Sábado, 19 de Maio de 2012
por José Meireles Graça

José Luís Arnaut é um político tranquilizador: homem de aparelho, não se lhe conhece um dito, uma iniciativa, uma opinião que se afaste da linha oficial do partido a que pertence. Se o PSD estiver em estágio de oposição, e por isso se divida nas clássicas tendências capitaneadas por um qualquer barão, Arnault escolhe o seu cavalo, como os mais, e aposta. Esta característica é talvez exacerbada no caso do PSD, por razões históricas, mas não é essencialmente diferente do que se passa nos outros partidos de Poder.


Desculpem lembrar banalidades: não há Democracia sem partidos, por muito que nos custe; não há partidos sem máquinas partidárias, por muito que nos aborreça; e não há máquinas partidárias sem pessoal que as municie, por muito que quem não tem jeito, vontade ou espírito de sacrifício e compromisso para encetar uma carreira política, o deseje.


Por mim, acho os políticos vulgares necessários e úteis. Deus nos livre de amadores a jogarem o jogo político - quando chegam a adquirir alguma experiência já fizeram, se forem determinados, estragos avonde.


O dia-a-dia é assim. Mas na vida das sociedades, de longe em longe, aparecem situações de bloqueio, para cujo deslaçar os políticos vulgares carecem de referências.


Estamos num desses momentos: o Euro e a UE não precisam de quem insista nas mesmíssimas receitas que nos trouxeram até aqui, e menos ainda de quem persista num projecto a afundar, com o teimoso expediente de, em vez de alijar carga, despejar menos água do que a que entra na embarcação.


O Euro precisa de ser liquidado ordeiramente, e a UE de fazer marcha-atrás na integração, regressando a uma Comunidade Económica, por oposição a uma Europa a caminho de teoricamente Federal, e realmente um IV Reich inviável.


Claro está que, enquanto isto não fica claro - e não ficará tão cedo - casos de esquizofrenia colectiva como a Grega (não querer a moeda própria, que os defende deles mesmos, e querer a moeda de outros, que os obriga a ser o que não são) não podem senão despertar reacções de incompreensão.


Quando Arnaut se refere à Grécia nos termos em que o faz (a partir do 20º minuto) não está apenas a repetir uma necedade que deve ter lido em qualquer parte, como parte de um argumentário tolo para desvalorizar o nacionalismo grego (se o argumento que usou tivesse consistência, os Gregos não seriam Cristãos Ortodoxos, seriam Muçulmanos, nem falariam Grego, Demótico ou outro, falariam Turco); está a confessar a impotência e incompreensão da política velha face a fenómenos novos.


Que a sempre voluntariosa esquerda okupa tenha aproveitado o episódio para crucificar o precipitado Arnaut, por ver no Syriza o caminho que lá não está, e que isso tenha por reflexo despertado reacções de defesa do lado direito do espectro político, não tira nem acrescenta nada.


E talvez não fosse pior se, em vez de todos se recomendarem mutuamente o estudo da História, se dessem ao trabalho de efectivamente a ler, de preferência sem abandonar o espírito crítico e as armas do senso comum.


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