Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A propósito do post anterior de Luís Naves...

Eu não sinto estranheza nenhuma: a violência das reacções às palavras de Cavaco Silva é explicada pelo factor do costume: o mesmo velho racismo social que escolheu há já décadas Cavaco  Silva como inimigo público número um.

No Portugal socialista que andamos a sofrer desde 1974, as simpatias são dirigidas exclusivamente aos aristocratas: soares, socialistas, militares e outros. Ao mesmo tempo, quem sobe a pulso vindo de família pobre é sempre desdenhado e detestado.

Uma grande parte da sociedade portuguesa tem uma inveja odienta ou um ódio invejoso a todos os que se fazem a si mesmos. Portugal odeia o mérito. E usa da mais rasteira falsidade para dar largas a esse ódio: ainda no outro dia ouvi um comediante popular acusar Cavaco Silva de ter sido toda a vida um privilegiado.


Por outro lado, as pessoas dão mais valor à forma do que à substância. Políticos fotogénicos, com verbo fácil e estilo mãe-galinha são preferidos a gente séria que diz o que pensa e diz a verdade sem eufemismos nem embelezamentos. Guterres, Sampaio, Sócrates foram preferidos a Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite.

 

Os portugueses preferem também a literatice à economia. As cabeças portuguesas não aguentam muito cálculo e as frases verdadeiras, directas e justas magoam muito os nossos sentimentos. Cavaco Silva é culpado de ser economista e isso é o mesmo que não ter literatura. Viveu em África e Inglaterra mas será sempre injustamente denunciado de "não ter mundo". Mas qualquer analfabeto de contas e finanças é louvado desde que seja republicano, socialista e laico.

 

A balança pende pois sempre mais para um soares do que um cavaco e isso explica muito da actual desgraça e frustração portuguesas. O resultado é esta triste vida poética em que se fala de Quinto Império, maçonarias, lusofonia mas só se encontra mediocridade, corrupção e subserviência canina a tudo o que não é nacional (o aborto ortográfico é só um exemplo entre um número infinito deles).

Gostaria que alguma dessas fábricas de teses de mestrado politicamente correctas, que afirmam que Portugal é muito mais racista, homofóbico e machista do que os outros países e do que os portugueses pensam, se debruçasse sobre este assunto: o racismo social e o ódio ao mérito neste país.


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