Cozinha internacional
Num episódio da série Oliver's Twist, Jamie vai para uma ilha italiana cozinhar marisco e dá a provar o resultado aos locais. Estes acham os pratos bons, mas queixam-se de que falta sal.
Jamie Oliver não percebeu nada: em vez de aprender o modo indígena, e cingir-se à tradição, inovou e, é claro, asneirou - asneirar é o que fazem quase sempre os chefs quando inovam. Chef que é chef faz cozinha de autor, senão não é chef, é cozinheiro, e cozinheiros não ganham estrelas Michelin, o grande prémio da patetice nos tachos e frigideiras.
Mas o país das estrelas Michelin, da cozinha de autor, do cinema de autor, das revoluções e das modernidades ocas tem realmente excelente culinária, resultado da terra úbere, variedade climática, Sol e tradição.
Já os filhos da Ilha disso têm apenas a tradição dos empadões intragáveis, e parar à beira da estrada para almoçar numa vilória inglesa só não deixa más recordações a um Português que, de portas afora, viva em permanente estado de adoração perante a superioridade do alheio, a real que é alguma e a imaginária que é muita.
Mas a recente vitória de Seguro nas eleições francesas está em vias de melhorar consideravelmente o passadio inglês, de resto já revolucionado de há muito pela influência das cozinhas italiana e chinesa, além da gaulesa.
É, estes Normandos que atravessam o Canal levam dinheiro, capacidade de criação de riqueza e também apetite. E este apetite talvez ajude, com tempo, a melhorar a qualidade dos menus locais.
Os Franceses, é claro, pagarão um preço pela eleição de Seguro - a vaga de exilados é só um appetizer. Mas sem problemas de maior: que Seguro já foi a correr receber instruções ao Bocuse alemão - a ver se o assado não queima.