Terça-feira, 18 de Junho de 2013
por Carlos Faria

Na greve de professores, como em quase todas as greves, houve pessoas inocentes prejudicadas, neste caso estudantes. A injustiça não é ter havido alunos que não foram prejudicados, mas sim ter havido alguns prejudicados, mas não é ético que estes últimos prejudiquem colegas e ajam contra os primeiros.

Falta ética em muitos na classe política, é verdade infelizmente... tal como cada vez há menos ética nesta sociedade e eu por norma digo que os políticos em democracia são um espelho do seu povo. Insisto, jovens que prejudicam colegas também não agem com ética, mesmo assim, se vi quem agiu deste modo justificar-se nos OCS, não vi críticas a tal comportamento e isto espelha a nossa sociedade.

Este jovens são uma imagem do que será o futuro de Portugal: um País cada vez com menos ética, onde até a indignação e outros comportamentos serão feitos acriticamente sem ética, quiçá impunemente... depois não se admirem de monstruosidades que venham a surgir numa sociedade assim.


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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
por jfd

E pois que já adivinhava...

Cá estão os greveiros com coletes e tudo o mais. De panfletos em riste a minar o caminho para o meu trabalho. E ainda respondem se reclamo se estão no meu caminho e dentro da empresa... Gente reles. Digo eu. Desocupada, acrescento. Valor = zero.


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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

A propósito deste post de Alexandre Guerra...

 

O que move os "indignados" é a nostalgia por um welfare state que beneficiou a geração dos pais e das mães mas já não beneficiará tanto a actual geração de "jovens".

Os indignados são extremamente conservadores: desejam que tudo fique na mesma: a dívida, o Estado social, tudo. Só são progressistas em "matérias de costumes" (mesmo assim, nem sempre) e em matérias tecnológicas (quantos dos indignados não terão também participado nas injustificadíssimas homenagens a Steve Jobs?).

É difícil fazer uma revolução e propor ideia novas quando o objectivo não é alterar nada mas manter o que existe. E quando os pensadores indignados mais proeminentes são Stiglitz e Slavoj Žižek então a esperança pelo surgimento de novas ideias só pode ser nula.


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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Tiago Miranda (Expresso)

 

Em parte é verdade, em parte é mentira. A parte de verdade é esta: estamos endividados para cobrir os défices de funcionamento e as rentabilidades negativas de tantos projectos, por exemplo de construção civil, que serviram única e exclusivamente para injectar dinheiro nas empresas amigalhaças do poder político, nomeadamente a Mota-Engil. É possível que formalmente não haja ilegalidade nenhuma. Mas utilizar os trâmites legais para privilegiar interesses privados expoliando os contribuintes é, substantivamente, um roubo. Roubalheira, ladroagem: são palavras do povo, desagradáveis, deselegantes. Mas são as palavras que com maior propriedade podem classificar, por exemplo, os negócios entre os socialistas do partido e os socialistas da construção civil.


A parte de mentira é esta: estamos endividados porque a economia portuguesa nunca produziu o suficiente para financiar o nosso welfare state, nomeadamente os salários e as pensões da função pública, em particular dos que foram contratados antes de 1993. A dívida de hoje, neste caso, é o preço que as gerações actuais têm de pagar pelos salários e as pensões já pagos no passado a um conjunto de portugueses que se tornou classe média graças e, muitas vezes, por favor do Estado. A menos que se considere a função pública uma classe dominante e os seus rendimentos um roubo, aquela frase não é verdadeira.

 

Tiago Miranda (Expresso)

 

O Estado somos todos nós ("cada cidadão um político") também é só meia-verdade: somos quase todos nós quando o que está em causa é pagar impostos; é uma minoria (demasiado grande porém) quando o que está em causa é mesmo fazer parte do Estado, isto é, trabalhar para o Estado tendo um contrato vitalício, pensão de cem por cento ou próximo disso, acesso à ADSE e outras regalias.


A dívida de hoje é pois o resultado de dois factores: um, puro nepotismo e captura do dinheiro do Estado para servir interesses privados, interesses que são depois defendidos com recurso às narrativas/mentiras da modernização e do Portugal é o único país que ainda não tem isto nem faz aquilo...; dois, a expansão desmesurada de um welfare state sem ter em conta o fraco crescimento económico e, até, o efeito negativo que essa expansão teve/tem no próprio crescimento, um welfare state perverso que consiste em tributar o todo para garantir o bem-estar de um número excessivo de funcionários públicos e subsidiodependentes, número este que quanto mais aumenta mais rapidamente conduz o próprio sistema à falência.


P.S.: Ao ver as fotos nos dois linques do Expresso, a impressão que tenho é que os "indignados" não chegaram sequer a um milhar.


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Domingo, 16 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

A propósito deste post de Luís Naves...

 

Simplificando muito, o Occupy Wall Street quer (ou deveria querer) mais regulação: está certo, têm razão se for isso que exigem; os indignados europeus querem mais Estado, mais protecção social, enfim, querem mais do mesmo: a fórmula exacta que nos trouxe precisamente ao descalabro actual.

Concordo que os "indignados europeus" parecem não saber o que é a democracia (por exemplo, "Democracia Verdadeira = Populismo do Pior" partes 1, 2 e 3). Onde está o linque para aquele texto do Vasco Pulido Valente em que ele afirma que a democracia é também um conjunto de formas? Está aqui.

Finalmente, eu tenho defendido que a melhor solução para Portugal é uma renegociação da dívida (por exemplo aqui e aqui e acolá), o que é tão inevitável como o default grego, que aliás já começou com Sarkozy a forçar os bancos franceses a aceitarem um hair cut. E parece-me também que quanto mais cedo melhor. Esperar pelas eleições na França e na Alemanha é esperar demais (também aqui e ali).


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por Luís Naves

Nuno Ramos de Almeida cita aqui Slavoj Zizek, mas o filósofo estava a copiar Paul Krugman. É engraçado. O momento Wile E. Coyote do filósofo é bem diferente do original do economista, este com data de 2007.

Existe uma crise no capitalismo? Parece evidente e concordo com muito do que afirma Slavoj Zizek. Mas a crise da originalidade na filosofia neo-marxista parece ser bem séria.

De qualquer forma, Nuno Ramos de Almeida devia ponderar no fenómeno das ilusões sistemáticas.

A metáfora de Krugman dizia respeito ao problema estrutural da economia americana, tinha a ver com o excesso de endividamento da Era Bush e com a necessidade de um dia o país mais poderoso do mundo ter de enfrentar a sua cruel realidade, tal como faz o coiote dos desenhos animados, ao perceber que não há chão que o sustente e que debaixo dos pés não tem senão o vazio. O artigo de Krugman é ainda mais famoso porque antecipa a crise financeira e, num outro texto, a crise grega.

Nós, portugueses, também estamos num típico momento Wile E. Coyote, pois chega a factura pesada das fantasias que nos venderam nos últimos anos.

Deixo um Link com a intervenção de Zizek. Leiam a história que ele conta sobre o prisioneiro enviado para a Sibéria e da carta aos amigos. Havia um código para enganar a censura: escrito a azul, era tudo verdade; a vermelho, tudo mentira. Ora, a primeira carta chegou escrita a azul, falando das maravilhas na Sibéria, excelente clima, a boa comida, instalações óptimas, guardas simpáticos. Só havia um problema, era impossível comprar tinta vermelha.

Portugal viveu na mesma ilusão de que tudo estava a correr bem e ignorou os avisos das cartas com tinta vermelha, pois as pessoas só queriam ler as que vinham escritas a azul.


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Sábado, 15 de Outubro de 2011
por Luís Naves

Acho saudável que uma democracia tenha formas de canalizar o descontentamento da população, como é o caso da manifestação dos indignados que está a decorrer em Lisboa (vi na rua o início do protesto).

Já fico mais preocupado com as respostas (e algumas das perguntas) que vi em reportagens na televisão.

As pessoas manifestam-se naturalmente contra as medidas do governo, mas deviam ter protestado em devido tempo contra a troika. Deviam ter votado contra os partidos que aceitaram o acordo do memorando. As metas do acordo são claras: 5,9% de défice orçamental este ano; 4,5% no próximo. Se não conseguir alcançar estas metas, Portugal ficará sem financiamento externo e a sua economia estará numa situação muito pior do que a actual. Não haverá apenas cortes nos salários dos funcionários, deixará de haver dinheiro para pagar esses salários. 

Não é possível ter sol na eira e chuva no nabal. Por outro lado, não compreendo o catastrofismo de alguns analistas, como se não esperassem o que vinha aí, como se isto fosse tudo uma grande surpresa para eles. É ler-se a imprensa de hoje, está por todos os lados, escrito pelos mesmos que há duas semanas exigiam cortes na despesa e se espantavam pela sua ausência. Mas estes analistas não sabiam o que nos esperava? Não sabiam o significado do que eles próprios pediam, em artigos onde rasgavam as vestes?

 

Uma reflexão final sobre os indignados. Nos EUA, os manifestantes do Occupy Wall Street dirigem-se com maior nitidez aos abusos do sistema financeiro e dou por mim a concordar com grande parte do que dizem. Parece-me evidente que estamos nas fases iniciais de uma profunda crise do capitalismo e que é preciso maior regulação.

Já o movimento europeu é confuso. Tem as mesmas características populistas do movimento americano, de anti-política, mas em quantidades que me parecem tóxicas. A rejeição dos partidos e o processo de decisões anárquico, que facilita as manipulações e as chapeladas, são retrocessos da democracia, não são avanços. As assembleias gerais populares são facilmente manipuláveis.  E ser do contra porque parece moderno não resolve nenhum problema da sociedade.

Também não entendo a exigência de "democracia participativa". O país a ser governado na rua, por assembleias populares? O governo por sondagens ou pelas redes sociais?

Uma senhora está neste momento na TV a dizer que "a gente não paga a dívida". Isto é apenas outra fantasia, como aquelas em que este país viveu nos últimos anos. Claro quer vamos pagar a dívida, pelo menos enquanto os credores nos exigirem isso, pois a alternativa é um retrocesso ao nível da Albânia. Se fizermos o que os indignados querem, o país vai à falência e fica isolado. O que temos é mau, sem dúvida, os nossos "amigos" externos são duros, mas o poder da rua não passa de uma ilusão cruel.


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