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Forte Apache

Perspectivas & realidades

Pedro Correia, 24.01.13

«A verdade é que o défice, sendo inferior a 5%, face às previsões que eu própria disse aqui, que estava à espera de um défice real de 6%, sabe-se agora que se ficará pelos 5%...»

Constança Cunha e Sá, TVI 24

 

«Eu, que escrevi várias vezes que seria quase impossível que Portugal regressasse aos mercados em 2013, reconheço sem qualquer problema que com estas regras Portugal está em condições de o fazer. Mais relevante, a estratégia negocial de Vítor Gaspar foi a correcta, sobretudo nos prazos em que jogou as suas cartas.»

Ricardo Costa, Expresso on line

Importa-se de repetir? (XXII)

Sérgio Azevedo, 05.01.13

Manuela Ferreira Leite que, entre outras coisas, foi a responsável pelo maior aumento da carga fiscal numa situação fora de "crise", diz hoje no Expresso que o défice de 3%, de resto inscrito no pacto de Estabilidade e Crescimento, não pode ser considerado "senhor absoluto". Uma opinião interessante para quem em 2008 defendeu a suspensão da democracia por seis meses para se "pôr tudo na ordem".

A cara de pau

José Meireles Graça, 15.12.12

Sobre a redução do IRC para 10%, quando haja investimentos novos, disse há tempos, com a lucidez que me reconheço:

 

"A medida, a mim, embaraça-me: porque não vejo por que razão um investimento de cinco milhões é melhor do que cinco de um milhão cada; porque diabo três ou cinco estariam bem mas já não dois; e ainda porque qualquer medida que fira a igualdade de tratamento fiscal das empresas abre a porta a uma quantidade de distorções".

 

Por esta notícia ficamos a saber que a UE acha que a redução do IRC apenas para certas empresas em certas circunstâncias fere o princípio da livre concorrência; e que a redução para todas as empresas não a quer encarar o Governo - por temer uma queda de receita.

 

Mas o nosso País precisa desesperadamente de investimento, sem o qual o crescimento fica comprometido. E é da natureza do investimento (tipicamente se for privado, atipicamente se for público) produzir retorno. Não é assim absurdo pensar que a redução universal da taxa de imposto implicaria uma quebra de receita no imediato e um aumento no futuro, mesmo que a redução não viesse para os 10% mas para algo mais palatável para o Estado.

 

Seria preciso aceitar um aumento do défice, claro. Mas, sejamos francos: houve algum drama com as derrapagens já verificadas? Por outro lado, talvez não convenha imaginar que os credores são ainda mais estúpidos do que parecem: o Governo arrasta os pés para cortar no que deve e foi lesto a aumentar o que não devia. Fazer ao contrário, nesta maré, não parece um risco mal calculado.

 

E depois, por uma vez, a UE tem razão: as taxas diferenciadas ferem o princípio da livre concorrência. Pois então não deve ser excessivamente difícil tomá-los à letra. Afinal, os bons alunos às vezes também têm cara de pau.

O progresso da nossa economia mista

André Miguel, 09.12.12

"Economia subterrânea e paralela é 25% do PIB português"

 

Um quarto, nada mais nada menos.

Quando as empresas privadas têm prejuízos fecham as portas, quando as empresas públicas têm prejuízos o Estado aumenta impostos, sugados aos primeiros e contra os quais concorre, para cobrir o desvario.

Quando se pagam impostos sem retorno é isto que acontece. Quando se pagam impostos para cobrir as asneiras de quem conduziu um país à falência é isto que acontece.

Qualquer imposto é um desincentivo ao trabalho e ao consumo. Quando o Estado fica com parte dos lucros de uma empresa está indirectamente a deter uma participação nessa empresa. Privadas? Pois... Quando o Estado fica com uma parte dos rendimentos do trabalhador está a confiscar parte do valor do seu trabalho, sendo aquele que sobra taxado novamente aquando do consumo. Não devem por isso existir impostos? Claro que devem, mas dentro de valores o mais baixo possível, caso contrário é isto que acontece.

E isto acontece porque a Economia e os Mercados são como a água: procuram sempre o caminho mais fácil e encontram sempre uma saída por muitos diques que lhes coloquem à frente. Se queremos alterar esta percentagem só há dois caminhos: ou se constrói definitivamente a barragem e o sacrossanto Estado fica com toda a economia e nos tornamos na Cuba da Europa ou deixamos definitivamente a água seguir o seu curso até chegar ao moinho de cada um. "Mistos" é que não podemos continuar a ser, ou somos carne ou somos peixe. Acredito que abraçaremos a segunda opção e que estamos a trabalhar para isso, mas quatro décadas de desvario socialista não se apagam de um dia para o outro. A cura dói e vai continuar a doer.

Na falta de Euros haja lata

André Miguel, 15.10.12

Na falta de Euros, mas principalmente de memória e bom senso, há espaço muitos bitaites, opiniões e tudo o mais, vai daí e alguém, que certamente nada tem a ver com o estado a que o Estado chegou, alerta que a "austeridade rebenta com o país".

 

Ora pensava eu que fora a dívida descontrolada que originou um défice que rebentou com isto tudo, défice esse além do qual haveria vida. Só não explicaram que vida seria essa... Há coisas fantásticas, não há?

Media bias

Alexandre Poço, 02.10.12

Media bias. Conhecem a expressão? Traduzindo literalmente significa a “parcialidade da imprensa”. Ora, esta expressão – bastante discutida no campo do jornalismo – é a mais acertada para descrever um género de jornalismo que tem sido feito nos últimos tempos em Portugal, a partir do momento em que a contestação ao governo aumentou.

 

Não é apenas a questão do relato emocionado, quase histérico, das manifestações, é também, algumas agendas em curso com objectivos muito claros. Vou apenas deixar esta breve nota, pois para bom entendedor, meia palavra basta: SIC e TVI não querem a privatização da RTP. Fez-se luz? Se não, amanhã às 20h recomendo que assistam ao telejornal, especialmente o do canal que segue o dois e precede o quatro. Estou certo que chegaremos às mesmas conclusões.

 

Como não quero “acusar” sem mostrar provas, vou utilizar dois pequenos exemplos para que vos possa elucidar sobre o media bias actual. Em seguida, estão duas notícias da passada sexta-feira, dia 28 de Setembro (sim, do mesmo dia): “Défice externo diminui para um terço no primeiro semestre” e “Défice público foi de 6,8% na primeira metade do ano”. Fez-se alguma luz na cabeça, caro leitor?

 

Vamos desconstruir, então: Estamos perante duas notícias sobre défices (externo e público, respectivamente). A primeira notícia é uma boa notícia para o país e é positiva para o governo. A segunda notícia é uma má notícia para o país e é negativa para o governo, pois lembra que o ajuste do défice está a correr de forma mais lenta que o esperado pelo executivo. Até aqui estamos de acordo, certo?

 

Agora, vejamos a linguagem: a primeira notícia não diz o valor do défice externo no primeiro semestre do ano. Ao invés, através de uma rebuscada construção frásica, o jornalista optou, não pela exactidão e por transmitir a informação de forma clara, mas sim, por fazer um jogo de palavras, no qual o leitor médio não consegue aceder de forma directa à informação. Primeiro, o leitor precisa de pensar quanto é um terço e posteriormente, consegue saber que o défice está abaixo disso (não lhe é dado no título o valor exacto). Por que motivo terá o jornalista construído assim o título? Dá que pensar. Não seria mais fácil afirmar que o “défice externo foi de 2.2% do PIB no primeiro semestre” ou caso quisesse comparar com anos anteriores, afirmar que “o défice externo caiu 66% face a 2011”? Seria muito mais acessível para o leitor, não concordam?

 

Quanto à do défice público, a tal que vem “chatear” o governo, nada a acrescentar. Um título assertivo, conciso e que informa convenientemente o leitor, como deve ser sempre. Não é este título que me faz confusão, mas sim, o contraste tão grande entre um e outro, sem se perceber o motivo para que tal tenha sido feito. Bem, não me vou alongar mais. Media bias. Perceberam o conceito? Espero que sim.

Troika avulsa

Judite França, 03.09.12

1. O défice de 6,9% da UTAO não serve para discutir a derrapagem orçamental (são dados do primeiro semestre, que não levam em linha de conta, por exemplo, a poupança com subsídio de natal que funcionários públicos e pensionistas não vão receber). O valor estará próximo dos 6%; resta saber o que precisará o Governo de fazer para chegar aos «aliviados» 5,3%.

 

2. Ouvir a CGTP pedir à troika para revogar o código de Trabalho obriga-me a dizer duas coisas: ou Arménio Carlos está a ser irónico, ou não sabe que em Portugal a troika ainda não aprova ou revoga leis nacionais.

3. PS e PSD deveriam repetir as respetivas rentrées depois do dia 10 de setembro. Antes disso, os discursos do PM e líder de oposição têm necessariamente pouco interesse.

Como vem sendo habitual...

Alexandre Poço, 29.08.12

...notícias positivas sobre o estado das contas públicas do país surgem apenas de fora do país. Talvez seja a observação não participante de jornais como o Financial Times que os leva a destacar os "progressos" do país ao nível do reajustamento orçamental. A nossa sorte é que os hábitos de leitura dos mercados não passam pelo Público, mas sim pelo FT.