Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

Sim pois piratear não é outra coisa que não furtar. Se esta lei (referida no post anterior, de Mr. Brown) for avante, é criada uma justificação ética para piratear tudo o que seja produzido por aqueles que são representados pela Sociedade Portuguesa de Autores.

 

Sobre este assunto, ler este excelente e completíssimo post de JCD no Blasfémias.


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Sábado, 3 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

 

Será possível que Sarkozy e Merkel sejam incapazes de perceber que a única maneira de dar credibilidade ao euro, tornando sustentáveis as finanças de boa parte dos países da zona, é resolver de imediato o problema da dívida de Portugal, Grécia, Irlanda e Itália? E será que eles não percebem que o modo de resolver esse problema é promovendo o crescimento nestes países? E que o único caminho para o crescimento no Sul da Europa é através de um default parcial, minimizando o risco de contágio, pois só com uma remissão de boa parte da dívida é possível relaxar as políticas de austeridade, dando folga à sociedade e criando expectativas que favoreçam novamente o investimento?

 

Sem expectativas positivas de crescimento económico não há investimento. Se o crédito não se expande não é por falta de dinheiro (a taxa de juro de referência do BCE já está nos 1,25%), é porque as expectativas estão em baixo. Injectar dinheiro só produzirá inflação. A raíz dos problemas na Europa não é monetária mas económica e financeira. E não há cura que não passe pelo default parcial das dívidas.

 

Mas eu acredito que Sarkozy e Merkel até percebem este encadeado económico. O problema está nos respectivos eleitorados, que castigarão aqueles dois caso eles consintam na reestruturação das dívidas. Mas não seria possível por uma vez ter líderes políticos que estejam acima da incompreensão económica das massas e façam o que é preciso ser feito? Sarkozy e Merkel ainda podem salvar a Europa. Se o fizerem, o mais certo é perderem as próximas eleições. Mas terão o consenso da História de que tomaram a melhor decisão.


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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

No Diário Económico: Sarkozy revelou hoje que vai encontrar-se com a chanceler alemã na próxima segunda-feira, em Paris, para "salvar o futuro da Europa".

 

Mais uma cimeira, mais uma perda de tempo: já perdi a conta a tantas cimeiras e às respectivas mijinhas de Sarkozy e Merkel, dois políticos vulgares em tempos excepcionalmente difíceis, que estão dispostos a sacrificar a Europa inteira para não perderem os respectivos poleiros.

 

Diz Sarkozy (no Expresso): "O BCE é independente. E assim vai permanecer. Estou convencido que o Banco vai atuar face ao risco de deflacionismo que ameaça a Europa", precisando que caberá a esta entidade decidir "quando e com que meios".

 

Eu traduzo: Sarkozy quer que o BCE deixe de ser independente e se transforme numa agência do governo francês tutelada directamente por ele, Sarkozy. E o ainda presidente da França pensa que a melhor maneira de tentar que a economia europeia cresça é empurrando um fio, isto é, derramando dinheiro por toda a parte - quando a taxa de juro de referência do BCE já está nos 1,25%...

 

 

P.S.: Será que o "deflacionismo" também faz parte da política do Expresso de implementar o Acordo Ortográfico?


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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

A propósito deste post de Francisco Castelo Branco...

 

Os gregos forjaram as contas públicas para entrar no euro: não tinham condições económicas nem de honestidade que justificassem a sua entrada. Sarkozy tem razão.

Mais uma vez, recordo aquele texto de Vasco Pulido Valente sobre a importância dos aspectos formais da democracia. NÃO é democrático lançar um referendo quando o país está em guerra, em grave calamidade natural, estado de sítio ou de emergência. Referendos em tais circunstâncias é coisa para uma américa do sul, não é para uma democracia normal e estabilizada da Europa.

Papandreou serve-se da "democracia" como arma de arremesso/chantagem contra a Europa que lhe quer perdoar 50% da dívida. Este comportamento é absurdo, irracional, um suicídio colectivo forçado por um socialista maluco. O resultado é que a Grécia sairá do euro e da União Europeia, terá um empobrecimento imediato com a redução drástica e instantânea do valor dos depósitos bancários, ficará provavelmente governada por uma junta militar ou por um governo de salvação nacional tutelado pelos militares, ficará mais exposta ao avançar do predomínio turco cada vez mais veloz e determinado um pouco por todo o Mediterrâneo e, como é evidente, de fora da União fica também sem qualquer projecto de desenvolvimento económico. Ao dizer não no referendo abilita-se a já nem receber apoio do FMI. O resultado final vai ser uma mini-américa do sul na periferia da Europa.

 

Nem golpe de génio, nem esperteza, nem democracia, nem nada: o que Papandreou fez foi o acto de maior irresponsabilidade política alguma vez registada na União Europeia. Quem assim joga com a democracia, merece claramente perdê-la. Mas a Grécia perde muito mais do que isso: perde dinheiro, economia e quaisquer perspectivas de crescimento. Só lhe restará ir para a fila de espera do Banco Mundial, ao lado de tantos países africanos, e estender a mão por "ajuda ao desenvolvimento".


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por Ricardo Vicente

A propósito da decisão de Papandreou de referendar os acordos saídos da última cimeira do Eurogrupo, transcrevo os meus comentários aos posts do Luís Naves e do Rui C Pinto e acrescento outros:

 

(1) Da Irracionalidade Grega

 

O que foi decidido na Quarta-feira passada é pouco mas é melhor do que nada e é quase um presente para os gregos. É muito estranho referendar a aceitação de um presente. Claro que há condições: mais austeridade. Mas sem presente, a austeridade será maior e a sua efectivação imediata.

Não dá para racionalizar os gregos! O Papandreou quis lavar as suas mãos? Mas, se quis, a única forma minimamente aceitável teria sido demitir-se ou tentar formar um governo de salvação nacional. Um absurdo...

 

A única explicação que encontro é esta: Papandreou quer demonstrar que o seu poder negocial é superior ao que Markel e Sarkozy supõem e, para isso, está a jogar o perigosíssimo trunfo de assumir um comportamento irracional, do tipo "tenham cuidado comigo porque eu sou capaz de nos matar a todos: a mim, ao meu país e à União Europeia". Durante a Guerra Fria, a dissuasão nuclear era baseada na racionalidade de ambas as partes e no seu reconhecimento recíproco; assim se evitou uma guerra com armas atómicas. Ao invés, o comportamento inesperado e irracional de Papandreou só poderá ter más consequências para todos.

 

Por outro lado, em democracia NÃO se fazem referendos durante um estado de sítio ou um estado de emergência. A Grécia está em emergência de facto. A atitude de Papandreou é provavelmente já um golpe na estabilidade constitucional grega.


 

(2) Apaziguar ou Alimentar a Loucura?

 

Apaziguar o povo é explicar-lhes que eles acabam de receber in extremis a misericórdia de terem 50% da dívida perdoada. Quando uma pessoa está a morrer e aparece "milagrosamente" alguém para lhe doar sangue, o médico não pergunta se pode ou não fazer a transfusão: o médico faz o que tem a fazer em vez de virar as responsabilidades para o que está a morrer.

O que vai acontecer é que a Grécia sai do euro, o "neo-dracma" é introduzido e quem tinha antes 100 euros no banco vai passar a ter uma coisa que com sorte valerá 30 euros.

 

 

(3) O que Deveria Ter Sido Feito: Será Agora Tarde Demais?

 

Como já escrevi várias vezes, o default ordenado deveria ter começado pelo menos a partir do momento em que se decidiu ajudar, na minha opinião especulativamente, com 109 mil milhões de euros. Isto é, há cerca de ano e meio.

 

Com vontade grega e a disponibilidade dos outros países (o tempo que falta até às eleições na Alemanha não ajuda) e através, talvez, de eurobonds seria possível um default ordenado grego rápido e maior, que levasse o stock da dívida grega para, no máximo, 60% do PIB.

 

É o que eu defendo para a Grécia e para Portugal. O objectivo principal de todo o processo seria evitar o contágio ao sistema bancário europeu.

 

É importante notar que os eurobonds, para serem aceites, devem ser apresentados apenas e só como mecanismo temporário para a realização do default e não como passo em direcção a uma união política (que, na minha opinião, é mais do que impossível a 27). O resultado seria o findar da agonia económica grega e portuguesa, a redução da pressão nos mercados da dívida espanhola, italiana (e, em breve, francesa) e, muito importante, a manutenção da Grécia no euro e na União Europeia (também já escrevi que a saída do euro implica a saída da União e uma saída da União é muito mau para a própria).

 


(4) Uma Não-Democracia


Depois destas notícias (as chefias militares foram demitidas ontem pelo governo grego) parece que está já meio caminho andado para uma tomada do poder pelos militares. O que é que os pode inflamar ainda mais do que serem demitidos? A União Europeia vai ter, temporariamente, a sua primeira não-democracia. Temporariamente: não é que o próximo regime militar grego dure pouco tempo, o que durará pouco tempo é a permanência da Grécia na União.

 

 

(5) Conclusão

 

As últimas decisões são, como escrevi no meu último post, insuficientes. Mas são melhores do que nada. Se os gregos votarem não no referendo, é nada que eles vão escolher. Mas quem escolhe o nada vai acabar por perder muito mais: vão perder a democracia, vão perder as poupanças nas contas bancárias e vão perder a sua pertença a um espaço maior chamado União Europeia. E, com a saída deles, esta União leva um rombo político, militar, económico e de credibilidade tremendo.


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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

A propósito deste excelente post de Alexandre Homem Cristo, cuja leitura recomendo na íntegra e sem pressas, devagar para bem perceber...

 

Moral da história: o maior campeão das fraudes em toda a OCDE chama-se Partido Socialista, indo o prémio "Fraude da Década" para o Novas Oportunidades.

 

"Os governos Sócrates fizeram do sucesso escolar um dos seus triunfos. Como em todos os outros, a verdade não coincide com a propaganda. O número de alunos que termina o 9º e o 12º anos pela via tradicional é, geralmente, o mesmo. Ou seja, a melhoria do sucesso escolar não se fez nas escolas tradicionais, mas nos programas Novas Oportunidades e similares, transformando-se uma boa ideia numa via rápida para a certificação escolar. É o sucesso estatístico, em detrimento do sucesso real. Se isto não é facilitismo, não sei o que será" (de outro post do mesmo autor).


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Terça-feira, 18 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Ao longo dos quinze meses em que escrevi no Blogue de Direita da Sábado (de Setembro de 2009 a Janeiro de 2011), o tema que mais me ocupou foi de longe o dos "amigalhaços da construção civil", isto é, os negócios entre os socialistas do PS e do Sócrates e os socialistas da Mota-Engil e do Jorge Coelho (por exemplo aqui). Abordei esse tópico várias vezes também no Albergue Espanhol.

 

Escrevi vezes sem conta que os tê gê vês e as novas auto-estradas e as novas pontes e os novos aeroportos tinham rentabilidades negativas para o Estado e que, portanto, só gerariam maior probreza (tal como, de resto, estava descrito nos estudos económicos e pareceres encomendados, bastava ir, por exemplo, ao site da RAVE). Tais obras públicas agravariam o endividamento português, contribuindo para acelerar o rumo em direcção à bancarrota. E previ que, à medida que se avançava nesse caminho, os políticos, para evitarem in extremis a falência do país, acabariam primeiro por cortar nas despesas sociais e nos apoios aos mais pobres em vez de cortar nos investimentos com rentabilidade negativa.

Escrevi também que políticas de obras públicas ruinosas não poderiam ser o resultado de uma ideologia (nem socialismo, nem keynesianismo, nem coisa nenhuma) nem poderiam ser causadas pela ignorância económica, pura incompetência ou a mais supina estupidez. A causa era esta: desonestidade. Desonestidade pura: dinheiro dos contribuintes oferecido de mão-beijada pelos socialistas do PS aos amigalhaços da contrução civil. Desonestidade que, muito possivelmente, foi praticada dentro da legalidade, observando todos os trâmites legais, mas desrespeitando do modo mais baixo a essência da lei: a vontade e o interesse geral.

Com as notícias recentes sobre Paulo Campos, Ascendi, Estradas de Portugal, aeroporto de Beja, PPPs, SCUTs, Parque Escolar (a minha antiga secundária parece um centro comercial de Tóquio, até plasmas tem por todo o lado) e tantas outras e observando o agravar da pobreza em Portugal - é mais do que evidente que acertei em todas as minhas previsões. E isso, desta vez, é muito triste.


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Sábado, 8 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Segundo o Expresso, o "Aeroporto de Beja movimentou 164 passageiros... em 3 meses".

 

Quem é que pagou por este aeroporto? Terão sido os contribuintes? Em caso afirmativo, não seria possível responsabilizar civil e criminalmente todos, mas mesmo TODOS os políticos que concretizaram este "projecto"?


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