Terça-feira, 8 de Maio de 2012
por José Meireles Graça

"As long as Europe's élites remain determined to keep the euro, the economic situation will deteriorate. And the worse things get, the likelier people are to demand the high-tax, high-spend policies which caused the mess. The eurozone is now in a vicious circle." 

 

Daniel apenas tem parcialmente razão, porque, conforme ficou demonstrado nas eleições gregas, não é apenas esta - e já seria muito - a consequência da teimosia das "élites". É também o crescimento das louçãnias* que espreitam, vendendo soluções simples para problemas complicados: não pagamos, ou pagamos quando e como quisermos. 

 

E como, não pagando, o crédito acaba, mergulha-se fatalmente em autarcia económica, o que quer dizer ruptura dos stocks, paralisia das empresas e falta de combustíveis e alimentos. 

 

Esse é o chão em que a Revolução medra. E o herdeiro natural entre nós seria o PCP, ainda que não fosse o principal iniciador da agitação. 

 

A seguir viria, ou não, a Contra-Revolução. 

 

Em ambos os casos, seria também a Democracia que estaria em risco - nós não a temos, como têm os ingleses, enxertada no código genético. 

 

Provável? Talvez não. Impossível? É de impossíveis e equívocos que se fazem os desastres históricos. 

 

* Deveria grafar "louçania", mas achei que, por bom entendedor, o erro de ortografia seria perdoado.

 


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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
por Rodrigo Saraiva

Vejo o PS a encavalitar-se nas eleições francesas e só me lembro de umas personagens do "Allo Allo".


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Domingo, 6 de Maio de 2012
por José Meireles Graça

Sai uma irrelevância colorida dita de direita para entrar uma irrelevância cinzenta dita de esquerda. Um não fez o que prometeu; o outro não fará o que promete. A "Europa" ganhou - ganha sempre, porque a democracia falou, foi tudo muito civilizado e a mudança foi tão positiva como o teria sido a manutenção. Os mercados ficarão amanhã optimistas, e daqui a uns dias pessimistas, ou pessimistas desde já.

Com Sarkozy, Merkel seria mais "rigorosa"; com Hollande será mais "sensível".

A rotativa do BCE, como o próprio nome indica, roda; os Franceses têm os olhos do Mundo postos neles, entre hoje e amanhã, o que é natural para quem dele se julga o centro; as instâncias europeias hoje remoem, depois deglutem, e em seguida hão-de digerir.

Em resumo, mais uma vitória - até à derrota final da Europa do Euro, da dívida e da falta de crescimento.


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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
por Pedro Correia

 

Outros dirão provavelmente que o resultado da primeira volta das presidenciais de ontem em França foi bom para a Europa. Não é o meu caso. Quase um terço dos eleitores, que acorreram em grande número às urnas, exprimiram com clareza um voto anti-europeu.

É certo que o peculiar sistema eleitoral francês potencia o voto de protesto na primeira volta. Mas se somarmos os 6,4 milhões de eleitores de Marine Le Pen (que conduziu a Frente Nacional ao seu melhor resultado de sempre) aos quatro milhões de Jean-Luc Mélenchon, representante da Frente de Esquerda (o equivalente gaulês do Bloco de Esquerda), verificamos que cerca de um em cada três franceses renega o essencial do projecto europeu tal como foi desenhado no último meio século. No todo ou em grande parte, estes eleitores querem que o país abandone o euro, renegue Schengen, rasgue o Tratado de Lisboa. Defendem o "patriotismo" monetário, o proteccionismo económico, o controlo estatal do aparelho produtivo. Renegam a disciplina financeira. Exigem a reforma aos 60 anos e a subida do salário mínimo para os 1700 euros como se vivessem numa ilha, separada do continente, numa irreprimível nostalgia daquelas três gloriosas décadas - entre 1945 e 1975 - em que a França, grande potência industrial e agrícola, era um dos motores da economia mundial, com índices anuais de crescimento do produto interno bruto que ultrapassavam os 5% (mantendo-se nos 5,8% entre 1959 e 1973).

Esses tempos passaram, provavelmente para sempre. Vista de outras parcelas do globo, observada por chineses ou brasileiros, a Europa é hoje um continente em irreprimível declínio. A França deixou de desempenhar o relevante papel cultural que durante séculos assumiu no mundo e não o retomará com bravatas retóricas. Nem François Hollande (28,3%), com o seu socialismo descafeinado, nem Nicolas Sarkozy (27,2%), o mais errático dos conservadores europeus, conseguirão alterar nada de essencial - suceda o que suceder na segunda volta, com os eleitores de Marine Le Pen a servirem de fiéis da balança.

"A extrema-direita, com quase 20% na França do século XXI, é o resultado da crise económica, política e moral", alertou o candidato centrista François Bayrou, que obteve uns decepcionantes 9,1%. É a voz da razão. Mas cada vez menos querem ouvi-la nos dias que vão correndo, em que tudo serve de pretexto - à esquerda e à direita, com a cumplicidade activa das candidaturas do "sistema" - para enterrar o projecto europeu. Todos teremos a perder com isso. E, como é de prever, só perceberemos tarde de mais.

Publicado também aqui

 

ADENDA de 26/4:

Jorge Nascimento Rodrigues, no Público: «A “questão da Europa”, sempre latente em França, volta a ser central. Note-se que, entre extrema-direita e extrema-esquerda, mais de um terço do eleitorado pôs directamente em causa a Europa.»


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por José Adelino Maltez

 

A crise portuguesa é muito como outras crises de outros europeus: esperamos que a onda cresça, vinda de fora, e nos arraste. Hoje, estão assim os nossos fascistas, sobretudo os fascistas cobardes ou encobertos, exactamente como estão os socialistas, com saudades do DSK, e os centristas, os efectivamente europeístas. Todos à espera da bela ordem importada e da morte da bezerra.

 

Luc Ferry já tinha comentado o confronto entre Hollande ("um social-democrata tranquilo") e Sarkozy ("um pragmático que desconfia das doutrinas"). Eleições presidenciais em França, ou de como até ao lavar dos cestos ainda é vindima...

 

Os franceses conseguiram saltar o eixo. Nada será como dantes, mesmo que Sarkozy passe pelo buraco da agulha e volte de camelo para o Eliseu.

 

O rotativismo da Eurolândia lá foi a votos, entre um "action man", com um estilo misto de Portas e Sócrates, que põe todas as ideologias na gaveta, por causa da hiper-amnésia, e um socialista de gabinete de planeamento, uma verdadeira estrela no tratamento dos dossiês, que, sem ser por acaso, constitui um galicismo. Infelizmente, a Europa está entalada entre uma espécie de socratismo de direita e um género de esquerda sob o comando de um Carlos Moedas mais crescido, enfrentando uma Joana d'Arc feita madama de água oxigenada e um Jerónimo de Sousa com retórica de Louçã.

 

Apesar de tudo, os interesses de Portugal precisavam de um abanão no eixo franco-alemão. Logo, seria interessante que o sucedâneo de DSK introduzisse uma pequena areia na engrenagem, para que "mais Europa" nos desse folga...

 

As "droites" e as "gauches" precisavam de transfiguração. E tudo passa por um novo objectivo da educação que não queira criar sumos-sacerdotes do cientismo, nem super-gestores da empregadagem dos eternos donos do poder, mas mais sensibilidade às solidariedades sociais e menos dependência face aos "rankings" do sucesso, às famas comunicacionais e ao dinheirinho. Estou a adaptar o que li do manifesto de Jacques Cheminade, contra o cancro especulativo e a oligarquia financeira da City e da Wall Street.

 

A França vai votando. A Itália e a Grécia hão-de votar. Tal como a Alemanha. Infelizmente, somos protectorado, até nas votações. E continuaremos a ter mudanças importadas. Dos eleitorados dos outros. Se a Europa não mudar por dentro, faltam-nos suficientes forças espirituais e materiais para mudarmos domesticamente. E é pena. Porque eu faço parte dos que gostavam de praticar a vontade de sermos independentes. Mesmo na gestão de dependências e na navegação através da interdependência.

 

Um país como o nosso, onde falta extrema-direita, gaullismo de contrapoder, ecologismo e adequado centrismo, tem de admirar a França, a inventora da esquerda e da direita, com os seus clubes de ideias, assentes numa variedade regional e autárquica que é incomparável com o deserto em que nos tornámos. De semelhante, apenas temos, na UMP de Sarkozy, uma réplica da nossa caricatural coligação PSD/CDS; em Mélenchon, um aliado de Louçã; e no PS, um socialismo sem Soares. Por outras palavras, continuamos em atraso.

 

Sarkozy ou Hollande. Serão dois irmãos siameses (Marine Le Pen), ou qualquer deles daria um bom-primeiro ministro do outro? Sarkozy diz que já não há risco de implosão do euro, embora reconheça que a Europa está em convalescença, enquanto Hollande ficou pelo "socialismo habitual" (Bayrou) e as margens do centrismo e do esquerdismo vão bailando, talvez para se transformarem nas novas regiões autónomas do eventual "hollandisme" que diz querer dar "crescimento" à mera "austeridade" da regra de ouro...Por outras palavras, andam todos em Passos Seguros, embora possa desencadear-se um contraciclo europeu...

 


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