Quarta-feira, 12 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

 

 

Por estes dias não tenho escrito nada, o que terá penalizado sobremaneira os meus leitores. Ainda que estes, num cuidado que me sensibiliza, se tenham em geral abstido de manifestar a sua carência, por certo no intuito de não me perturbar nos meus afazeres.

 

E afazeres tenho tido, com resultados magros perante o esforço, mas ainda assim bem reais: por exemplo, conquistei um cliente novo, na Bélgica, um homem que adquire equipamentos para aluguer e vai - espero - passar a alugar também dos meus.

 

E, para começo de conversa, comprou 36 vitrinas frigoríficas, das quais as primeiras 12, em dois tons de cinza do melhor gosto, lindas, saíram ontem, ao romper da alba, aconchegadas num TIR e numas gaiolas de madeira - a embalagem standard.

 

Mas as PMEs põem e o Estado dispõe: o viajante de há 200 anos tinha, ao atravessar desfiladeiros e montanhas, que se defender dos ladrões, armados de canhambulos; e o actual tem que se defender das brigadas da GNR, armadas de grossos tomos do Diário da República.

 

E paf, conforme melhor se vê pelo auto acima as tais gaiolas seriam de pinho, e pinho não pode ser, por causa, suponho, do nemátode. Isto é curioso: que Portugal importa uma quantidade prodigiosa de merda, que chega ao mercado sem abalos de maior; mas as autoridades preocupam-se com o que exportamos, não vá os destinatários, por burrice, correrem o risco de se lhes impingir pragas.

 

Sucede porém, ó agentes ceguetas da GNR, que não era pinho - a empresa não adquire pinho, apenas choupo e eucalipto.

 

Depois da produção de declarações escritas do fornecedor de madeiras, e-mails, inúmeros telefonemas e diligências, o problema resolveu-se e o camião-bomba seguiu caminho. Que o cliente, do lado de lá, já rosnava umas coisas pouco abonatórias sobre o novel fornecedor e as suas histórias à dormir debout.

 

Resolveu-se o problema é como quem diz. Que agora o assunto foi remetido à ASAE, e um destes dias vem por aí um auto e multas e ameaças - o ordinário daquela organização terrorista.

 

Santos, Santos, pá: mesmo descontando o exagero retórico, e acrescentando espaço para o disparate comicieiro, fica difícil levar-te a sério. Thatcher queria menos Estado. E não dizia querer um Estado menos grotesco porque não precisava. Mas tu precisas - e não sabes.


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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013
por Alexandre Guerra

Há uns dias, e graças a um soldado da GNR, um então anónimo porco teve direito aos seus 15 minutos de fama. Um porco que, em jeito de desafio às autoridades, pretendia ocupar um espaço (leia-se A1) que não era o seu.  

De certa maneira, este porco sentiu-se impelido para resistir às “ordens” da autoridade instituída, embora não se descortinasse se por detrás de tal comportamento terá estado alguma motivação nobre ou apenas o interesse egoísta do suíno em causa. Um pouco à semelhança dos porcos revoltosos que em Animal Farm de George Orwell substituíram, com boas intenções, um regime corrupto de humanos por uma sociedade utópica liderada por animais, mas que rapidamente viria a degenerar em totalitarismo.

Na sátira de Orwell os animais, nomeadamente os porcos, acabam por representar as perversidades dos humanos quando se fala da conquista e da manutenção do poder em regime totalitários.

Perante isto, pode supor-se que o homem da GNR estaria a fazer uso da “violência legítima” numa lógica “preventiva” para evitar qualquer tentação do porco insurgir-se contra a ordem instituída que, apesar de tudo, ainda é democrática em Portugal.

Imagine-se o que seria agora haver uma revolta de porcos por essas estradas fora. Daí até às escadas do Parlamento seria um pulinho e já se estava a ver o Governo a pedir imagens à RTP para identificar os porcos agitadores.

E note-se que existe um registo histórico de episódios suínos que, provavelmente, levaram aquele soldado da GNR a adoptar uma medida "preventiva" para refrear os ânimos do porco revoltoso. Talvez conhecesse o célebre episódio do porco voador nos arredores de Londres.

Um porco (na verdade um balão de nove metros cheio de hélio) que ficou imortalizado para lá dos meros 15 minutos devido à sua “teimosia” em não ficar preso à Central Eléctrica de Battersea (já desactivada), localizada junto ao Rio Tamisa.

Isto passou-se em finais de 1976 quando os Pink Floyd decidiram atar um porco insuflável àquele complexo industrial, que resultaria na célebre capa do álbum Animals, este também inspirado na obra de Orwell.

Mas o Mr. Pig (como se lê num dos cartazes da banda) tinha outras ideias e acabou por soltar-se logo no primeiro dia da sessão fotográfica, indo parar a Kent, sendo recuperado por um agricultor local que se mostrou irritado porque o suíno terá assustado as suas vacas.

Esta parte da história será verdade, já que são vários os registos nesse sentido. No entanto, conta o mito urbano que durante a sua “fuga” o porco terá sido avistado por um piloto de um avião comercial e que este terá reportado à torre de controlo que estaria a ver um “porco a voar”.

 

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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

... ou apenas um desabafo.

 

Domingo, Régua, a meio da tarde. Numa descida, uma brigada da GNR (já na sexta-feira anterior os vira, estes ou outros, noutro local da Régua, pouco passava das 22h) mandava parar alguns condutores. Uma operação stop. Mais uma. Nos últimos meses passo a vida a cruzar-me com coisas destas.

 

Um pouco mais à frente, numa tasca da Régua de nome estranho, "Alto gabarito - João Quintela", aproveito para lanchar. A meio de um valente naco de vitela peço uma cola (eu sei, que pecado acompanhar com "tinto americano" a iguaria, eu sei, mil perdões) e recebo como resposta: "Não tenho. Sabe, fomos assaltados esta noite e levaram a máquina do tabaco, os refrigerantes e aquelas coisas da TDT. Já perdi a conta aos assaltos que temos sofrido". Os larápios conseguiram roubar as bebidas, o descodificador da TDT e, pasme-se, levar a máquina do tabaco, uma coisa assim para o grande e que mal cabe na porta da tasca. Imagino a trabalheira dos moços a carregar aquilo às costas para a viatura. E tudo na paz do Senhor.

 

A senhora, furiosa, atirou: "AGNR para fazer operações stop na caça à multa está sempre pronta, agora vigiar as ruas da nossa Régua para afugentar os ladrões, nada. Nem me admira, li num jornal que eles são obrigados a isso." 

 

Não faço a mais pequena ideia se é mesmo assim ou não. Uma coisa sei: nos últimos meses, repito, passo a vida a cruzar-me com operações stop. Só numa semana foram duas na Régua, uma perto de Vila Real, outra entre Folgosa do Douro e o Pinhão e outra no Grande Porto. Coincidência, continuo a não me cruzar com polícias nas principais ruas comerciais destas cidades. Estranho, não?


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Domingo, 20 de Novembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

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Sábado, 19 de Novembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

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