Sexta-feira, 7 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Se perguntasse às mulheres da minha família onde vivem os Hotentotes ou onde fica Kamchatka, haveria fortes probabilidades de a aspereza da resposta me deixar absorto.

 

Se porém fizesse a mesma pergunta a uma amostra dos meus amigos, por sinal uma boa récua de ignorantes, acredito que teria mais sorte - alguns saberiam pelo menos uma das respostas.

 

Isto tenho eu como certo, como tenho por seguro todo um recheado catálogo de preconceitos sobre mulheres, homens, alemães, segurança rodoviária e inúmeras categorias de pessoas, situações e assuntos.

 

Houve um tempo em que não era assim: o preconceito parecia-me sempre fundado na ignorância, pelo que era, bem... preconceituoso.

 

Porém, a vida ensinou-me que há preconceitos que se fundam na experiência: parece-me indesmentível, por exemplo, que o facto estatístico de as mulheres ao volante terem menos acidentes do que os homens resulta de se escamotearem do universo em análise os que elas provocam. E é assim em muitas coisas: escolhem-se uns dados e não outros, e chega-se ao resultado pretendido.

 

Mas se num concurso à escala nacional, sobre conhecimentos geográficos, com as mesmas regras para todos, os meninos ganharem sistematicamente às meninas (23 dos últimos 25 anos), e isto mesmo quando, lá como cá, elas vêm crescentemente evidenciando melhores resultados, teremos que concluir que entre homens e mulheres, afinal, há talvez mais diferenças do que as que saltam abençoadamente aos olhos.

 

E em a diferença traduzindo alguma superioridade masculina (a feminina não suscita reparos, a título de vingança por milénios de opressão, e compensação por em muitos lugares da terra essa mesma opressão ser ainda a regra) logo os maluquinhos do igualitarismo arreganham os dentes. O Professor Eric Clausen, que deve ser americano de gema, e por isso um litigante contumaz, levou o assunto a tribunal: tem que haver discriminação, senão os resultados são incompreensíveis.

 

A notícia não diz se o juiz era homem ou mulher. E, já agora, não sei a resposta à pergunta que este ano garantiu o título a um rapaz do Massachusetts. Se houver por aí alguma amiga que saiba, agradeço.

 


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