Domingo, 8 de Abril de 2012
por Pedro Correia

 

«E era com grande poder que os Apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus, gozando todos de grande simpatia. Entre eles não havia ninguém necessitado, pois todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, traziam o produto da venda e depositavam-no aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um, conforme a necessidade que tivesse.»

(Actos dos Apóstolos, 4: 34-35)

 

O dia que hoje celebramos no mundo de matriz cristã tem um significado que ultrapassa a letra da liturgia, podendo ser assimilado por todos os seres humanos de boa vontade. Simboliza desde logo a supremacia absoluta da espiritualidade sobre o materialismo. Simboliza o resgate de todos os injustiçados à face da terra - aqueles que, como Jesus, também sobrevivem à traição, à calúnia, à humilhação e à tortura. Simboliza enfim o triunfo dos justos contra a iniquidade política (personificada em Pôncio Pilatos, que sabia estar a permitir a condenação de um inocente) ou religiosa (personificada em Caifás, sumo sacerdote da Judeia). Cristo, ao transcender o plano da morte física após sucumbir sob intenso sofrimento, demonstra que todos os filhos de Deus são revestidos da mesma dignidade essencial. "Nenhum poder terias sobre mim se do Alto te não fosse dado", diz a um perplexo Pilatos, segundo relata o Evangelho de João.

O cristianismo, para não trair a sua raiz nem o seu destino, jamais deve omitir a face humana de Jesus, que nasce numa gruta obscura e morre crucificado entre dois salteadores. Alheado de toda a glória mundana, despojado de todos os bens terrenos, proclama para a eternidade que nem a morte é capaz de travar a indomável essência do espírito.

Reflexão para esta Páscoa. Reflexão para qualquer Páscoa que vier.

 

Quadro: Ressurreição, de Marc Chagall (1937)

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Sábado, 7 de Abril de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Foram seis dias fora de Portugal, de telemóvel desligado e sem internet. Ainda não sei se foi uma bênção ou uma asneira.

Ao fim de quase três mil quilómetros fui obrigado a buzinar. Dentro do carro todos notaram a diferença. Essa e a da portagem classe 2. Só aqui pago quase o dobro de portagem e o meu veículo até é comercial. Mais pequeno que um Porsche Cayenne que paga classe 1. Espantoso...

Uma coisa é certa, depois de passar por quatro países diferentes ficou uma sensação tão clara como assustadora: a crise é bem grave. Poucos turistas, muitos espaços comerciais definitivamente encerrados, imensos escritórios literalmente abandonadas e placas de “vende-se” por todo o lado. A Europa, pelo menos uma parte dela, está de rastos. E não estive nem na Grécia nem na Irlanda.

 

Boa Páscoa.


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