Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013
por Fernando Moreira de Sá

A Federação Distrital do Porto do Partido Socialista (PS) convidou Ricardo Bexiga para ser candidato deste partido à Câmara Municipal da Maia.

 

O Partido Socialista existe na Maia. É composto por várias centenas de militantes. A Juventude Socialista da Maia até conseguiu, recentemente, que um seu militante, João Torres, fosse eleito Secretário-Geral da JS nacional. O PS Maia elegeu, nas últimas autárquicas, três vereadores. Nos seus quadros locais não faltam homens e mulheres com larga experiência autárquica ao serviço do concelho da Maia (deputados municipais, vereadores, um antigo presidente da Câmara da Maia, etc.). Em suma, não seria por falta de “matéria-prima”. Por isso, a Federação Distrital do Porto desconsiderou o PS Maia. Ou, na opinião de outros, coincidente com a minha, o PS já desistiu da Maia.

 

O problema não é o facto do candidato não ser maiato. Não teria de o ser. Podia ser uma figura reconhecida, a nível nacional e local, pela sua vasta experiência política, pelo seu elevado prestígio. Podia. Porém, não é o caso. Ricardo Bexiga não conhece a realidade do concelho da Maia e as suas primeiras declarações como candidato provam-no: “A Maia estagnou”, afirmou ao Primeira Mão.

 

Nos últimos anos a Maia conseguiu, de forma espectacular, reduzir a sua dívida em mais de metade. O seu parque escolar foi renovado e novas escolas construídas. Os espaços verdes cresceram fortemente. A sua zona industrial continua a ser a mais forte do Norte de Portugal. A taxa de desemprego das menores da região. A qualidade de vida é reconhecida por todos e o crescimento do concelho é uma realidade comprovada pelos Censos. Não faltam espaços desportivos utilizados por todos. Não falta apoio social. A taxa de cobertura de saneamento básico é uma referência. Por isso, fica a questão: estagnou?

 

A realidade do concelho, da gestão levada a cabo pelo executivo de Bragança Fernandes, não ajuda a tarefa de nenhum partido da oposição. Por isso mesmo, nas últimas eleições autárquicas, Bragança Fernandes (PSD) teve um resultado histórico: + de 57%. O seu lema era “Maia, um concelho à frente do seu tempo” e se isso era verdade em 2009, continua a sê-lo em 2013.

 

Quando olho para a escolha que a Federação Distrital do Porto do PS fez, só posso concluir que o PS desistiu da Maia. Não escolheu um candidato com os olhos postos no futuro do concelho. Preferiu escolher um candidato que está de passagem ignorando, por exemplo, que a recandidatura de António Bragança Fernandes será, por força da actual lei, a última.

 

Na verdade, está de parabéns António Bragança Fernandes. Implicitamente, o PS, escolhendo Ricardo Bexiga, reconhece o mérito e a obra deste autarca que, nas próximas eleições autárquicas, vai saborear mais uma vitória. Justa e merecida.


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Sexta-feira, 1 de Junho de 2012
por Fernando Moreira de Sá

 

 

Foi no dia 1 de Junho de 2002 que fomos surpreendidos com o falecimento do Prof. José Vieira de Carvalho. Já passaram 10 anos.

 

Conheci o Prof. José Vieira de Carvalho no início dos anos noventa. Eu era um miúdo e ele um verdadeiro Senador. Durante cerca de uma década, e em especial entre 1998 e o seu falecimento, tive a honra e o privilégio de conversar inúmeras vezes com ele. O legado do Prof. Vieira de Carvalho é impressionante: o Metro do Porto, o TecMaia, a Maia, o ISMAI. Aquilo que a Maia ainda é hoje foi fruto do seu pensamento estratégico, da sua visão e da sua enorme capacidade de trabalho. Coisas tão simples e que hoje são consideradas como um dado adquirido eram, nos anos oitenta e noventa, exclusivo da Maia: o inglês nas escolas, a educação física para todos, as políticas ambientais, as medidas sociais de apoio aos idosos, a construção de habitação social verdadeiramente digna e tantas, tantas outras que são impossíveis de enumerar num mero artigo de blogue.

 

Vou destacar três: TecMaia, ISMAI e Metro do Porto.

 

Quando a Texas decidiu deslocalizar lançando no desemprego cerca de 900 trabalhadores, o Prof. Vieira de Carvalho olhou para o problema e transformou-o numa oportunidade. No mesmo local criou o Parque de Ciência e Tecnologia da Maia, Tecmaia. Hoje, passados estes anos, os resultados estão à vista: quase uma centena de empresas e quase dois mil trabalhadores.

 

Quando um grupo de professores decidiram criar uma instituição de ensino superior na Maia, o Prof. Vieira de Carvalho assumiu o projecto e juntos lançaram o Instituto Superior da Maia que, passados estes anos, se transformou na segunda maior instituição de ensino superior privado de Portugal e a maior do Norte, com seis mil estudantes e sempre a crescer, ano após ano, num mercado em queda desde 2005.

 

Quando José Vieira de Carvalho convenceu os seus pares e, conjuntamente com Fernando Gomes, lançou o projecto Metro do Porto, boa parte da classe política riu a bom rir. Passados estes anos, a Área Metropolitana do Porto está dotada de uma infraestrutura de elevada qualidade e que melhorou imenso a qualidade de vida dos habitantes do Grande Porto.

 

Quanto à Maia, nem é preciso explicar. Em 2002, quando o Prof. Vieira de Carvalho nos deixou, a sua terra - dizia ele que acima da Maia só Deus - era considerada como o concelho com melhor qualidade de vida em Portugal, em termos de políticas de ambiente sem concorrência a nível nacional e ombreando com os melhores exemplos do norte da Europa, com uma taxa de saneamento básico única no país (praticamente 100%), com uma rede viária de excelência, com equipamentos desportivos fantásticos e ao serviço da população e o concelho com as maiores taxas de crescimento. A Zona Industrial da Maia era a maior e mais pujante do Noroeste Peninsular.

 

O Prof. José Vieira de Carvalho teve direito a uma homenagem impressionante do seu Povo, da sua Maia, no dia do seu funeral. O Prof. Vieira de Carvalho, o Autarca e o Político que tanto fez pela sua Maia, pela sua Região e pelo seu país, ainda não teve a devida e merecida homenagem dos seus pares pelo impressionante legado que nos deixou. Pelo que conheci do Prof. Vieira de Carvalho, ele pouco se importará: a principal homenagem foi-lhe feita por aqueles que ele mais amava, no dia do seu funeral. E essa é a que verdadeiramente conta.

 

Já passaram 10 anos. Nós não esquecemos.  


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