traço revolucionário -- em que ocorre o processo de tomada de decisão no PCP. E se a ascensão de Arménio Carlos acabou por ficar quase uma década no congelador isso deveu-se apenas à fortíssima popularidade de Carvalho da Silva na sociedade portuguesa, alcançada não por causa da sua ligação enquanto militante de base aos comunistas mas apesar dela.

 

Virada a página, reforça-se a ligação orgânica da central ao partido com a promoção a dirigente máximo de um membro (desde 1988) do Comité Central do PCP, vinculado às rígidas normas de disciplina interna impostas pelo "centralismo democrático". Esta subordinação -- que Carvalho da Silva nunca aceitou na integridade -- torna agora mais nítido o controlo comunista da CGTP, onde o direito de tendência é rigorosamente interdito e as "minorias" (largamente maioritárias na sociedade) servem apenas para conferir um vago verniz pluralista a uma organização que o PCP passa a tutelar de forma ainda mais inflexível.

Era isto que eu gostaria de ter visto dissecado e debatido nos dias que precederam a entronização de Arménio Carlos, o homem que se prepara para duplicar sem deslizes o discurso sindical de Jerónimo de Sousa em todos os telejornais, tal como o PEV duplica a retórica comunista na frente parlamentar. Mas isso seria talvez exigir demasiado de um certo jornalismo e de uma certa "opinião" que se esgotam na poeira do instantâneo sem repararem no essencial.

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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
por João Gomes de Almeida

 

Carvalho da Silva esteve 25 anos à frente da CGTP. Durante todo esse tempo nunca esconderam a militância comunista, embora tenha dado ocasionalmente umas fugidas rápidas com o PS e o BE - dizem que eram acções de charme para preparar uma hipotética candidatura a Belém. Eu sou daqueles que acredito que será mesmo candidato e que poderá ter um resultado surpreendente. Infelizmente.

 

Arménio Carlos foi "eleito" esta madrugada líder da CGTP. Dizem que é um militante comunista ortodoxo - facto que levou a tendência socialista e a tendência católica da central sindical a absterem-se da votação. É triste pensar como o partido comunista ainda se aproveita dos sindicatos, comissões de utentes, associações de estudantes e outros movimentos que deviam pertencer à sociedade civil, paras os canibalizar e poder trazer para a rua a discussão partidária.

 

Vejam este e este exemplos dados pelo Rodrigo Moita de Deus. É nojento. E digo mais, equanto o PCP controlar estas estruturas, nenhum governo deveria negociar com estes sindicatos, visto que não representam os trabalhadores, mas sim o comité central de um partido.


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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
por jfd

Pois é. Dizem que representam os trabalhadores. Aqueles que têm sido despedidos. Aqueles que têm sofrido. Os precários. 

E ainda aqueles que têm trabalho para a vida. Que sobem na carreira sem parar, mesmo sendo sindicalistas desde o primeiro ano de trabalho. Aqueles que têm regalias que a maior parte dos trabalhadores nem sonha. Aqueles que a seu bel prazer paralisam cidades e prejudicam quem quer trabalhar. Aqueles que querem o que sempre foi, sem olhar ao que agora é.

São assim os nossos sindicatos. Essas instituições da Democracia que tão bem têm evoluído e acompanhado os tempos e que têm crescido. Essas instituições da Democracia que em hindsight têm tanto de positivo a apresentar a quem representam. Fossem cotadas em bolsa estariam nos píncaros das suas cotações com recomendações de compra ou pelo menos de manter.

 

Eis que estala o verniz entre as duas mais altas e altruístas representações destes pináculos democráticos da nação.

E que bonito é ver que é sempre e sempre será tudo sobre os trabalhadores e nada, nunca, sobre quem as encabeça. Doce democracia!

 

 

(...) A central sindical liderada por Carvalho da Silva vai mesmo avançar com um processo-crime contra o secretário-geral da UGT, alegando que as declarações de João Proença - a denunciar ter sido pressionado por altos quadros da CGTP para assinar o acordo de concertação social - são "injuriosas e difamatórias" (...)

 

Parafraseando um caro amigo ontem nas redes Sociais, uns são pela concertação social, outros pela contestação...

sinto-me:

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