Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
por José Meireles Graça

Recebi no telemóvel uma mensagem informando-me que até ao dia xis o meu carro teria que ir à inspecção periódica.

 

Embirro com esta modernice pateta: a ideia de que os automóveis podem ter condições deficientes das quais os condutores não se apercebem mas um mecânico apressado e distraído, cuja consulta é obrigatória, sim. Excluo o caso de uma minoria de senhoras e cavalheiros de idade provecta, em geral portadores de chapéu, que regra geral não fazem a menor ideia de condução, segundo análises empíricas que o tempo consagrou.

 

Há por certo automóveis que circulam com pneus em condições deficientes ou os travões em mau estado. Mas isso tem que ver com a idade dos veículos e a falta de recursos dos proprietários, não com a falta de desvelo do Estado a impôr inspecções, fiscalizações, conselhos e multas. E o que custa toda essa parafernália de controlos, papeletas e inspecções teria melhor uso no bolso dos contribuintes, que não são nem suicidas nem tão estúpidos quanto o legislador e as associações de consumidores os fazem.

 

Cidadão moderadamente cumpridor, sobretudo em havendo a perspectiva de multas terroristas, pedi a um colaborador (cujas funções nada têm que ver com automóveis, numa pequena manifestação concreta daquela gestão abusiva que é a marca d'água de alguns pequenos gestores) que levasse à cerimónia da revisão o veículo em questão.

 

Assim foi. Mas - ó desgosto! - no regresso o funcionário vinha pávido, e disse-me cavamente, ao mesmo tempo que me apontava uma linha num papel verde: pode circular mas puseram reservas.

 

Baixei os olhos para os dizeres e lá vinha, como uma condenação ao degredo: Código 840 - Matrículas - Materiais deformados ou deteriorados.

 

Mas que p. de merda é esta? - berrou a minha costela popular do Vale do Ave. E a resposta veio, cortante: o fundo amarelo na indicação do ano na matrícula está descolorido. Se não substituir as matrículas e for apanhado parece que a multa não é pequena.

 

A indicação do ano de registo nas matrículas serve apenas para denunciar aqueles que importam carros usados, protegendo abusivamente os concessionários locais; o fundo amarelo não é mais do que a manifestação do gosto piroso de um qualquer legislador com a mania que é designer; e o fundo azul e as estrelinhas na outra ponta são propaganda europeísta.

 

São grandes, as matrículas portuguesas. E precisam: para nelas caber tanta asneira.


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