Terça-feira, 23 de Outubro de 2012
por Rodrigo Saraiva

Fizemos ontem um especial dedicado ao Prémio Nobel da Paz, com o desafio de a quem atribuiríamos o galardão. Utilizámos textos que já estavam escritos e outros foram-no no domingo ou mesmo ontem. Nenhum dos autores, inclusive eu, seguiu uma opção que não posso deixar de subscrever e muito bem apontado aqui pela Carla Hilário Quevedo.

 

Malala Yousafzai merece todo o reconhecimento e apoio. E a foto que escolho capta um momento que infelizmente não deve ser comum em tantas pessoas, em especial crianças, que sofrem com os crimes alavancados (mal) numa fé.

 

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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012
por Pedro Correia

 

Não há paz sem liberdade. E não há liberdade sem esperança. Um político de excepção vislumbra motivos de esperança mesmo entres os clarins da guerra. Um desses políticos foi Abraham Lincoln, autor da mais memorável mensagem de esperança, proferida em plena Guerra Civil norte-americana, a 19 de Novembro de 1863.

Foi o chamado Discurso de Gettysburg: demorou apenas cerca de três minutos. Três parágrafos, 255 palavras - não era necessária nenhuma mais. As forças da União haviam ali derrotado quatro meses antes o insurgente exército confederado do Sul que se batia contra a abolição do esclavagismo, cortando amarras com a política humanista do Norte. Mas Lincoln, embora galvanizado por essa vitória militar recente, pôs de lado a retórica triunfalista e deixou no cemitério local um apelo digno de um estadista: "Compete-nos a nós, os sobreviventes, garantir que aqueles que caíram no campo de batalha não morreram em vão e que nesta nação, sob os auspícios de Deus, renasça a liberdade - e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareça da face da Terra."

Cem anos mais tarde, este discurso teria sequência num outro, proferido junto ao Memorial Lincoln, em Washington, por Martin Luther King. "Tenho o sonho de que um dia esta nação se erguerá e viverá o significado autêntico do seu credo -- termos por verdade evidente que todos os homens foram criados iguais. Tenho um sonho -- o sonho de que um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos e os filhos dos antigos donos de escravos se sentarão juntos à mesa da fraternidade", declarou o reverendo justamente distinguido em 1964 com o Prémio Nobel da Paz.

No tempo de Abraham Lincoln ainda não havia Nobel da Paz. Mas ele tê-lo-ia merecido, mais do que todos os presidentes americanos que viriam a ser galardoados no século e meio seguinte -- de Theodore Roosevelt a Barack Obama. Pela força inspiradora do seu exemplo. Pela eloquência dos seus vibrantes apelos em defesa da dignidade humana. Pela tenacidade e pela coragem de que deu provas no cumprimento de um ideal: nenhum ser humano merece ser condenado à escravatura. Um ideal que lhe custou a vida: Lincoln viria a ser assassinado em 1865. Mas o seu apelo de Gettysburg ainda hoje ecoa -- nos Estados Unidos e no mundo.

 

Imagem: Martin Luther King no Memorial de Lincoln, em Washington (1963)


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por Sérgio Azevedo

Não pondo em causa a dificílima tarefa de uma mãe(e de um pai também, se me permitem sei bem o que isso é!) em tão exigente família liderada por pequenos "terroristas" com muita pouca margem para qualquer tipo de negociação, ou o patriotismo luso que nos espreme o coração mas que, pelo andar das coisas, nem com 3 Nobel se almejava alteração deste fado mais chorado que cantado, o meu Prémio Nobel deste ano seria para as redes sociaisTwitter e Facebook.

 

A propagação do movimento "Primavera Árabe" para toda a região do Norte de África e Médio Oriente não teria sido possível nem, provavelmente, produziria os mesmo efeitos se não fossem estas duas ferramentas sociais. É esta aliás a conclusão de um estudo da Dubai School of Government onde indica a importância do Twitter e do Facebook na disseminação e no fortalecimento das manifestações populares que se espalharam pelo mundo.

 

Segundo este estudo nove em cada dez tunisianos e egípcios afirmaram ter usado o Facebook para organizar os protestos e aumentar a participação da população nas manifestações. Os resultados são conhecidos.

 

Sem estas ferramentas nunca teriamos ficado a saber que Mohamed Bouazizi, vendedor de verduras cometeu suicídio depois de revoltar-se com o tratamento dado pelo governo a ele e a toda a população tunisiana ou então que a jornalista egípcia Mona Eltahawy após participar nas manifestações da Praça Tahir havia sido detida e levada ao Ministério do Interior, onde ficou por 12 horas. Nesse tempo, a jornalista teve seu braço esquerdo e sua mão direita partidos tendo sofrido um brutal espancamento e abusos sexuais por parte da polícia.

 

"Estou livre. Além de baterem em mim, os 'cachorros da CSF' [Força de Segurança Central] me sujeitaram ao pior abuso sexual. Cinco ou seis me cercaram, apertaram meus seios, pegaram na minha área genital e eu perdi a conta de quantas mãos tentaram entrar nas minhas calças. Eles são cachorros e seus chefes são cachorros. F******, polícia egípcia", escreveu a jornalista.

Mas ainda que fossem apenas veículos de comunicação utilizados por coincidência neste momento importante na história da Humanidade, a reacção dos governos árabes de países em revolução em intensificarem o bloqueio e as restrições às ferramentas para evitarem que as revoltas se fortaleçam são sinonimo da sua extrema importância na divulgação mundial ao minuto das atrocidades cometidas contra os mais fracos. Veja-se o exemplo da Síria onde o presidente Bashar al Assad e o governo proíbe o uso das redes sociais e a entrada de jornalistas internacionais no pais.

 

A atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Twitter e ao Facebook era também a atribuição do prémio a todos aqueles que por intermédio dos seus posts e dos seus tweets denunciam, expõem, opinam e lutam por um mundo melhor. Era um Prémio para as pessoas. Todas as pessoas.


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por Rodrigo Saraiva

Olho para a lista de premiados com o Nobel da Paz e questiono-me: o que falha? Quem falta? A resposta ocorre-me célere. Falta um português.

 

Nós que somos um povo plural, social e culturalmente. Nós que estivemos presentes em todos os cantos do mundo. Nós que nunca nos envolvemos, com intensidade das épocas, em grandes guerras e conflitos. Nós que somos um povo positivamente pachola. Nós que somos uns public relations. Nós que temos personalidades que em diversas áreas deixaram um valioso legado, nunca tivemos direito a um Prémio que distingue distintas características da portugalidade.

 

Por isso o meu Prémio Nobel da Paz vai para um português, mesmo que postumamente.

 

Alguém que tenha, em prol de outros, colocado a sua própria segurança e carreira em causa. Alguém que tenha posto de lado o seu conforto para que outros encontrassem a segurança e tivessem paz. E quando me refiro a outros fala-se de milhares.

 

Alguém que desafiou, com as suas acções, personalidades marcantes e polémicas da história. Por um lado a pessoa que dominava politicamente Portugal, Salazar. E por outro alguém que loucamente tentava dominar o mundo, mesmo que para tal tivesse que dizimar povos, culturas e religiões, Hitler.

 

Porque olhando à vontade de Alfred Nobel as suas acções contribuíram, na forma e dimensão, para a fraternidade entre as nações, porque ajudou a reduzir os esforços de guerra e porque promoveu a paz. Por isto o meu Prémio Nobel da Paz vai para Aristides Sousa Mendes.

 

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por Francisca Prieto

Embora Prémio Nobel seja um conceito dificilmente dissociável da cidade de Estocolmo, no que toca à Paz, por instruções do próprio Alfred Nobel, o prémio é geograficamente decidido e atribuído em Oslo.

 

De maneira que eu, se por alguma improbabilidade do destino, fosse convidada para fazer parte do comité norueguês, propunha de caras conceder o galardão à minha mãe.

 

Numa família da dimensão da minha, qualquer refeição conjunta descamba muito facilmente em lançamentos de mísseis equipados com ogivas nucleares. E é à minha mãe que cabe a missão de mediação e de concertação das negociações com vista a promover a fraternidade e a reduzir os esforços de guerra. Missão essa que ela desempenha com uma eficácia ao nível da de Nelson Mandela ou do Bispo de Díli.

 

Deduzo que a perícia lhe advenha de um coração que se foi tendo de multiplicar pela vida fora, de tal forma que hoje tudo consegue gerir, digerir e albergar.

 

A atribuição de um Nobel da Paz a uma mãe do gabarito da minha serviria certamente de exemplo a muitas famílias de muitas nações que actualmente vivem a orfandade do desamor.

 

Embora acredite nas  capacidades apaziguadoras de um líder espiritual, acredito muito mais no poder pragmático de uma mãe para meter ordem no planeta. Porque só a voz de uma mãe pode calar o mundo. E porque só no colo de uma mãe pode caber toda a humanidade.

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Domingo, 21 de Outubro de 2012
por Rodrigo Saraiva

Recentemente a União Europeia viu ser-lhe atribuído um dos prémios mais ambicionados e importantes do mundo, independentemente de se concordar com todas as escolhas até hoje, o Nobel da Paz.

 

Há uns tempos o Forte tinha sido desafiado a escrever uns textos sobre este prémio. Decidimos ter chegado o momento de publicar os escritos. Ficarão assim a conhecer, sem foco temporal, a quem os membros deste regimento concederiam este relevante reconhecimento.

 

A “cerimónia” está agendada para esta segunda-feira.

 

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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2012
por Rui C Pinto

Se há sector de actividade onde a globalização é uma realidade evidente é o da produção científica. Os projectos de investigação são de tal forma integrados numa rede global que é comum encontrar-se nas Universidades ou Departamentos de R&D de empresas equipas multidisciplinares com investigadores de todos os cantos do mundo. Neste contexto de forte mobilidade de pessoas e de partilha de informação é natural que o progresso alcançado, em todas as áreas de investigação, resulte de um esforço multinacional. É, por isso, de enorme justiça exaltar aqueles cujo trabalho, muitas vezes anónimo, contribui para grandes descobertas e prémios de reconhecimento internacional, como é o caso do prémio Nobel. 

 

David Guerra Aragão, ex-aluno da FCT - Universidade Nova de Lisboa, é co-autor de um artigo publicado na revista científica Nature onde o galardoado do Nobel da Química Brian Kobilka desenvolve o tema que lhe valeu a distinção. Deixo aqui o elogio merecido a quem, longe da luz da ribalta, contribui de forma expressiva para o desenvolvimento científico e tecnológico e, de caminho, eleva a imagem de Portugal. Parabéns David. 


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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
por Rodrigo Saraiva

as pessoas sabem que todos os anos são entregues prémios Nobel, certo?

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Domingo, 15 de Janeiro de 2012
por Pedro Correia

 

Não há paz sem liberdade. E não há liberdade sem esperança. Um político de excepção vislumbra motivos de esperança mesmo entres os clarins da guerra. Um desses políticos foi Abraham Lincoln, autor da mais memorável mensagem de esperança, proferida em plena Guerra Civil norte-americana, a 19 de Novembro de 1863.

Foi o chamado Discurso de Gettysburg: demorou apenas cerca de três minutos. Três parágrafos, 255 palavras - não era necessária nenhuma mais. As forças da União haviam ali derrotado quatro meses antes o insurgente exército confederado do Sul que se batia contra a abolição do esclavagismo, cortando amarras com a política humanista do Norte. Mas Lincoln, embora galvanizado por essa vitória militar recente, pôs de lado a retórica triunfalista e deixou no cemitério local um apelo digno de um estadista: "Compete-nos a nós, os sobreviventes, garantir que aqueles que caíram no campo de batalha não morreram em vão e que nesta nação, sob os auspícios de Deus, renasça a liberdade - e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareça da face da Terra."

Cem anos mais tarde, este discurso teria sequência num outro, proferido junto ao Memorial Lincoln, em Washington, por Martin Luther King. "Tenho o sonho de que um dia esta nação se erguerá e viverá o significado autêntico do seu credo -- termos por verdade evidente que todos os homens foram criados iguais. Tenho um sonho -- o sonho de que um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos e os filhos dos antigos donos de escravos se sentarão juntos à mesa da fraternidade", declarou o reverendo justamente distinguido em 1964 com o Prémio Nobel da Paz.

No tempo de Abraham Lincoln ainda não havia Nobel da Paz. Mas ele tê-lo-ia merecido, mais do que todos os presidentes americanos que viriam a ser galardoados no século e meio seguinte -- de Theodore Roosevelt a Barack Obama. Pela força inspiradora do seu exemplo. Pela eloquência dos seus vibrantes apelos em defesa da dignidade humana. Pela tenacidade e pela coragem de que deu provas no cumprimento de um ideal: nenhum ser humano merece ser condenado à escravatura. Um ideal que lhe custou a vida: Lincoln viria a ser assassinado em 1865. Mas o seu apelo de Gettysburg ainda hoje ecoa -- nos Estados Unidos e no mundo.

Publicado também aqui

Imagem: Martin Luther King no Memorial de Lincoln, em Washington (1963)


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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Daron Acemoglu: é o meu economista favorito.

 

Alesina, Persson e Tabellini: já é tempo da nova ou novíssima ou super-nova economia política ganhar um Nobel.

 

Um daqueles econometristas, de preferência um macroeconometrista que trabalhe com crises financeiras.

 

Aposta em múltiplas: Diamond, Gale, Allen, Rajan, Rogoff: crises bancárias e financeiras.

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