Sábado, 15 de Setembro de 2012
por Joana Nave

Estou nos preparativos finais para ir para um casamento e, como tal, lembrei-me de divagar um pouco sobre este tema. O casamento significa união entre duas pessoas e pressupõe uma relação de intimidade. Para a sociedade civil o casamento é visto como um simples contrato, para a Igreja uma união sagrada com o objectivo da procriação. Para mim o casamento é de facto uma união entre duas pessoas, que assumem um compromisso de se amarem e respeitarem incondicionalmente. Sou uma romântica? Talvez. Mas o que importa é o que faz sentido para cada um de nós.

Antigamente os casamentos eram combinados entre os pais, discutiam-se os dotes, as meninas tinham de casar muito jovens, por vezes com homens muito mais velhos, e a virgindade era uma condição obrigatória. Nalguns países subdesenvolvidos e com tradições muito fortes ainda subsistem estas práticas. O casamento fazia com que tanto homens como mulheres se entregassem a um contrato vitalício onde não existia amor. Quantos corações foram despedaçados por não poderem estar com a sua amada ou o seu amado.

Hoje em dia, na maioria dos países desenvolvidos, as pessoas são livres de casar, não casar e até de casar com pessoas do mesmo sexo. A liberalização dos divórcios conduziu à propagação dos mesmos, assente na premissa da sua fácil dissolução.

O que está aqui em causa é a motivação que cada um de nós tem para contrair matrimónio à luz da sociedade em que vivemos. Não sou casada e estou naquela idade em que as pessoas começam a olhar para mim com desconfiança, pensando se não serei uma dessas mulheres egoístas, focadas na carreira, que não querem ter um marido ou filhos atrelados. A verdade é que os tempos mudaram e aos meus pais nunca passaria pela cabeça arranjarem-me um noivo. Eu muito menos estaria disposta a uma relação de submissão e entrega sem amor.

A maioria dos jovens inicia a sua vida sexual muito cedo acabando por banalizá-la, são raras as pessoas que ainda sonham em perder a virgindade com o casamento. E afinal, que mal há nisso? Ninguém disse que há fórmulas perfeitas, que ter apenas um namorado ou namorada na faculdade e depois casar e ter filhos é o expoente máximo da felicidade. Quantas pessoas sentem ao fim de alguns anos que deviam ter aproveitado mais a juventude, para que o casamento surgisse naturalmente numa fase em que estavam mais tranquilas.

Eu norteio a minha vida por objectivos e sinto que o caminho que fiz até agora foi não só o que escolhi mas também o mais certo para mim. Aproveitei a juventude, terminei a minha licenciatura, comecei a trabalhar e tenho procurado encontrar realização nas coisas que fazem sentido para mim, na minha família, nos meus amigos e nos meus vários interesses. Sou quem sou por tudo o que vivi e orgulho-me de todos os dias, mesmo daqueles em que não gostei assim tanto de mim mesma. Então e o amor? O amor há-de surgir quando tiver de ser. Eu dou amor a todas as pessoas que se cruzam no meu caminho, um amor desinteressado e espiritual. Sei que as relações são complicadas, as pessoas nem sempre estão no mesmo nível de entendimento e nem sempre querem as mesmas coisas, por isso é importante não desistir, ir tentando encontrar o sapatinho que encaixa no nosso pé. Não tem mal nenhum namorar, viver junto ou ter intimidade, porque são essas coisas que revelam se a relação resulta ou não.

Eu, apesar de tudo, acredito no casamento, acredito que todos temos qualidades e defeitos, que uma relação a dois e depois com filhos é complexa mas ao mesmo tempo um enorme desafio, e se eu gosto de desafios. Por isso, um dia vou querer um anel de noivado, um casamento e uma lua-de-mel. E vou querer que o meu amor floresça e dê frutos mas, se assim não tiver de ser, aceitarei o meu destino, porque tudo está bem quando vivemos com amor.


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