Sexta-feira, 27 de Julho de 2012
por Carlos Faria

Já fui sinistrado de uma catástrofe natural e como tal compreendo a dor das vítimas em muitos dos acontecimentos que se passam em Portugal e  sei qual é a sensação da necessidade de socorro a curto prazo.

Mas muitos dos efeitos de catástrofes, naturais ou não, podem ser mitigados e prevenidos à priori, tal como existem mecanismos de minimização das consequências e ainda sistemas de seguros para muitos dos riscos a que estamos sujeitos, embora nestes nem tudo seja aceite ser coberto ou previsto, pois há situações imponderáveis e imprevisíveis difíceis de controlar.

Contudo, a comunicação social neste País deixa passar uma imagem onde é normal que seja o Estado a ter de remediar e de compensar tudo a todos quando algo de mal lhes acontece e ainda consegue criar a sensação que, por princípio, deve ser mesmo assim.

Deste modo, sem incluir nesta reflexão o papel da proteção civil, parece que todas as vítimas de inundações (mesmo que teimosamente tenham construído as casas nos caudais de cheia em desrespeito às cartas de riscos disponíveis), de incêndios (mesmo que cercadas por floresta e sem preocupação de efetuar a limpeza dessas matas ou criar um perímetro de segurança), de intempéries ou outras catástrofes para as quais é possível tecnicamente diminuir o perigo ou cobrir os riscos com seguros, é exigido através dos OCS que o Estado lhes cubra os prejuízos que por opção não colocaram no seguro, nem se precaveram.

É verdade que o Estado deve assegurar e intervir em prol do bem estar de todos, inclusive nos acidentes, mas há muitos mais atores que deveriam também estar no sistema, reservando-se os dinheiros públicos principalmente para os imponderáveis difíceis de cobrir por outra via. Contudo, a democracia alimentou nas pessoas a tal extremo a ideia do Estado Providência que lhes modelou o comportamento e estas, naturalmente, reagem como se os dinheiros públicos fossem um reserva ilimitada para cobrir tudo.


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