Terça-feira, 24 de Abril de 2012
por José Meireles Graça

Ontem à Tarde

 

Ontem à tarde um homem das cidades 
Falava à porta da estalagem. 
Falava comigo também. 
Falava da justiça e da luta para haver justiça 
E dos operários que sofrem, 
E do trabalho constante, e dos que têm fome 
E dos ricos, que só têm costas para isso.

E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos

E sorriu com agrado, julgando que eu sentia 
O ódio que ele sentia, e a compaixão 
Que ele dizia que sentia.

 

Alberto Caeiro

 

O Patrão e Nós

 

Vejam aquele homem de cartola, de lacinho e casacão
A mala cheia de dinheiro que ele transporta na mão
Vive em Cascais ou no Estoril e mora numa mansão
Goza as férias de Verão quando quer e lhe apetece
Tem um Banco e muitas fábricas e tem nome de patrão
Mas agarra que é ladrão
Não faz falta e é cabrão

E olhem agora cá pra nós, boné roto e macacão
Saco da ferramenta e de lancheira na mão
Vivemos no Casal Ventoso, moramos num barracão
O ano inteiro a trabalhar sem Verões nem Primaveras
Temos filhos, muito filhos, sem escola nem sacola
Mas isto vai acabar
À porrada no patrão.

 

Fausto*

 

* Descobri o poetastro aqui.

 

 

 


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