Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Exercício: Dos três elementos seguintes, indique quais são os dois legitimamente comparáveis (ou mais semelhantes entre si) e exclua o terceiro.

 

Elemento A: um socialista que nos últimos 16 anos fez parte dos governos durante 12 anos e 8 meses, 6 anos e 3 meses dos quais enquanto Primeiro Ministro.

Elemento B: um socialista que nos últimos 24 anos fez parte dos governos durante 10 anos e 4 meses, dos quais 4 anos e 11 meses enquanto Primeiro Ministro.

Elemento C: um político que nunca foi apelidado de socialista (em vez disso, um "perigoso liberal") e que nos últimos 16 anos esteve um total de 5 meses no governo ("sempre" como Primeiro Ministro).

Resposta de Nuno Santos Silva do Senatus: B e C.


Classificação final de Nunto Santos Silva: zero valores.


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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Simplificando um bocado, Papandreou é um Sócrates, id est, um socialista troca-tintas. Os gregos que façam o favor a eles mesmos e a todos nós europeus e encontrem lá depressa pelo menos um Passos Coelho. A demissão de Papandreou é tão necessária como foi por cá a de Sócrates.

 

Já não há paciência nenhuma para socialistas, nem aqui, nem na Espanha, nem na Grécia, nem em lado nenhum.


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por Ricardo Vicente

Parece que Papandreou recuou e já não vai haver plebiscito. Uma ideia destas, porém, uma vez atirada para cima da mesa, deixa sempre marca: permanece na memória de todos, gregos e outros, e mantém-se disponível até ao próximo populista tresloucado ou desesperado atingir o palco da política, dos media ou da rua.

 

Agora, o novo elemento extraordinário da novela grega é que, depois deste lamentável avanço e recuo, Papandreou tem o descaramento de não querer demitir-se! Fará ele a mais pequena ideia de quanto é que as bolsas perderam com uma ideia destrambelhada daquelas que acabou por nem durar sequer três dias?

 

Papandreou não se demite e tudo indica que pretende continuar a lançar napalm por sobre a paciência de gregos, credores, investidores e o resto da Europa (e não só). O seu próximo passo é manter-se na posição de primeiro ministro a todo o custo (dos outros) e nem que para isso tenha de obstruir a criação de um governo de "unidade nacional".


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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

A propósito deste post de Francisco Castelo Branco...

 

Os gregos forjaram as contas públicas para entrar no euro: não tinham condições económicas nem de honestidade que justificassem a sua entrada. Sarkozy tem razão.

Mais uma vez, recordo aquele texto de Vasco Pulido Valente sobre a importância dos aspectos formais da democracia. NÃO é democrático lançar um referendo quando o país está em guerra, em grave calamidade natural, estado de sítio ou de emergência. Referendos em tais circunstâncias é coisa para uma américa do sul, não é para uma democracia normal e estabilizada da Europa.

Papandreou serve-se da "democracia" como arma de arremesso/chantagem contra a Europa que lhe quer perdoar 50% da dívida. Este comportamento é absurdo, irracional, um suicídio colectivo forçado por um socialista maluco. O resultado é que a Grécia sairá do euro e da União Europeia, terá um empobrecimento imediato com a redução drástica e instantânea do valor dos depósitos bancários, ficará provavelmente governada por uma junta militar ou por um governo de salvação nacional tutelado pelos militares, ficará mais exposta ao avançar do predomínio turco cada vez mais veloz e determinado um pouco por todo o Mediterrâneo e, como é evidente, de fora da União fica também sem qualquer projecto de desenvolvimento económico. Ao dizer não no referendo abilita-se a já nem receber apoio do FMI. O resultado final vai ser uma mini-américa do sul na periferia da Europa.

 

Nem golpe de génio, nem esperteza, nem democracia, nem nada: o que Papandreou fez foi o acto de maior irresponsabilidade política alguma vez registada na União Europeia. Quem assim joga com a democracia, merece claramente perdê-la. Mas a Grécia perde muito mais do que isso: perde dinheiro, economia e quaisquer perspectivas de crescimento. Só lhe restará ir para a fila de espera do Banco Mundial, ao lado de tantos países africanos, e estender a mão por "ajuda ao desenvolvimento".


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por Ricardo Vicente

A propósito da decisão de Papandreou de referendar os acordos saídos da última cimeira do Eurogrupo, transcrevo os meus comentários aos posts do Luís Naves e do Rui C Pinto e acrescento outros:

 

(1) Da Irracionalidade Grega

 

O que foi decidido na Quarta-feira passada é pouco mas é melhor do que nada e é quase um presente para os gregos. É muito estranho referendar a aceitação de um presente. Claro que há condições: mais austeridade. Mas sem presente, a austeridade será maior e a sua efectivação imediata.

Não dá para racionalizar os gregos! O Papandreou quis lavar as suas mãos? Mas, se quis, a única forma minimamente aceitável teria sido demitir-se ou tentar formar um governo de salvação nacional. Um absurdo...

 

A única explicação que encontro é esta: Papandreou quer demonstrar que o seu poder negocial é superior ao que Markel e Sarkozy supõem e, para isso, está a jogar o perigosíssimo trunfo de assumir um comportamento irracional, do tipo "tenham cuidado comigo porque eu sou capaz de nos matar a todos: a mim, ao meu país e à União Europeia". Durante a Guerra Fria, a dissuasão nuclear era baseada na racionalidade de ambas as partes e no seu reconhecimento recíproco; assim se evitou uma guerra com armas atómicas. Ao invés, o comportamento inesperado e irracional de Papandreou só poderá ter más consequências para todos.

 

Por outro lado, em democracia NÃO se fazem referendos durante um estado de sítio ou um estado de emergência. A Grécia está em emergência de facto. A atitude de Papandreou é provavelmente já um golpe na estabilidade constitucional grega.


 

(2) Apaziguar ou Alimentar a Loucura?

 

Apaziguar o povo é explicar-lhes que eles acabam de receber in extremis a misericórdia de terem 50% da dívida perdoada. Quando uma pessoa está a morrer e aparece "milagrosamente" alguém para lhe doar sangue, o médico não pergunta se pode ou não fazer a transfusão: o médico faz o que tem a fazer em vez de virar as responsabilidades para o que está a morrer.

O que vai acontecer é que a Grécia sai do euro, o "neo-dracma" é introduzido e quem tinha antes 100 euros no banco vai passar a ter uma coisa que com sorte valerá 30 euros.

 

 

(3) O que Deveria Ter Sido Feito: Será Agora Tarde Demais?

 

Como já escrevi várias vezes, o default ordenado deveria ter começado pelo menos a partir do momento em que se decidiu ajudar, na minha opinião especulativamente, com 109 mil milhões de euros. Isto é, há cerca de ano e meio.

 

Com vontade grega e a disponibilidade dos outros países (o tempo que falta até às eleições na Alemanha não ajuda) e através, talvez, de eurobonds seria possível um default ordenado grego rápido e maior, que levasse o stock da dívida grega para, no máximo, 60% do PIB.

 

É o que eu defendo para a Grécia e para Portugal. O objectivo principal de todo o processo seria evitar o contágio ao sistema bancário europeu.

 

É importante notar que os eurobonds, para serem aceites, devem ser apresentados apenas e só como mecanismo temporário para a realização do default e não como passo em direcção a uma união política (que, na minha opinião, é mais do que impossível a 27). O resultado seria o findar da agonia económica grega e portuguesa, a redução da pressão nos mercados da dívida espanhola, italiana (e, em breve, francesa) e, muito importante, a manutenção da Grécia no euro e na União Europeia (também já escrevi que a saída do euro implica a saída da União e uma saída da União é muito mau para a própria).

 


(4) Uma Não-Democracia


Depois destas notícias (as chefias militares foram demitidas ontem pelo governo grego) parece que está já meio caminho andado para uma tomada do poder pelos militares. O que é que os pode inflamar ainda mais do que serem demitidos? A União Europeia vai ter, temporariamente, a sua primeira não-democracia. Temporariamente: não é que o próximo regime militar grego dure pouco tempo, o que durará pouco tempo é a permanência da Grécia na União.

 

 

(5) Conclusão

 

As últimas decisões são, como escrevi no meu último post, insuficientes. Mas são melhores do que nada. Se os gregos votarem não no referendo, é nada que eles vão escolher. Mas quem escolhe o nada vai acabar por perder muito mais: vão perder a democracia, vão perder as poupanças nas contas bancárias e vão perder a sua pertença a um espaço maior chamado União Europeia. E, com a saída deles, esta União leva um rombo político, militar, económico e de credibilidade tremendo.


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