Segunda-feira, 1 de Abril de 2013
por Dita Dura

O Twitter é uma rede social ou um site de microblogging ou aquilo que lhe quisermos chamar. Seja o que for, é um lugar para onde converge cada vez mais gente de todos os lados do mundo. Se quisermos estabelecer uma comparação, o Facebook é a televisão e o Twitter a rádio: um é mais visual, outro com mais imediato; um mais passivo, outro mais comprometido; um mais rigoroso, outro mais próximo. Por isso mesmo, há cada vez mais casos de responsáveis mundiais, como qualquer presidente ou o próprio Papa, que o utilizam para comunicar de forma simples e directa, assertiva e eficaz. A principal razão do sucesso é ser uma ideia clara, com conceitos muito básicos e sem grandes regras. E no final acaba por ser quase viciante.

 

Não deixarei de ser humilde se disser que o meu caso é de sucesso: sou das pessoas em Portugal com maior notoriedade no Twitter, com vinte e cinco mil seguidores e, muito mais importante, com mais conectividade e replicações de mensagens. De nada serve ter dezenas de milhares de seguidores inativos, de proveniência duvidosa, ou a quem somos indiferentes. Por isso mesmo, a melhor forma de medir a grandeza da interatividade de um utilizador é através da combinação de vários factores, como os retweets, menções, listagens, mensagens diretas e nível de correlação com outros sites. Podemos dizer que esta medição não é importante para quem busca apenas o divertimento, como eu, mas gostaria de parar um pouco para reflectir sobre a eficácia da publicidade no Twitter. Sendo à primeira vista um site tão minimalista, será possível e conveniente uma empresa investir neste campo? A minha primeira resposta é que não é desejável que haja uma inundação de empresas e marcas a fazerem spam a torto e a direito. Mas o meu caso prova que se for feito de forma congruente, pode ser muito mais eficaz do que qualquer campanha na televisão e alcançar mais público do que um outdoor numa rua movimentada.

 

O que é a Dita Dura senão uma marca? Ninguém sabe quem eu sou, mas toda a gente que me segue fixa atentamente quando vê o “D” maiúsculo num noticiário na TV, ou uma referência na rádio ou num jornal. Qualquer marca pode conseguir o mesmo com uma estratégia bem delineada e, longe dos conceitos tradicionais de marketing, com um estímulo de emoções em perfeita sintonia com as necessidades de quem está do outro lado. E a primeira dificuldade de alguém que se assume como anónimo é conseguir um certo nível de empatia, mas isso é possível através de certas técnicas muito simples, que incluem a ideia de neutralidade perante todos os utilizadores e a amizade com cada um. Se não me posso aproximar fisicamente de ninguém e ninguém pode saber quem sou, a melhor forma é manter esse mistério e tentar que seja uma aura que sirva a todos. Também seria impossível, ou demasiado desgastante, responder a todas as menções e temas, por isso o melhor é dispersar ao máximo e efectuar uma limitação de assuntos e variações sobre o mesmo tema. No entanto, tenho preferências e opiniões, gosto de as discutir e ter medo delas apenas me tornaria distante e inacessível. A junção de todos estes elementos mostra claramente que é possível haver verdadeira empatia sem interação, não apenas uma ilusão de sensações.

 

Não pude deixar de tirar estes apontamentos, numa altura em que tanto se fala de social media, tantas vezes por pessoas que estão a milhas da realidade. O segredo está em conhecer do que se fala e tirar partido das particularidades e especificidades das redes sociais, ao mesmo tempo que se deve entender como as pessoas agem, sentem e são nestes sítios. No meu caso, a parte do processo criativo não é cansativa ou morosa, porque acontece em todo o lado: na rua, no semáforo, na casa de banho, numa fila de espera. Basta ter o telemóvel e, ao todo, não dura mais de quinze a vinte minutos por dia. É simples e, acima de tudo, muito divertido. O meu prazer é o mesmo de milhões de utilizadores de todo o mundo e o meu objectivo esgota-se nesse mesmo prazer.


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Segunda-feira, 18 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

 

 

Um dia destes, quando entrei no supermercado para comprar iguarias tão prosaicas como batatas e cebolas, dei de caras com este livro.

Ora, na altura em que eu tinha uma carreira nas andanças dos marketings e das publicidades, uma das tarefas pela qual era remunerada era a de tentar descobrir um argumento irrefutável que fosse capaz de vender uma catrefada de unidades de um produto.

De maneira que, perante o título “Marketing da Mulher - como conquistar o que precisa para ser feliz”, não resisti a abrir o livro ao acaso para ver se dava de caras com um qualquer conselho que me atirasse para a categoria de mercadorias que se esgotam nas prateleiras.

 

O único parágrafo que li (e não foi preciso avançar mais porque me deu logo material para gargalhar toda uma tarde) dizia qualquer coisa do tipo “quando sair pela primeira vez com um homem que lhe interesse, esqueça o seu passado. Você não tem mãe, nem pai, nem primos, nem vizinhos. Seja só você mesma no presente”.

 

Isto deixou-me na dúvida se, no meu caso específico, no hipotético cenário de um dia ter de voltar a sair para ir jantar com “homens que me interessem”, é melhor seguir o conselho à risca (omitir com todo o fervor que tenho quatro filhos e que uma tem Síndrome de Down – nem digo que é mongolóide, que é para não piorar a situação), ou atirar logo com toda a informação de chofre, que é para não me ver em futuros apuros.

Supondo que é o Colin Firth quem me convida para jantar, não tenho qualquer dúvida de que o melhor é quedar-me que nem túmulo, não vá o senhor dar corda aos sapatos antes da chegada da Vichyssoise. Com um Colin Firth não se arrisca, mente-se com quantos dentes se tem na boca.

 

Já em qualquer outro caso, se coloca o incómodo de podermos vir a ter um segundo, terceiro ou quarto encontro. E aí começo a ficar na situação da mãe da minha amiga Maria, que usava dentadura postiça quando se casou e que o marido só descobriu uma data de tempo depois. “Nunca me perguntaste” foi o argumento que ela utilizou, acrescentando que nunca há um momento certo para se comunicar a um futuro marido que se usa dentadura.

 

Bem vistas as coisas, talvez o melhor seja ir por aí. Esperar que a outra parte pergunte “porventura tens quatro filhos e uma é mongolóide?” para eventualmente abrir o jogo e esclarecer a questão. Até lá, vou ser só eu no presente, que isso sim, é Marketing.


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