Segunda-feira, 9 de Julho de 2012
por Judite França

Lamentavelmente andei por aí sem poder vir aqui: e isso faz com que vá acumulando tudo na ponta dos dedos. E de tudo o que tenho acumulado, dedico esta fuga ao quotidiano a D. Januário Torgal Ferreira.

Não a propósito do que disse sobre a paciência dos portugueses - autênticos insultos -, nem sobre a reforma de 4400 euros - que tornam os insultos mais pérfidos. Dedico-me antes ao espanto de quem ouviu os impropérios, o que demonstra uma falta de atenção grave, e à habitual ausência de reacção por parte da comunidade católica portuguesa, que foge de uma polémica como o diabo da cruz.

Quem se espantou com estas declarações esquece que o bispo das Forças Armadas já disse coisas piores. Como quando aludiu à legítima defesa, garantindo que não daria a absolvição a quem, em batalha, matasse sem a garantia de que o fazia apenas em perigo de vida.

Sendo o capelão das Forças Armadas, D. Januário deveria saber várias coisas: uma é que, em plena guerra, a fronteira de legítima defesa é fina e frágil como a dúvida de quem teme pela vida. E, perante o perigo constante, é difícil de perceber se o impulso movido pelo sentimento mais aterrorizador de quem se confronta com a morte todos os dias pode ser exagerado, levando a que a arma dispare cedo demais. O medo é que seja tarde demais.

Depois disto, «bocas» sobre a paciência dos portugueses são graves. Mas mais grave é saber que a igreja perante isto nada faz. Não se espantem com o resultado que está à vista: não há rebanho que aguente.


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