Quarta-feira, 24 de Outubro de 2012
por Dita Dura

Segunda-feira foi aqui lançado o dia do Nobel da Paz. Não pude participar a tempo, mas mesmo assim tinha de fazer parte deste evento. O meu vai evidentemente para Peter Ellis, inventor do viagra. Pela paz em muitas famílias onde antes havia acumulação de nervosismo e ansiedade, violência doméstica e sofrimento. Antigamente, o macho sustentador da casa chegava e desatava a distribuir tensão sob a forma de pancada. Muitas vezes a mulher tinha de chamar a polícia para serenar os ânimos. Outras vezes, normalmente durante o dia, o canalizador ou o eletricista.

 

Ellis e a sua equipa inventaram uma pequena pílula azul com características mágicas, capaz de dar alento a qualquer indivíduo de meia-idade. Serve até para tornar atraentes as mulheres mais feias e gordas, com bigode ou sem dentes. O único problema relativamente a este produto é ter de ser usado com moderação. Há algumas mortes que podem estar ligadas à overdose por cansaço, normalmente das mulheres. Depois de Barack Obama e a União Europeia, o comité do Nobel tem a obrigação de premiar este inglês que revolucionou a medicina ao fazer os mortos voltarem.


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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012
por Rui C Pinto

Respeitando o espírito do comité nobel norueguês deste ano de atribuição do galardão a título póstumo, gostaria de distinguir o físico nuclear Niels Bohr. Niels Bohr nasceu em 1885 em Copenhaga e notabilizou-se pelo seu contributo para o desenvolvimento do modelo atómico, nas primeiras décadas do século XX, tendo sido agraciado com o nobel da física em 1922. 

 

 

 

Bohr foi um dos cientistas mais empenhados na tentativa de evitar a construção da bomba atómica. Terá tomado conhecimento do projecto de armas atómicas nazi num encontro, em 1941, em Copenhaga, com o físico alemão Heisenberg, seu antigo colaborador. A perspectiva de tal projecto terá causado enorme gravidade em Bohr que já desde 1939 acreditava ser possível promover uma explosão a partir da fissão atómica do Urânio. Pouco depois deste encontro, Bohr procurou refúgio em Inglaterra, após tomar conhecimento dos planos alemães para a sua captura. De Inglaterra, Bohr seguiu para Los Alamos, nos EUA, onde Oppenheimer desenvolvia o projecto atómico dos aliados. Surpreendido pelos estado avançado da bomba de Oppenheimer e convencido da proximidade do fim da guerra, Bohr apelou a Roosevelt e a Churchill para cancelar o desenvolvimento da arma dado o perigo que a mesma representava para a humanidade. No seguimento do seu encontro com Roosevelt, Bohr viria a ser colocado sob vigilância por receio de que promovesse a fuga de tecnologia para os soviéticos (Bohr defendera, perante Roosevelt, que a única forma de evitar a proliferação de armas atómicas no pós-guerra consistia na partilha de conhecimento com os soviéticos). 

 

A bomba foi construída e lançada sobre Hiroshima e Nagasaki provando os piores receios de Bohr. Viu-se confrontado com a capacidade destrutiva de uma tecnologia que ajudou a desenvolver sem propósitos belicistas. Escreve, em 1950, uma carta aberta às Nações Unidas apelando para a manutenção da paz por via da partilha do conhecimento e do desenvolvimento tecnológico. É baseado neste espírito que, em 1954, funda o CERN, Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire, que tinha por missão promover a paz entre os povos europeus. O CERN foi o único local onde, durante a Guerra Fria, cientistas soviéticos cooperaram com norte-americanos e foi onde, na década de 90, foi desenvolvida a World Wide Web

 

Um homem que foi perseguido por nazis e vigiado por aliados, durante a segunda guerra mundial pelo seu intransigente apelo à paz e que abriu caminho à cooperação entre americanos e soviéticos em plena guerra fria merece, certamente, a distinção. 


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por Alexandre Guerra

Ao recuar até 1901, e recordar os 124 laureados com o Prémio Nobel da Paz, entregue a 100 pessoas e a 24 organizações, é interessante constatar que as escolhas feitas pelo Comité Norueguês, composto por cinco elementos, têm revelado um realismo e pragmatismo inteligentes, honrando a herança de Alfred Nobel, que foi muito claro no seu testamento quanto à composição e às orientações daquele órgão.

Sendo um homem da ciência e da indústria, e tendo dedicado muito do seu tempo ao estudo dos temas sociais e da guerra e paz, Alfred Nobel era um conhecedor profundo do mundo e da política internacional, não se deixando toldar no seu pensamento pela ingenuidade pacifista reinante nalguns sectores.

Assim, com alguma naturalidade, o Comité Norueguês tem sido abrangente nas suas escolhas: de homens e mulheres quase “santas” a ex-terroristas, de organizações de apoio humanitário a entidades de controlo de armamentos, de activistas pacifistas a políticos da linha dura. Esta amplitude reflecte a noção de que em determinado tempo e espaço é importante valorizar a acção de actores específicos, independentemente das circunstâncias que os levaram a desempenhar os seus papéis.

Perante isto, é compreensível que muitas das escolhas sejam criticáveis e geradoras de polémica, mas é inegável que todos os laureados estão em condições de alterar num determinado momento da História o curso dos acontecimentos ou, pelo menos, de lutar em prol daquilo que Alfred Nobel deixou em testamento.

Uma vez que o processo de selecção impede auto-nomeações, o autor destas linhas aproveita a oportunidade para propor que seja o próprio Comité Norueguês a receber, numa das próximas edições, o tão prestigiado Prémio Nobel da Paz.


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