Sexta-feira, 21 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

As manifs no Brasil não têm propósito ou, melhor, têm os propósitos de cada grupo ou manifestante que se queixa do Estado porque é corrupto ou incompetente, porque não fez o suficiente pelos pobres, porque os políticos, mesmo os sérios, têm um estatuto e proventos que são para a maioria dos cidadãos uma miragem, porque há ainda, e cada vez mais, milionários cujo nível de vida é visto como um insulto para os que apenas têm um par de alpergatas, um prato de feijão e uma renda mínima; e ainda pelos comunistas, radicais e lunáticos de múltiplas declinações, especialistas da rua porque só ela lhes pode dar poder (a democracia burguesa do um homem/um voto pode eleger demagogos como Dilma, trapaceiros como Collor, e sindicalistas como Lula, mas comunistas só se forem travestidos de outra coisa qualquer). E há lugar ainda para os que farejam que os breves anos do crescimento via aumento de consumo e exportação para os outros tigres estão à beira do ocaso, que o acordo tácito entre o lulismo e o capital (pagais mais um pouco, com isso distribuímos milho aos pardais, e a bomba-relógio da revolta fica desarmada) já deu o que tinha a dar, e para inúmeros outros que acham que o Estado faz coisas que não devia fazer (estádios de futebol, por exemplo), em vez de lhes dar o dinheiro a eles.

 

Gente conhecedora da realidade brasileira, e sábios, grupos aos quais não pertenço, haverão com tempo de encontrar pontos comuns entre esta primavera e as outras que a antecederam ou que ainda decorrem, e falarão de redes sociais e aumento do nível de conhecimento, e por conseguinte de exigência, das massas, e de outras coisas que ignoro. E explicarão, caso a caso, as imensas diferenças: um Brasileiro não é um Turco, e os dois não fazem decerto um xiita ou sunita ou wahabita, ou qualquer outro dos fanáticos que por aqui ou por ali se matam alegremente.

 

Por mim, e enquanto espero que me iluminem, não dou nada para o peditório da suposta superioridade moral desta multidão festiva. Primeiro porque não sei o que pensam os que estão em casa, e esses são uma imensa maioria; depois porque o poder do dia, abominável a meus olhos, foi eleito e não tem feito nada que seja radicalmente diferente do previsível. E finalmente porque o exercício do direito à manifestação implica uma medida e um propósito: a medida consiste em não contender indefinidamente com os direitos, que são comprimidos, de quem não se quer manifestar; e o propósito consiste numa intenção anunciada. Os manifestantes contra a guerra do Vietname queriam que os soldados regressassem; os Líbios queriam o fim do regime de Khadafi (os que queriam). Estes nossos irmãos folgazões querem o quê? Mistério - até, muitas vezes, para os próprios.

 

O Poder já cedeu às reivindicações concretas (aumento do preço dos transportes, p. ex.), coisa que aliás não deveria ter feito, a menos que reconhecesse, com boas razões de interesse geral, que foi um erro. Porque se o Poder eleito cede perante a berrata porque tem medo, ou escolhe a facilidade, sem explicar claramente os seus motivos, o que a rua conclui é que ganhou. Mas a rua só ganha na aparência: há sempre o risco de aparecer o clássico caudilho para cavalgar o descontentamento.

 

O caudilho pode estar na própria Presidenta - a personagem de gramática sabe nada mas de rua, pés-descalços e demagogia sortida pede meças ao seu mentor, o intocável Lula.

 

Não vai suceder, creio. Que esta multidão cansar-se-á, e o Planalto atirará possivelmente mais algum milho aos pombos, e um açafate de promessas de virtude.

 

Pobre BRIC.


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Domingo, 3 de Março de 2013
por Carlos Faria

Não vou discutir quantas pessoas estiveram ontem na rua a manifestar-se contra o governo de Passos Coelho, vou mesmo aceitar o valor mais elevado de um milhão e meio em todo País lançado pelos organizadores, mesmo esquecendo os que matematicamente dizem que nem de perto cabem tantas pessoas quanto as referidas para o Terreiro do Paço e os Aliados.

Há de facto uma coisa que me une certamente a algumas daquelas pessoas que estavam a manifestar-se: a desilusão pela falta de reformas e a opção de se insistir quase em exclusivo na aplicação de medidas de austeridade no atual governo.

Mas é estranho que no meio de tanta gente não vi imagens com cartazes e slogans de ideias alternativas para Portugal, apenas deitar fora as imposições da troika, quem até assegura a curto-prazo muitos dos pagamentos do Estado Social e vencimentos. Não havia cartazes vindos do povo a ordenar como fazia a reforma no Estado de uma forma sustentável e justa.

Por enquanto não sei se os outros oito milhões e meio de portugueses que não foram à rua estão à espera que o Governo seja capaz de reformar de forma justa e eficaz o Estado como alternativa à austeridade e aumento de impostos. Eu pelo menos ainda desejo isso, mesmo sabendo que essas reformas possam também não ser aceites por todos os que vociferam com alguma razão contra tanta austeridade e os impostos.


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Terça-feira, 16 de Outubro de 2012
por Fernando Moreira de Sá


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Domingo, 16 de Setembro de 2012
por Alexandre Poço

As manifs de ontem tiveram uma grande adesão, ninguém pode negar. Porém, começou a circular por aí um valor de 500 mil pessoas em Lisboa e eu comecei a desconfiar, pois aprendi aqui há uns anos a duvidar destes números colossais, que rapidamente são avançados pelas organizações que promovem os protestos e depois, pelos media. Não vou dizer que não estiveram 500 mil pessoas (ou mais até) na capital. Daí dizer que duvido e não que discordo. E o motivo é o facto de ter assistido a uma conferência dada por um professor americano da Universidade do Arizona - Steve Doig de seu nome, Prémio Pulitzer for Public Service, à altura professor de uma cadeira do mestrado de jornalismo na Universidade Nova de Lisboa - na qual transmitiu aos presentes um método para contar o número de manifestantes numa manifestação. O método é explicado aqui, nesta notícia do Expresso de Novembro de 2010, e o objecto de estudo é uma manif anti-NATO (na altura, realizava-se em Portugal, uma cimeira da Aliança Altântica). 

 

Já agora, deixo aqui 2 artigos de dois blogs diferentes - insuspeitos por serem referenciados neste contexto - que peroraram sobre este assunto. Um texto do (in)confidências e outro do Da Literatura . Estou certo que hoje, 16 de Setembro de 2012, cerca de dois anos depois e após estes números, os autores dos textos continuam a lembrar-se do método de Steve Doig. 

 

Como diria Eduardo Pitta no texto supracitado: "Fica como matéria de reflexão."

 


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Sábado, 15 de Setembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Hoje, antes mesmo das manifestações, escrevi e expliquei (nas redes sociais) o motivo porque não iria. Agora, com mais tempo e espaço, explico o motivo de não ter ido.

 

Não, não fui. Respeito imenso todos aqueles que foram. Compreendo bem os motivos de muitos amigos que foram. A liberdade materializa-se de muitas formas e uma delas é a liberdade de expressão e participação em manifestações. Foi a forma escolhida por muitos milhares de portugueses. Mesmo muitos. Eu sou militante do PSD, do PSD que não desvaloriza a força de um movimento popular como aquele que hoje se viu um pouco por todo o país e em especial no Porto e Lisboa. Para mim é tão ou mais significativo os cerca de cinco mil manifestantes que estiveram em Braga como os 500 mil que participaram em Lisboa.

 

Escrevi nas redes sociais que não usaria a desculpa de estar a trabalhar para me escusar (mesmo sendo verdade que estava a trabalhar). Não, não foi por isso. Foi, como disse antes, por ainda ter esperança. A esperança de quem ainda acredita no Pedro Passos Coelho que conheci antes das directas, com quem tive o privilégio de debater ideias em encontros de bloggers, no Pedro Passos Coelho que a ouvia a opinião de tantos e tantas que agora talvez estejam adormecidos(as). Ainda quero acreditar. Não tanto por mim. Pela minha filha, pelos meus sobrinhos que acabaram de entrar na universidade, pela minha mãe e pela minha sogra que são reformadas. Pelo meu país.

 

Eu percebo bem, se percebo, os motivos que levaram tantos milhares de pessoas a ir para a rua. Percebo e conheço a realidade dos funcionários públicos e as razões que assistem a boa parte deles, daqueles que lutam diariamente com brio e profissionalismo em prol do bem comum, sem o devido reconhecimento e que, nos últimos anos, desde a chegada da troika, são tratados como se fossem parasitas da sociedade. Eu percebo bem, se percebo, a revolta dos trabalhadores do sector privado ganhando cada vez menos e trabalhando cada vez mais na permanente angústia de perderem o seu posto de trabalho por via da crise económica na empresa onde trabalham. E percebo, ó se percebo, o desespero de tantos e tantos empresários ameaçados de impostos, num verdadeiro esbulho fiscal, que limita o investimento e agrava a saúde financeira das empresas. E o números pornográfico de desempregados em Portugal? É verdadeiramente assustador.

 

Porém, também percebo que o caminho trilhado por Portugal a partir, sobretudo, dos anos noventa e agravado nos últimos anos, obrigando a uma intervenção externa humilhante por parte da chamada troika, nos obriga a mudar de vida. Penso ter moral para, hoje, escrever tudo isto. Apoiei Pedro Passos Coelho, sou militante do PSD, escrevi, pouco depois da tomada de posse deste governo que era preciso ter cuidado para não matar o doente com a cura. No primeiro aniversário do mesmo, voltei a escrever sobre o doente e a cura. Por várias vias, que não apenas estas, procurei chamar a atenção para diversos factores (RTP, QREN, política fiscal, Turismo, Economia, etc.). É essa moral que me obriga a sublinhar que o meu PSD não desvaloriza o que se passou hoje e só o PSD de gente fora da realidade o poderá fazer.

 

A mesma moral que me faz sublinhar que este caminho, em termos de política fiscal, nos pode conduzir à ruptura, ao abismo. Que não se pode tomar decisões políticas duras sem as explicar muito bem. Mesmo muito bem. De forma a que todos percebam os motivos, as razões e a fraqueza de eventuais alternativas. Que não se pode seguir um caminho que mais do que nos levar à pobreza nos levará à profunda miséria. Que não se pode exigir aos trabalhadores, à classe média e às PME medidas duras e, ao mesmo tempo, continuarmos, todos, sem perceber o conteúdo das famigeradas parcerias público-privadas e accionar os mecanismos legais que obriguem quem prejudicou o país a responder perante a justiça. Que nos expliquem o que se passa com o QREN, dinheiro que nem sequer é nosso, que está completamente parado e sem pagar a quem deve. Que não se mudam as regras a meio do jogo sem respeitar os direitos daqueles que não tiveram culpa nenhuma.

 

Eu quero lá saber do que diz Manuela Ferreira Leite, o que não diz Paulo Portas ou da lata daqueles que nos conduziram a esta desgraça e agora gritam contra a troika, a mesma que nos apresentaram como os salvadores da pátria. O que eu quero, o que a maioria dos portugueses desejam é ver soluções. É saber se temos responsáveis governativos que conhecem o mundo real e que não estamos perante fantásticos professores universitários, profundos conhecedores do pensamento dos diferentes teóricos da economia e das finanças mas que, para desgraça nossa, nunca geriram nem um simples condomínio quanto mais uma empresa. Será pedir muito? Será assim tão exigente pedir um pouco de senso comum, uma simples descida ao mundo real? Será assim tão difícil perceber que nenhum país sobrevive sem uma classe média minimamente forte? Será que não reparam que estamos a destruir a nossa classe média e que, dessa forma, se vai destruir o país? É isso que quer a troika? Para quê?

 

E quero, já agora, que tudo isto nos seja devidamente explicado. Sem amadorismos comunicacionais como aqueles a que temos assistido nos últimos dias. Em suma, eu quero política mesmo.

 

Hoje não fui. Não por considerar, e até considero, que uma crise política neste momento é o fim. Não. Eu não fui porque ainda tenho esperança. Ainda quero acreditar que o Pedro Passos Coelho que conheci, que ouvi, ainda existe neste corpo de Primeiro-ministro que os portugueses lhe vestiram.

 

Quando a esperança morrer, serei o primeiro a ir para a rua e lutar. Com muito mais força do que a utilizada quando foi preciso combater as políticas do anterior governo. De braço dado com aqueles amigos que hoje estiveram nos Aliados, com quem não estive nesta hora.

 

Por agora, quero continuar a ter esperança. A desesperar por ela. A acreditar em Portugal.

 


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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012
por José Meireles Graça

Eurogrupo só passa cheque a Portugal depois do Orçamento ser viabilizado

 

Excelente desculpa, lá vai o bom do Seguro votar a favor ou abster-se no orçamento, que de toda a maneira só quer eleições e ir para o Governo se este tirar as castanhas do lume.

 

Ou se não tiver outro remédio. Que o Senhor Presidente da Câmara de Lisboa, farto de vernissages e de estragar o trânsito, lhe morde os calcanhares porque tem a solução para o País: o programa de Sócrates, que seguiu e apoiou entusiasticamente, para o qual julga haver crédito; e, em não havendo, taxar os ricos para tornar o país mais competivo - Costa é um grande adepto da competividade, que defende com alguma indiferença pela Gramática e pelo senso.

 

Guerras florais. No fundo são peões de um jogo onde imaginam que têm alguma coisa que preste a dizer. Mas não têm, os senhores da troika, agora que o grosso das dívidas dos PIIGS foi transferido dos bancos para os "cidadãos europeus", não estão para embrulhar os diktats em excessivas delicadezas e dizem ao que vêm.

 

São credores e falam grosso. Qualquer credor fala grosso se achar que o dano que pode infligir é maior que o dano que pode sofrer e estiver certo que o devedor está ciente disso.

 

Se a classe dirigente achasse que nem a UE nem o Euro têm futuro; se fosse pacífico que não é possível haver crescimento com um Estado desmesurado e uma fiscalidade predatória; e se a opinião pública percebesse que a solidariedade europeia é uma mera desculpa para sustentar burocracias que administram os fundos e os distribuem, ao mesmo tempo que vão criando a gigantesca teia de regulamentos que peia a actividade económica e exige cada vez mais pessoal e recursos; e, por último, se a população não estivesse doutrinada por décadas de europeísmo, dereitos, pugresso a crédito e visse o Estado pelo que é - uma emanação nossa que não pode dar nada a ninguém sem o retirar ao vizinho - seria possível dizer aos credores:

 

Nós vamos pagar até ao último cêntimo, incluindo juros. Para isso, temos que crescer e para crescer o vosso programa não serve, porque o ritmo a que retira recursos da economia é superior ao ritmo a que razoavelmente podemos reformar o Estado e porque só podemos dar sangue se alimentados. Mas vamos fazê-lo e disciplinar as contas e o País, porque somos gente séria e simples, e já internamos o mayor Costa  e todos os adeptos da economia vudu. Por conseguinte aqui está o nosso Plano. É pegar ou largar. Se largarem, ficam a arder, nem que comamos erva.

 

Era preciso cojones, artigo de que há um grande défice: o que há é mais para manifestações e bifanas.

 

A troika pode ficar sossegada e dizer - e fazer - o que quiser. Se for à janela, vê um mar de cartazes. Ao fim do dia, os varredores limpam o lixo, como de costume.


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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2012
por Alexandre Poço

 


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Segunda-feira, 2 de Abril de 2012
por jfd

O BE chamou-lhe moção de censura ao Governo e à troika. O PCP falou em condenação ao Governo numa das maiores manifestações sociais que já assistiu (talvez seja melhor o PCP deixar de fazer o outsorcing da sua luta à CGTP ou vice-versa... ainda não entendi muito bem). A ANAFRE congratulou-se pelos 200 mil portugueses que vieram e estavam em Lisboa "(...)São os que nos estendem a mão que apertamos, os que nos contam os seus problemas, que partilhamos e gente anónima para outros, mas a quem chamamos pelos nomes(...)"

 

Saber da reacção do BE e do PCP tem realmente muito que se lhe diga.

Foi uma linda manifestação do que é a cultura da freguesia, do que é o interior e a identidade do país, não deixaram de nos fazer esquecer ao longo do dia. Até os verdadeiros manifestantes que subiam o Chiado ficaram para segundo plano perante a grande festa que se passou com início no Marquês de Pombal.

 

Foi bonito.

Este Governo quer romper com o passado. A batalha agora tomada é das mais complicadas, como se pôde ver. E das que mais desinformação vão gerar. Ora pensemos muito simplesmente; quantas pessoas vieram dar um passeio a Lisboa no sábado? Quantas vieram-se manifestar e do quê? Quantas sabem o que se passou na AR no dia anterior?

E já agora, quanto e a quem custou isto tudo?

 

 

Vejamos:

600 autocarros. 600€ em média cada um. Dá 360.000€. Dinheiro de quem?

A Transdev alugou cerca de 40 a Juntas de Freguesia de Coimbra e Aveiro

Cerca de 100 na Zona do Grande Porto.

Matosinhos também tem alugueres que são uma coisa doida.

 

Afinal isto é dinheiro de quem?

Do contribuinte?

Alguém tem de dar explicações!

 

Não sou a favor do incentivo da iniciativa privada com os dinheiros públicos. Compreendo a alegria das empresas, das concessionárias das auto-estradas e até das gasolineiras. Mas não para isto, nem a mexer no bolso dos portugueses.


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