Domingo, 15 de Julho de 2012
por José Meireles Graça

 

Este Monumento ao Empresário está muitíssimo degradado: alguns moços exprimiram a sua veia irreprimivelmente artística com pichagens aqui e ali; e outros com impulsos não muito diferentes partiram-lhe alguns vidros. Ignoro o que o autor, escultor José Rodrigues, quis significar com a obra, que me parece retratar bem o lado agressivo e frequentemente espalha-brasas do empresário bem sucedido, entre nós e em toda a parte. Se foi isso, reconheço-lhe o valor simbólico, embora não lhe perdoe a fealdade gratuita. E não duvido que, em relação a esta como à generalidade das obras de arte contemporâneas, as pessoas que se têm por cultas nelas não verão o lixo que efectivamente são, mas antes o que os críticos de Arte encartados dizem que ali está, no linguajar pedante e oco da seita.

 

Graças a Deus foi, ao menos, bem construído - não é a peanha de sucata brilhante que Cavaco, compenetrado, inaugurou há anos em Condeixa para comemorar a ligação por autoestrada entre Lisboa e Porto. Dessa escultura, da autoria de Charters de Almeida, não consegui encontrar fotografia, talvez por natural pudor dos fotógrafos, que se acanharam de registar a coisa.

 

 

Na terra onde vivo, há também monumentos destes, um deles consistindo em dois perpianhos cruzados, que tanto podiam por acaso ter caído de um camião de obras como postos de propósito onde estão para representar qualquer coisa, no caso acho que os caixeiros-viajantes.

 

 

Vejo agora, com pasmo, este monumento, em Famalicão. Ignorava que houvesse entre nós edilidades com pulsões a la Ceausescu. E não resisto a inquirir: quanto terá custado o estropício?


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