Terça-feira, 4 de Setembro de 2012
por Rui C Pinto

Volta e meia, lá vem a notícia útil. Os boys nomeados pelo governo que infestam os gabinetes ministeriais. É pior que uma praga bíblica. Autêntica pandemia que degrada a ética e a moral reinantes na sociedade portuguesa. 

 

O Público denuncia (a palavra informa não se aplica), na sua edição on-line, 41 nomeações de jovens com menos de 30 anos de entre as centenas de nomeações do actual governo (poderão ser de 2 a 20, 100, 1000 centenas, depende do estado de espírito e da fantasia do leitor). O autor do artigo mostra-se deslumbrado pelo fabuloso destino destes jovens. Um mundo de sonho, pode deduzir-se a partir do expressivo título. Uma vez que o artigo não justifica a utilização do adjectivo, facto que me parece curioso, relevante e revelador da intenção do mesmo, resta imaginar o dolce far niente em gabinetes faustosos, nas escassas horas de serviço, a remuneração de sonho e todas as mordomias e regalias como motorista, subsídios de deslocação ou de inércia (tanto dá), e o demais que roubam. Fica ao critério e imaginação de cada um. O autor do artigo só adianta que a vida é fabulosa, cabe-nos papar a coisa por certa.

 

Ficamos ainda a saber que alguns destes boys lá chegaram através de contactos partidários, imagine-se ao que chegámos!, outros por conhecimentos pessoais e outros ainda por mérito curricular, depreendendo-se da narrativa que os últimos são casos excepcionais, evidentemente. O artigo lembra que Passos Coelho prometeu ser contido nas nomeações e que as faria baseando-se no mérito. No entanto, de entre as 41 nomeações em análise, 15 não cumprem esse critério porque os nomeados provêm das juventudes partidárias. Ora, é por demais sabido que as juventudes partidárias são um enxame de parasitas imbecis cujo QI rivaliza com qualquer invertebrado (menos o polvo, cuja inteligência é sobejamente reconhecida como nos deu conta o José Meireles Graça). Nestes 15 não reside mérito possível, são pura escória-abana-bandeirinhas sem qualquer utilidade e valor. 

 

Interessava saber, para que o artigo pudesse vagamente lembrar uma peça jornalística, quantos são os nomeados por via de conhecimentos pessoais e que conhecimentos são esses. Interessava ainda saber, se têm sido bem sucedidos no exercício das suas funções. Ora essa, que ingenuidade a minha!, são jovens nomeados com um destino fabuloso! Um destino fabuloso certamente não inclui trabalho!


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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
por Mr. Brown

Também não gostei e torci o nariz ao conjunto das nomeações para a CGD, EDP e Águas de Portugal. Mas ir buscar esse assunto - o das ligações partidárias de alguns dos nomeados para certas e determinadas empresas - a propósito da escolha de António Borges para liderar uma equipa que tem como objectivo ajudar a implementar o programa de reformas estruturais do Governo é falhar o alvo por completo. O que se segue? Criticarão o facto de entre os nomes escolhidos para ministros do actual governo não existir um único que subscreva as políticas dos partidos da oposição?


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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

1. Nomeações de cargos dirigentes superiores:

 

Novas nomeações: 208

Reconduções aka nomeados pelo anterior governo: 816

 

Em resumo, 80% reconduzidos.

 

2. Nomeações cargos dirigentes superiores da administração directa:

 

Novas nomeações: 130

Reconduzidos: 617

 

Em resumo, 83% reconduzidos.

 

3. Nomeações de cargos dirigentes superiores da administração indirecta:

 

Novas nomeações: 78

Reconduzidos: 199

 

Em resumo, 72% reconduzidos.

 

Foram ainda extintos cerca de 1700 quadros dirigentes no âmbito do PREMAC.

 

 

Dois casos especiais: Eduardo Catroga (PSD) e Álvaro Castelo Branco (CDS).

 

A escolha de Eduardo Catroga foi feita pelos accionistas da empresa agora privada 100% EDP. Estamos a falar de um homem que sempre esteve ligado à gestão empresarial, quadro de uma multinacional e quefoi Ministro das Finanças. Se isto não é CV que se apresente, expliquem-me lá qual é. Só para saber. E, por favor, comparem com nomeações como a de Armando Vara ou aquele rapaz da PT cujo nome não recordo...

 

O Álvaro Castelo Branco conheço eu. Antes de ser autarca (Presidente da Assembleia Municipal do Porto e mais tarde vice-Presidente da Câmara Municipal do Porto (apenas e tão só a segunda maior do país...) foi empresário, advogado e estudava medicina (confesso que não sei se terminou). Foi enquanto gestor e proprietário de diversas empresas que o conheci. Naquelas que acompanhei foi-o com enorme sucesso, criando postos de trabalho e gerando riqueza. Não me recordo que fosse um mau gestor ou empresário e lembro-me que várias delas eram bem cobiçadas pela concorrência. Acumulava com o seu escritório de advocacia e estudava, na altura, com elevado aproveitamento, medicina na Universidade do Porto. Depois, seguimos caminhos diferentes e já não falo com ele desde 99/00. A dada altura, abraçou a causa pública como autarca eleito pela população. E esteve a gerir a Águas do Porto, pelo que sei. Se isto não é CV mais do que sificiente, expliquem-me lá qual é. Só para saber e não se esqueçam de comparar, sff.

 

Concordo com todas as nomeações? Não, por entender que existiam pessoas melhor preparadas e com melhor CV. Concordo com todas as reconduções? Não, não. Sobretudo quando olho para o CV de alguns reconduzidos nomeados pela anterior "gerência"...

 

Agora, não me atirem areia para os olhos e, especialmente, não aceito que o PS, depois da vergonha que fez, nesta matéria, nos últimos seis anos, venha agora representar o papel de virgem ofendida. Decoro, meus caros, decoro.


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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
por jfd

Como não há nada importante para falar ou tratar, este é o caso do momento.

O CEO veio falar da escolha. Hoje o DE clarifica. Mas mesmo assim, os pundits do costume vêm dizer que o silêncio do PM é clarificador.

Clarificador de quê seus iluminados?

Clarificador de um Governo que não interfere no governance de uma empresa?

Agora não sejamos ingénuos, os nomes são os mesmos de sempre? Pois são. A natureza tratará de renovar a pool de escolhas possíveis. É dar tempo ao tempo, afinal não é em pouco mais de seis meses que se altera um Portugal com vícios de décadas. Mesmo com, finalmente!, um Governo que tem ideologia e não tem medo de dizer quem é e ao que veio.


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