Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012
por Sérgio Azevedo

O Governo de Moçambique autorizou as alunas islâmicas usarem "a todo o tempo" o lenço islâmico nas escolas. Apesar de não estarem dispensadas de usar o uniforme escolar, obrigatório aliás para todos os estudantes, a permissão para o uso do lenço islâmico prende-se essencialmente com o "reconhecimento de um direito consagrado na Constituição". Uma pequena lição de liberdade e de democracia a algum mundo ocidental tido como civilizado.


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Quinta-feira, 5 de Julho de 2012
por Miguel Félix António

Volto a aterrar, desta vez sentado no “D. João de Castro”, no Aeroporto Internacional de Maputo, precisamente no mesmo mês, mas 21 anos depois da última vez que de lá descolei, onde tinha ido na altura por ocasião da reunião da Assembleia Geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), organização em boa hora fundada por Nuno Abecasis em 1985.

 

A viagem de mais de 10 horas de duração dá para verificar que a TAP continua a ter um serviço confiável e de excelência, pesem embora alguns percalços, como overbooking e televisores avariados; de qualquer forma, a simpatia e o profissionalismo do pessoal de bordo atenua estas e outras contrariedades. Interrogo-me, a propósito, sobre a pertinência de se avançar para a alienação deste activo que tanto contribui para a promoção de uma boa imagem do país no exterior…

 

Permite também a longa jornada uma agradável troca de impressões com o passageiro ao meu lado, por sinal um gestor de uma grande empresa portuguesa que vai assinar os acordos de Cahora Bassa, dossier de inegável importância para a estabilização do relacionamento entre portugueses e moçambicanos.

 

Falamos, designadamente, do potencial que se abre às empresas portuguesas com a ampliação do mercado moçambicano e das oportunidades que espreitam, mesmo para as pessoas individualmente, nos mais variados sectores da economia. 

 

Notam-se muitas diferenças relativamente há duas décadas, como que a cidade a querer explodir de progresso, de crescimento, com uma pujança que contrasta com outros ciclos, noutros países, noutros continentes.

 

Os sinais desta dinâmica estão mesmo à nossa frente: muito mais automóveis a circular e, portanto, tráfego intenso, ao mesmo tempo que escasseia o estacionamento, o que até já levou à instalação de parquímetros na baixa da cidade; a reabilitação das redes viárias e do parque habitacional e, por outro lado, a construção nova; comércio mais diversificado; novas empresas que se instalam para vender os seus bens e serviços, porque a procura aumentou; enfim, mais vida a funcionar.

 

Vários são os grupos económicos portugueses e outros que lá nasceram e que direccionaram posteriormente as suas actividades para Portugal, como é o caso do Grupo Entreposto, que estão pujantes e que fazem parte da base do desenvolvimento do país.

 

Permanece como não podia deixar de ser, a beleza do território, o ambiente multicolor, o encanto e a simpatia da população, o cheiro, sim o cheiro a África, que só quem já pisou estas terras conhece, ao mesmo tempo que nos pode invadir uma sensação nostálgica que mesmo quem nunca lá esteve antes facilmente experimenta. 

 

Essa nostalgia, no meu caso, poderia advir da circunstância de em 1974 e caso não tivesse ocorrido o “25 de Abril”, o meu pai ter sido mobilizado para desempenhar as funções de Chefe do Serviço de Saúde do Comando Naval de Moçambique…

 

A capital moçambicana, literalmente em cima do mar, foi planeada de forma magistral, com avenidas muito bem traçadas, amplas, que ajudam qualquer forasteiro a orientar-se nas suas deslocações, pese embora a condução se faça “à inglesa”, isto é pela esquerda, fruto da influência anglo saxónica que o território acolheu desde há muito.

 

Foi em Moçambique, onde estive pela primeira vez em 1989, apesar de já conhecer à época 2 ou 3 países africanos, que verdadeiramente senti o que era África, na sua dimensão, na sua peculiaridade, na sua abrangência, na sua própria natureza.

 

Agora, 21 anos volvidos sobre a minha última deslocação a Maputo renovou-se a experiência muito gratificante.


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