Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012
por José Meireles Graça

O caso do massacre do Connecticut despertou reacções acaloradas: toda a gente tem uma opinião sobre a liberdade do uso e porte de arma, e, singularmente, fica pouco atrás de tachar de imbecil quem tenha opinião contrária.

 

De um lado está a legítima defesa: se os criminosos agem com armas, por que razão o Estado não as haverá de permitir a quem deles se quer defender?

 

No caso da escola Sandy Hook, os professores e restante pessoal poderiam, se tivessem armas, como aqui se diz, defender as crianças e poupar vidas. Diz-se isto e acrescenta-se que o mesmo Estado que limita a liberdade dos pais de enviarem os filhos para os estabelecimentos que entenderem, incluindo aqueles onde a segurança estivesse garantida, não garante de nenhum modo a protecção das crianças nos estabelecimentos públicos.

 

Depois, quem tem um genuíno amor da liberdade aceita mal que um Estado invasivo, que já hoje regula de forma confiscatória o que cada um pode conservar do que ganha ou lhe pertence; acabrunha com licenças, autorizações, multas e alcavalas infinitas a actividade económica; penaliza comportamentos desviantes da norma na alimentação e nos vícios; e de forma geral invade a esfera privada de cada um ao sabor das opiniões da maioria dos cidadãos ou de políticos ou departamentos públicos supostamente iluminados - venha pôr limites ao exercício do direito de legítima defesa.

 

As estatísticas ajudam pouco: dizer que há menos criminalidade nos países onde as armas são raras não deixa espaço para diferenças culturais e históricas, que podem explicar melhor as estatísticas do que a simples constatação da existência de correlacções.

 

Instintivamente, estaria do lado dos libertários: é sempre à boleia de causas que a maioria acha justas que o Estado vai lentamente ficando omnipresente e opressor.

 

Mas, desta vez, não estou. Porque toda a gente é capaz, se dispuser de uma arma e as circunstâncias o proporcionarem, de agir ou reagir sem medida. E a multiplicação das armas propicia a multiplicação dos incidentes fatais. Que isto possa conduzir a situações em que a inexistência de uma arma faça mais mal que bem é detestável - mas menos do que a alternativa.

 

Isto digo eu que sou Português. Diria provavelmente outra coisa se fosse Americano - na nossa história nem há uma conquista do Oeste nem os varinos são cowboys.

 

Ah, e ao menos desta vez não acho que quem tiver uma opinião diferente da minha seja um irremediável pateta.

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Terça-feira, 24 de Julho de 2012
por jfd

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