Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Uns moços deputados perguntaram quanto nos custam os sindicatos do sector da educação. Isto diz a notícia. E quase o mesmo diz este este post: "... quanto custam ao erário público os sindicatos da educação".

 

Na realidade, trata-se de sindicatos de professores. E este é o primeiro equívoco: educação e "professores" não é a mesma coisa, e os interesses dos professores não são os interesses do ensino. Os sindicatos representam legitimamente os interesses dos professores, mas o ensino - o que se ensina, onde, como, até que idade, por que preço, com que meios - é um assunto da comunidade, que é representada pelos seus eleitos. E esses são sobretudo, no nosso ordenamento, os deputados, por muito que sejam desprezados ou não se deem ao respeito.

 

Daí que a pergunta seja pertinentíssima, natural, e estranha apenas na medida em que uma tal informação deveria há muito estar disponível. Só por isto, são menosprezáveis as reacções descabeladas da Esquerda de todas as declinações, como insolente foi o comentário do apparatchick sindical Nogueira. É mais que certo que a pergunta não é inocente, isto é, que se enquadra no conflito que opõe o Governo aos sindicatos, e tem um lado mesquinho. E depois? Um governo sob ataque não se pode defender, expondo no tribunal da opinião pública os interesses de sindicalistas dependurados no Orçamento?

 

Mas, no post acima referido, a banal confusão entre ensino e professores, e entre professores e sindicatos, não é a única. Diz Daniel Oliveira: "...os professores que estão nos sindicatos recebem o seu ordenado e os sindicatos são pagos pelos associados". Como?! Se o Estado paga os salários aos sindicalistas que trabalham em exclusivo para os sindicatos, o que faz é subsidiar fortemente os próprios sindicatos, aliviando-os de custos salariais. Pode achar-se isto bem e pode achar-se isto mal, mas a nenhuma luz se aceitam redacções que escamoteiam o facto.

 

Depois continua, insinuando que porque o grupo dos deputados é oriundo, ou pertence, à JSD, deveria estar caladinho porque a JSD pertence ao PSD, e o PSD vive, como os outros partidos com representação parlamentar, de dinheiro público.

 

Esta coisa de os partidos viverem de dinheiro público é discutível. Mas Daniel, que defende "que os partidos políticos devem ser financiados pelo Estado", já não vê com bons olhos que o PSD gaste algum desse dinheiro com a JSD, um notório antro de malfeitores. Ou seja, dinheiro público está bem, mas só para maiores de idade; e os partidos podem receber o estipêndio, desde que não o gastem com juventudes.

 

"O que não suporto é ver quem desde a adolescência olha para a política como uma simples carreira a substituir o debate democrático sobre uma greve pela mais reles das demagogias", conclui Daniel, com aquela superioridade moral que é a marca d'água do discurso de esquerda.

 

Sim? Todos? Só os da JSD, ou também os da JS, ou da JCP, ou da JP? E o "debate democrático" é o quê? Uns a chamar "ladrões", "gatunos" e coisas piores a outros, e os outros a responderem "VV. Ex.ªs poderiam permitir que aventemos a hipótese, sem querer incomodar, da sombra de uma suspeita de haver no vosso seio carreiristas e oportunistas"?


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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013
por Alexandre Poço

Sobre o internamento de Mário Soares, Daniel Oliveira diz que "quem aproveita a hospitalização de um homem para o combate político, quem aproveita a fragilidade física de um adversário para o atacar, tem apenas um nome: é um cobarde". Não sei onde é que Daniel Oliveira criou este filme, provavelmente deve ter escrito o texto à hora dos Globos de Ouro e sentiu-se inspirado pela ficção que lhe chegava pela televisão. Ninguém se "aproveitou" da ida de Mário Soares a um hospital para fazer política, nem mesmo José Manuel Fernandes que também é citado no artigo de Daniel Oliveira. O que muita gente constatou é que Mário Soares, que tanto louva as virtudes dos serviços públicos e do Estado Social, na hora de escolher um sítio para recorrer a serviços de saúde, foi aos privados. Talvez o Estado Social seja melhor para os outros. É claro que o Pai do regime está no seu livre direito de ser tratado onde quer. E honestamente, desejo-lhe as melhoras e recuperação rápida. Não há "combate político", nem Mário Soares - já na reforma - é um "adversário". Não entendo, portanto, o moralismo com que Daniel Oliveira quer incensar o tema, acusando de "cobarde" quem se limitou a apontar um facto evidente: na hora de problemas com a saúde, todo o socialista passa a gostar da saúde privada. Apenas isto, não há espaço para drama, caro Daniel Oliveira. 


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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012
por José Meireles Graça

Gérard Depardieu não construiu a imagem (nem a carreira) com base na discrição. E numa maré em que outros deram e dão passos o mais possível discretos, Depardieu resolveu pôr a boca no trombone, não hesitando em ameaçar devolver o passaporte francês. Gesto inconsequente porque, para evitar o pagamento de impostos, suponho que não se faz mister abandonar a nacionalidade - quando muito adquire-se uma nova, e mesmo isso apenas se for necessário ou se conferir vantagens no domicílio de adopção.

 

Mas o dramatismo e a barulheira do gesto são neste caso não apenas de interesse do público, mas também de interesse público - Deus escreve direito por linhas tortas, como se diz.

 

Importa saber: pode um Estado, em tempo de paz, cobrar sobre o rendimento pessoal de um cidadão 75 ou 85%?

 

Das notícias que vieram a lume percebe-se que Depardieu co-fundou empresas que empregam à volta de 80 pessoas; e que os seus rendimentos advêm, além do seu próprio trabalho, de negócios legítimos nos quais, explícita ou implicitamente, explora a imagem - a imagem dele.

 

Todas estas actividades são objecto de impostos, directos ou indirectos, sob a forma de IRC, IVA, etc. E os 75% incidem sobre o que, do que sobra, lhe chega às mãos.

 

Ao rendimento líquido (após o esbulho dos três quartos) Gérard poderia dar três destinos: ou investir - actividade que, por definição, não é isenta de riscos e que pode de imediato dar ela própria origem ao pagamento de impostos, como nos investimentos em imobiliário; consumir - mas é impossível consumir sem pagar impostos sobre o consumo, aliás exorbitantes em se tratando de luxo, vício ou combustíveis; e aforrar - mas o rendimento do aforro é penalizado com tributação autónoma.

 

Quer dizer que se está, nos países pilotados por dementes, a querer construir uma sociedade nova: os muitos ricos podem viver bem e acumular algo não superior aí a uns 5% a 10% do rendimento. O resto não é deles, que o ganharam; é da comunidade, administrado por um Estado obeso e uma Administração iluminada, que julga poder eternizar-se no Poder pelo expediente de, cobrando desmedidamente a uns poucos, ter meios para comprar o voto da imensa maioria.

 

Se isto pudesse funcionar, isto é, se restassem na mão dos privados os recursos e a vontade de investir, teríamos uma sociedade sem os muito ricos, mas conservando a competição e o dinamismo típicos do capitalismo eficiente; e os antigos ricos, agora remediados, desempenhariam o mesmo papel que o dos apparatchicks nos regimes comunistas - uma casta relativamente privilegiada.

 

Mas não pode funcionar: Os Depardieu fogem. E mesmo que não o pudessem fazer, não teriam os meios nem o incentivo para investir. Um homem rico é um homem pobre com dinheiro - e tem precisamente o mesmo instinto de trabalhar para si e os seus, não para a comunidade que, quando não o trata com indiferença, o trata com desprezo.

 

É por isto ser assim que há quem tenha o sonho impossível da criação de um Mundo sem lugares para onde se possa fugir. Os comunistas genuínos não sonham com mundos impossíveis: querem ilhas comunistas no mar capitalista, para nelas realizar a sociedade a caminho da perfeição, custe o que custar a quem custar.

 

Por mim, se tivesse que escolher entre um artigo deletério genuíno e outro sucedâneo, escolhia o primeiro - sempre poupava na hipocrisia e na inveja.


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Sábado, 1 de Dezembro de 2012
por André Miguel

Esta prosa do colega de armas José Meireles Graça conduziu-me a esta vacuidade do Sr. Daniel Oliveira, o qual se mostra muito preocupado com a saída do país da geração melhor preparada.

Como emigrante agradeço desde já o adjectivo sobre a preparação, a qual na cabeça do Sr. Daniel Oliveira deve-se, certamente, unicamente à aposta na educação que o Estado depositou em nós. Isto de vivermos num mundo sem fronteiras, com liberdade de escolha e mérito próprio para procuramos o melhor, são coisa de somenos na cabeça da maioria da nossa esquerda. Se até Obama diz que não devemos a nós o nosso sucesso mas sim a terceiros é porque deve ser verdade… Enfim, adiante.

A certa altura atira o Sr. Daniel que este jovens “Eram sobrequalificados para o tecido empresarial português, que, por culpa própria e do Estado, não acompanhou o investimento público na qualificação do trabalho”. Engana-se meu caro. Foi precisamente o excesso de investimento público, o incentivo, a procura do progresso, o apoio e o subsídio financiado com os impostos sugados aos privados, juntamente com o crédito fácil e barato para o Estado que fez com que os nossos empresários, mesmo acompanhando a nossa qualificação, não tivessem meios de nos oferecer oportunidades. O Estado glutão tudo comeu e nada deixou até à entrada em cena do FMI. Como emigrante lhe confesso que dispensaria bem todo e qualquer apoio do Estado à qualificação do meu trabalho, deixe lá isso para quem paga os ordenados. O único apoio que o Estado devia dar ao mercado de trabalho era não apoiar o mercado de trabalho, sair da frente e deixar aos privados essa tarefa; o Estado não deve ser regulador e jogador.

Quanto à preocupação de não regressarmos permita-me tranquilizá-lo, pois regressaremos, fique tranquilo pois gostamos muito do nosso cantinho à beira mar. Também não se preocupe que sua santidade o Estado não ficará sem mão de obra qualificada. Hoje partimos, já expliquei as razões, mas depois de arrumar a casa, depois de todos os estragos de anos a fio a incentivar a qualificação do trabalho estiverem minorados, não se preocupe que Portugal voltará a necessitar os melhores e nessa altura lá estaremos e se não formos nós, certamente, outros estarão disponíveis. A certa altura diz ainda que “Desprezamos, enquanto povo, quase todas as conquistas dos últimos quarenta anos”. Fale por si, pois eu, jovem emigrante, tal como a minha família, orgulho-me de todas as conquistas de Portugal, pois não esqueço as histórias de miséria dos meus pais e avós no Alentejo do antigamente. E não, o país que construímos nas últimas décadas não está a partir, está a reconstruir-se. Até lá é aguentar, tal como nós emigrantes aguentamos a sua preocupação bem falante.


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Domingo, 11 de Novembro de 2012
por José Meireles Graça

O PS, digam o que disserem os "verdadeiros" socialistas, é e sempre foi de esquerda:

 

Acredita que os dirigentes políticos, desde que ungidos pelo voto, adquirem uma lucidez sobrenatural que os habilita a, em nome da comunidade, fazerem investimentos "estruturantes", desde que precedidos dos competentes "estudos", mesmo quando existam recursos que os privados, sem dúvida por cegueira, não querem afectar àqueles fins; acha que a desigualdade económica entre os cidadãos não é natural e deve ser activamente combatida, pelo expediente de retirar manu militari a uns, que têm, para transferir para os que têm menos; entende o direito de propriedade como instrumental; tem uma concepção amplíssima das liberdades, mas nelas não inclui a liberdade económica; acha que a liberdade de cada qual acaba onde começa a do vizinho, desde que o vizinho não imagine que é dono do que é seu; e de forma geral não vê limites à actuação dos poderes públicos, excepto a força da opinião publica, da qual aliás é escravo, ao mesmo tempo que está sobre-representado nos meios de a influenciar.

 

Em resumo, tem uma fé inabalável nos poderes salvíficos do Estado. Mas distingue-se quantitativamente da esquerda da Bayer porque intui que uma parte da economia deve ser deixada funcionar para gerar recursos para o Estado prosseguir os seus generosos fins - enquanto que comunistas e bloquistas (os primeiros com muito maior consistência) não veem ou fingem não ver por que razão a propriedade pública dos meios de produção e/ou o esbulho dos "ricos" trava fatalmente o motor do progresso, e não apenas do progresso material.

 

Qualitativamente, o PS distingue-se pelo respeito à Democracia. E isto faz com que jamais seja possível uma união das esquerdas - a água não se mistura com o azeite e é tão possível ser democrata (no sentido que a palavra tem para quem a defende na forma representativa) e comunista, como uma mulher estar meio-grávida.

 

Por este bosquejo se percebe que Daniel Oliveira não tem razão. A união com o PS seria um abraço de urso: o PS talvez ficasse um pouco mais esquerdista, tanto mais quanto menos relevante fosse o assunto; mas no essencial não mudaria, porque o PS, se se lhe retirar a democracia "burguesa" e o europeísmo, fica um clube de empreendedores de aviário e treteiros sortidos. Para ganhar votos, é curto. E se os socialistas, em matéria económica, nem sequer estão conscientes da extensão da própria ignorância, têm demonstrado ser excelentes estrategas na influência da opinião pública e no jogo eleitoral.

 

Mas eu, que leio os escritos do Daniel Oliveira e o estimo, estou aqui, graças a Deus. E por isso lhe dou amigavelmente um conselho: vá ao Largo do Rato, vá. Eles recebem-no de braços abertos, adoram gente de esquerda. E - quem sabe? - até não é impossível que aqui e ali lhe sigam os conselhos. Mas aviso, isso tem um preço: há por lá uma ala negocista que acha, com razão, que o verniz de esquerda é um óptimo biombo para, via investimento público, fazer uns bons negócios, digamos, privados. Essa parte não lhe convém, estou seguro. Mas o óptimo é inimigo do bom.


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Quinta-feira, 26 de Julho de 2012
por José Meireles Graça

Daniel Oliveira resolveu não querer compreender o que Passos Coelho disse, porque o disse, em que contexto o disse. Vai daí, lança-se numa extensa e desnecessária defesa da Democracia, que Passos não pôs, de nenhuma forma, em causa.

O exercício não me parece inteiramente honesto: fazer-se de parvo para ganhar um ponto a encher colunas de jornal pontificando sobre a irrefragável incapacidade de Passos, e portanto da "Direita", para entender o regime democrático é, entre outras coisas, pouco ... democrático.

Ia escrever sobre isto. No entretanto tropecei neste texto de uma Amiga e confrade, que explica a coisa superiormente. Dispenso-me assim de elaborar: nunca ninguém me viu a mudar um pneu se tiver ao lado quem mude pneus melhor do que eu.


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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
por José Meireles Graça

"Está na moda fazer um retrato estranho dos portugueses. Mimados, 'piegas', mandriões, aldrabões, penduras, dependentes do Estado e dos subsídios. Não me espanto. Este é o retrato perfeito de uma elite que se habituou a viver do ouro do Brasil, das colónias, do condicionalismo industrial, das maroscas com os dinheiros europeus, da troca de favores entre o poder político e económico, das empreitadas das PPP, dos gestores mais bem pagos da Europa servidos pelos trabalhadores que menos recebem, do trabalho barato e semiescravo e de uma completa ausência de sentido de comunidade. De um país desigual."


Não percebo bem de que elite está Daniel a falar. A elite que esta notícia refere, constituída por empresários e gestores anónimos, e que é a mesma, ou da mesma massa, que nos anos 60 fez com que Portugal crescesse a taxas asiáticas,  apesar do condicionamento industrial, é demonstravelmente e demonstradamente a parte mais dinâmica do nosso tecido social. Mas não está dependurada no Estado, nem nas colónias (embora venda e invista lá - agora que elas são independentes até pode ganhar mais, que não corre o risco de ser considerada exploradora), nem no orçamento, nem em favores fiscais.


O Daniel Oliveira não os conhece, e pelo que deles sabe não os vê com bons olhos: pagam mal, são grunhos de província, não têm formação ... um desastre.


Faz mal, o bom do Daniel, que partilha com eles uma preocupação: aquilo que ganham - eles porque o querem guardar para consumo ou investimento, o Daniel porque o quer generosamente distribuir em nome da igualdade.


Mas quanto aos outros "empresários", os das PPPs e das empresas públicas majestáticas, e das privadas que vivem em conúbio pornográfico com o Estado, dou-lhe razão.


Vamos privatizar e promover a concorrência, então? Não, vamos nacionalizar e substituir a escumalha do Centrão pela nata do BE, do PCP e da parte "sã" do PS - é gente que recebe transfusões de competência e isenção por via ideológica. A esquerda verdadeira, já se vê, é moralmente superior, culta, generosa e muito versada nos arcanos da gestão. 


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Quarta-feira, 13 de Junho de 2012
por José Meireles Graça

Daniel Oliveira faz aqui uma extensa objurgatória contra as parcerias público-privadas, dizendo a certo passo, com fina ironia: "O esquema é hoje sobejamente conhecido e toda a gente era contra estas parcerias desde pequenino."


Daniel confunde tudo: Se toda a gente soubesse que as parcerias foram negociadas e renegociadas como foram, toda a gente teria sido contra, e não apenas o PCP e o BE. Mas aquelas pessoas que, como eu, partem do princípio que a gestão privada é mais eficiente do que a pública, pela comezinha e humana razão de que não pomos o mesmo empenho a gerir o que é nosso do que o que pertence a outrem, nada têm a objectar às parcerias enquanto princípio - ainda hoje, mesmo depois do desastre que muitas foram e são.


Um exemplo, unzinho, basta: Se o Estado não tivesse garantido em certas concessões de estradas um certo volume de tráfego, provavelmente não encontraria concessionários porque estes não estariam dispostos a correr o risco - e as estradas não se fariam, não nos queixando hoje de estarem desertas e termos que as pagar. Ou far-se-iam, mas assumindo o Estado o serviço da dívida mais a manutenção. E não é difícil perceber que o BE e o PCP, cuja receita para a crise de 2008 era, como ainda hoje é, mais despesa pública para "criar" empregos e "dinamizar" a economia, patrocinariam a obra que o privado não queria, se houvesse quem emprestasse.


Entendamo-nos: não faltam exemplos de empreendimentos privados ruinosos, tanto pequenos como grandes. Mas a sanção natural para investimentos com o risco mal calculado, ou bem calculado mas com alteração imprevisível de circunstâncias, é a falência. E terem os contratos das PPPs eliminado com engenharias jurídicas o risco para o privado, transferindo-o para a esfera pública, é justamente no que consiste o seu pecado original.


Neste processo houve, é claro, bastante calculismo e alguma corrupção de um lado, e bastante ingenuidade e alguma corrupção do outro. Porém, a referência expressa que Daniel faz a Paulo Campos, tornando extensivo a todos os governantes o mesmo anátema de que Paulo Campos é merecedor, é um salto lógico aventureiro com o propósito transparente de tirar a seguinte conclusão: o pessoal do centrão é, todo ele, desonesto. Nas imorredoiras palavras do próprio: "A ver se nos entendemos: não há, nesta matéria, entre o PS e o PSD, qualquer diferença. Fizeram o mesmo, da mesma maneira, pelas mesmas razões, com as mesmas desvantagens para nós e as mesmas vantagens para eles."


Não está mal como raciocínio. Se os eleitores comprarem a tese, temos comunistas, bloquistas e compagnons de route a enxundiarem o Governo e o aparelho de Estado; nos conselhos de ministros os governantes sentam-se na beirinha das cadeiras, para caberem as asas; e os investimentos serão lucidíssimos, porque não há nada que chegue a um cidadão que nunca investiu um cêntimo para decidir com competência o que fazer com o dinheiro dos outros mais o que em nome deles pede emprestado.


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Sexta-feira, 8 de Junho de 2012
por jfd

Pois é Daniel. De facto é um homem de grande coragem. E com um bolso bem recheado. Certamente que não seria um dos que sairia à rua fazer a democracia.


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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
por José Meireles Graça

Estive quase, quase a concordar com este texto de Daniel Oliveira.


Primeiro porque o pano de fundo destas coisas deve ser que os abusos de liberdade de imprensa e de opinião são sempre menos perigosos do que os controles a priori de uma e outra; depois porque o excesso de zêlo de uma ignota funcionária que dá pelo nome de Maria Rui Fonseca me desperta o horror nato à autoridade prepotente; e finalmente porque o ministro Schaueble, não sendo um cidadão comum, deveria talvez olhar em volta antes de soltar a franga das conversas intempestivas.


Dar o dito por não dito seria para mim uma maçada: não estou habituado, porque não preciso de estar, mas já me aconteceu mudar de opinião, o que acontece a toda a gente, e reconhecê-lo, o que acontece a muito menos.


O próprio Daniel, porém, oferece-me a salvação, quando diz: "... E eles (os jornalistas) recolhem as boas e as más imagens, e não apenas aquelas que os políticos querem que os seus eleitores vejam".


Declarações no âmbito de conversas desejadas inocentemente como privadas, mesmo entre políticos, não são a mesma coisa que imagens, mesmo que estas sejam por vezes eloquentes: se amanhã o Daniel confidenciar a um dos seus colegas do Eixo do Mal alguma coisa que não diria publicamente, não se apercebendo que os microfones estavam ligados, acharia bem a divulgação?


Eu não.


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