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Forte Apache

Ser e não ser ou talvez não

Pedro Correia, 17.07.13

«Qualquer pessoa que conheça minimamente o PSD - e eu faço parte dessas pessoas - pensa que a última coisa que o partido podia aceitar seria essa proposta que o presidente do partido fez [ao Presidente da República]. Porque é primeiro-ministro mas é presidente do partido. É preciso não conhecer o partido - e ele conhece-o, com certeza - para pensar que o partido aceitaria uma coligação com o CDS-PP em que o CDS-PP fosse a parte mais forte dessa coligação.»

«Do ponto de vista do partido, era uma proposta que não tinha a mínima hipótese de ser aceite. Em qualquer órgão - o Conselho Nacional, o Congresso - seria iminaginável o partido aceitar.»

«Os partidos não aceitam tudo aquilo que os líderes dizem que querem fazer. É sempre bom consultá-los.»

 

«É evidente que o pedido do PS de eleições antecipadas tem muito de táctica e muito de interesse partidário e muito pouco de interesse nacional.»

 

Palavras de Manuela Ferreira Leite, no seu mais recente comentário na TVI 24.

Notável raciocínio: Pedro Passos Coelho é duramente acusado de não olhar aos interesses do PSD e António José Seguro é duramente acusado de só olhar aos interesses do PS.

A perigosa retórica antipartidos

Pedro Correia, 17.07.13

 

No seu habitual espaço de comentário da TVI 24, Manuela Ferreira Leite louvou o «belíssimo discurso» ao País do Presidente da República. Como seria de esperar. Chegou a dizer o seguinte, que aqui registo para memória futura: «Se a atitude do Presidente da República provocasse um terramoto interno nos partidos não seria mau. Se há coisa sobre a qual a opinião pública não tem uma boa opinião é relativamente aos partidos», havendo portanto que «metê-los na ordem».

Anotei a perfeita sintonia destas palavras com declarações quase simultâneas de Rui Rio, também em claro elogio ao inquilino de Belém. «Não sei se os partidos se conseguem entender. Mas foi-lhes dada pelo Presidente da República uma oportunidade única de se poderem credibilizar perante a opinião pública», declarara horas antes o presidente da Câmara Municipal do Porto.

Começa a fazer caminho, entre as personalidades que têm como principal referência política o actual Chefe do Estado, a ideia de que a democracia portuguesa está degenerada por culpa dos partidos.

É um caminho perigoso e que contradiz todo o património histórico do PSD desde os tempos do seu fundador, Francisco Sá Carneiro.

Vale a pena reler com atenção a última entrevista concedida por Sá Carneiro, publicada no próprio dia da sua trágica morte, a 4 de Dezembro de 1980, na revista espanhola Cambio 16. «Eanes, com este projecto impossível de acordo entre os socialistas e os sociais democratas, é um factor de instabilidade», criticava o malogrado fundador do PSD, visando o então Presidente da República, a quem acusava sem rodeios: «Eanes é um homem que provoca crises nos partidos porque tem uma visão da política que é a do poder pessoal.»

A história repete-se, com mais frequência do que muitos imaginam. Não deixa de ser irónico que Cavaco - ex-ministro das Finanças de Sá Carneiro - sirva hoje de bandeira à retórica antipartidos emanada de alguns dos seus apoiantes mais notórios.

 

Imagem: Cavaco Silva e Sá Carneiro em 1980

Importa-se de repetir? (XXII)

Sérgio Azevedo, 05.01.13

Manuela Ferreira Leite que, entre outras coisas, foi a responsável pelo maior aumento da carga fiscal numa situação fora de "crise", diz hoje no Expresso que o défice de 3%, de resto inscrito no pacto de Estabilidade e Crescimento, não pode ser considerado "senhor absoluto". Uma opinião interessante para quem em 2008 defendeu a suspensão da democracia por seis meses para se "pôr tudo na ordem".

Vergonha, procura-se

jfd, 19.10.12

Manuela Ferreira Leite precisa de encontrar vergonha na cara.

 

 

Este tipo de declarações, opiniões ou verborreias cerebrais em nada ajudam Portugal e o seu futuro.

Além disso MFL e todos os que fazem parte da geração que nos $%$%&%$% e agora estamos a pagar, deviam era estar calados e aplaudir um Governo que não lhes prestam vassalagem mas sim se devotam ao futuro da Nação.

Tenha vergonha na cara Professora!

Eu quero que os barões do PSD se afoguem nas suas baboseiras

Reformismo? Que seca...

jfd, 18.04.12

Não me espanta a conversa de Manuela Ferreira Leite. Deixa-me é cada vez com mais certeza de que estamos no caminho certo quando se juntam os velhos do Restelo para manter o status quo criando lastro desnecessário num Portugal que cada vez mais tem de se largar do passado e construir um futuro neste presente.

 

Em declarações à SIC Notícias, Ferreira Leite considerou que "seria absolutamente inoportuno, num momento destes, se alguém se lembrasse de fazer uma reforma da Segurança Social. Os problemas que existem neste momento são, esperemos, de curto prazo, conjunturais, e não se pode mexer num sistema que tem a ver com a nossa perspectiva de futuro, de longo prazo".

 

Diz ainda a mesma fonte:

 

A ex-ministra das Finanças lembrou que fazer mudanças no sistema da segurança social nem teria efeitos imediatos

 

Ao que eu respondo: A sério? Mas será que ainda não entrou na cabeça de certas pessoas que se está a pensar nas próximas gerações e não no imediato como sempre foi feito? Aliás, esclareço: beneficio das próximas gerações e não seu constante sequestro pelos desvairos do presente e recente passado.

 

Bolas!

Direito de ser maluco

Mr. Brown, 11.01.12

Por absurdo, podemos estar perante a pessoa mais rica do país que, para não passarmos por malucos, temos de lhe atribuir o direito de fazer hemodiálise de "borla" - e quem fala de hemodiálise falará de muitas outras coisas. Talvez se prestassem um bocadinho mais de atenção ao que Manuela Ferreira Leite diz percebessem o que está em causa: «O que não é possível é manter-se um Sistema Nacional de Saúde como o nosso, que é bom, gratuito para toda a gente. Para se manter isso, o Sistema Nacional de Saúde vai-se degradar em termos de qualidade de uma forma estrondosa».