Quarta-feira, 4 de Julho de 2012
por José Meireles Graça

Não sei exactamente qual a percentagem dos meus concidadãos que acha que, a ser verdade que a causa principal dos acidentes de viação é o "excesso" de velocidade, todas as medidas que o reprimam salvam vidas - mas devem ser mais de 98% dos civis e 100% dos polícias.

 

Se em todo o Mundo se impusesse ao mesmo tempo o respeito de um limite de, digamos, 120 ou 130km/hora em auto-estrada, e se fossem instalados nos veículos limitadores electrónicos que impedissem ultrapassar aquele limite, o número e a gravidade dos acidentes viria por aí abaixo.

Certo? Certo - dizem os 98%.

 

Errado, digo eu. Porque, desaparecendo o incentivo para a concorrência entre os fabricantes de automóveis se fazer também pelas velocidades que os veículos podem atingir, ela far-se-ia por outros meios, descurando a segurança activa dos veículos, cujo progresso cessaria. Os automóveis são extraordinariamente seguros por serem projectados utilizando conhecimentos oriundos da competição automóvel e da investigação, com o fim de serem rápidos e poderem circular (e imobilizar-se) com segurança a velocidades largamente superiores às legais na generalidade dos países.

 

Não espero convencer - desafiar a intuição é tarefa votada ao insucesso. É como esta história, também sobre automóveis. Se eu não fosse tão naturalmente modesto, confessaria que já tinha pensado nisto.


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