Sábado, 4 de Agosto de 2012
por Joana Nave

Existem milhares de teorias sobre o ser humano e a sua capacidade ou incapacidade de sociabilizar. Por um lado, as pessoas que não têm amigos, ou são muitas vezes vistas sozinhas em público, são logo rotuladas como pouco sociáveis, mau feitio, antipáticas, manientas, e por aí fora. Por outro lado, um psicólogo poderá inferir uma teoria muito interessante acerca das pessoas que nunca vão sozinhas a lado nenhum. Uma pessoa que não vai ao café, restaurante, cinema, teatro, concerto, etc, porque não tem companhia, poderá sofrer de uma incapacidade de estar consigo mesma.

Eu sou uma pessoa sociável e, por vezes, até tenho bom feitio e sou simpática, embora não consiga abdicar das minhas manias. No entanto, gosto muito de estar comigo mesma e de fazer programas sozinha. Não me considero mais do que ninguém por poder fazer coisas acompanhada ou sozinha, simplesmente defendo os meus gostos e, se não for possível conciliá-los com os dos outros, não deixo de fazer nada por não ter com quem partilhar aquilo que gosto.

Concordo que é muito agradável poder partilhar com alguém aquilo que nos dá prazer, mas os meus hobbies preferidos - ler e escrever - são praticados em silêncio ou com uma música inspiradora. De facto, não preciso que ninguém me segure o livro ou a caneta. E a parte da partilha é o que faço, por exemplo, através dos blogues em que escrevo. O mesmo se aplica aos filmes que vejo, até porque acho insuportável que as pessoas comentem o filme enquanto o estão a ver (lá está a mania).

Já marquei mesa para um, já comprei muitos bilhetes individuais e a verdade é que me divirto imenso comigo mesma e reconheço que, se não formos uma boa companhia para nós mesmos, não o seremos para ninguém. Além disso, acho que é fundamental termos os nossos próprios interesses e não andarmos simplesmente à boleia dos outros. Quando alguém me convida para uma actividade que nunca experimentei, nem que mais não seja pela curiosidade, aceito quase sempre e com muito entusiasmo, mas só o farei de novo se a actividade for realmente do meu interesse. Acima de tudo, temos de ser em primeiro lugar verdadeiros connosco para depois o sermos também com os outros. Ninguém vai gostar mais de nós por estarmos a fazer algo que não gostamos. Fazermos algo contrariados pode criar mágoas e dissabores que de futuro não servem nenhuma relação.

Por isso, e com muito gosto, continuo a frequentar espaços como a Cinemateca, o King, a ouvir jazz, música clássica, ópera, e a ler autores portugueses, entre muitas outras coisas com que me rotulam de "intelectual". Pouco me importa! E tenho a certeza que fazendo estas coisas acabo por encontrar pessoas muito interessantes que partilham os meus gostos. Além do mais, amigo não empata amigo!


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