Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012
por José Meireles Graça


José Vítor Malheiros assinou na edição de anteontem do Público um artigo em que faz um veemente ataque à democracia representativa, na versão que temos, e que descreve como "uma democracia que só se anima durante um dia de quatro em quatro anos", sendo por isso "apenas a múmia seca de uma democracia". 

 

Malheiros não quer nada com múmias, ainda por cima secas - prefere o "cidadão responsável que reclame e que se indigne, que proteste e que se manifeste no espaço público em defesa dos direitos de todos, que promova concentrações, que organize manifestações, que lance palavras de ordem, que mobilize os seus concidadãos para as causas que lhe são mais caras".

 

Estes cidadãos responsáveis são para mim, o Vítor Malheiros que me desculpe, uns grandessíssimos chatos: são os tipos da CGTP que interrompem o trânsito para debitar as mesmas coisas cediças que dizem há décadas; são as comissões de utentes que reclamam em nome do "utente" - palavra horrível - a reversão de uma medida qualquer; são as associações de pais, ou de consumidores, ou do diabo que os carregue, que vêm à praça pública, sempre indignados, papaguear uma agenda.

 

E aqui é que a porca torce o rabo: porque as manifestações quase nunca são de geração espontânea e quem as organiza, vai-se a ver, e é uma segunda ou terceira figura do PCP, ou do BE - do PS também, se calhar de não estar no Governo, que no PS também sabem tirar a gravata, gritar palavras de ordem e fingir que estão à vontade na rua.

 

É claro que não nego o direito à manifestação; e que reconheço que, sem ele, a qualidade da Democracia fica ferida na asa. Mas a maioria silenciosa, que grande maçada - existe e sempre existiu; e os eleitores que, de quatro em quatro anos, se abstêm de ir às urnas, e que são muito mais numerosos que todos estes coloridos cidadãos da berrata, não são menos respeitáveis do que os que, como eu, lá vão depositar o seu "inútil" voto, nem do que o cidadão que

 

" interpele os poderes, que use os instrumentos legais para o fazer, da participação em reuniões públicas da sua autarquia ao lançamento de petições e abaixo-assinados, que promova iniciativas legislativas cidadãs e envie projectos de lei ao Parlamento. Que participe nas organizações profissionais e sindicais que lhe dizem respeito, que lute por condições que garantam maior equidade, justiça e bem-estar para si, para os seus camaradas de trabalho e para a sociedade em geral. Que se envolva na actividade partidária, que participe em movimentos de cidadãos, que se envolva em organizações de defesa dos direitos humanos, de defesa do ambiente, de promoção do património cultural, de solidariedade social, que faça trabalho voluntário para causas humanitárias. Que se envolva nas organizações que visam melhorar as condições de vida do seu bairro, da sua cidade, da sua escola ou do seu emprego. Que denuncie os crimes de que tem conhecimento ou suspeita, que não feche os olhos à corrupção".

 

Digamos a crua verdade: José Vítor Malheiros não é verdadeiramente um apóstolo do direito à manifestação, nem um advogado do cidadão politicamente hiperactivo; é, mais comezinhamente, um defensor dos partidos que perdem sistematicamente eleições. E que por isso desprezam a urna, que os reduz ao tamanho natural, e valorizam a rua, que os faz parecer muitos.


A democracia do voto é uma múmia seca? Pois a dos desfiles é um gigantone de feira. 


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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
por Luís Naves

Não ia escrever sobre este assunto, mas depois de Pedro Picoito não ter aprovado um comentário meu em Cachimbo de Magritte (estejam descansados, não tinha nenhum insulto) não me resta outra opção: tenho de falar sobre este post de Pedro Picoito. Deixei ali um primeiro comentário que foi aprovado e este recebeu uma resposta que desvirtua as minhas posições da época. Resposta que comentei, mas infelizmente essa segunda nota não foi aprovada pelo autor. Embora reconheça o direito à moderação de comentários, acho que este foi um gesto desleal que não posso deixar passar em claro.

 

Escrevi este post a 16 de Fevereiro de 2011, no Albergue Espanhol. Dois dias antes, Pedro Correia escrevia isto. Escrevi este texto a 31 de Janeiro de 2011.

Na mesma altura, os autores de Cachimbo de Magritte respondiam desta forma aos nossos textos, como se fossem vítimas da incompreensão (a nossa era uma "histeria democrática"). E nem conseguiam linkar o nosso blogue, usavam o método das farpas: veja-se o comentário de Carlos Botelho, no mesmo post. A 14 de Fevereiro, Henrique Burnay levava com esta ironia, por escrever o evidente. Tudo isto é instrutivo. Foram aliás publicados posts de alta qualidade sobre o assunto no referido blogue, sobretudo de Jorge Costa, Miguel Morgado e Nuno Gouveia.

 

Cachimbo de Magritte tem uma violenta embirração com Forte Apache, tal como tinha com Albergue Espanhol. Nem estamos na sua barra de links. Todos sabemos quais são as razões.

Não conheço Pedro Picoito, mas compreendo que tenha uma embirração pessoal comigo. Está no seu direito e garanto-lhe que o sentimento não é mútuo.

Mas tudo isto não passa de espuma inútil.

O facto é que, embora seja um ignorante, mereço ser tratado como alguém que teve razão no que escreveu há um ano. Não é justo que as minhas posições da época sejam agora alteradas, apenas para se poderem justificar as cambalhotas analíticas do autor.

 

Adenda: Pedro Picoito publicou o comentário, já depois deste post ser publicado. Mas, claro, tinha de acrescentar qualquer coisa deselegante. Francamente, não há pachorra para os donos da blogosfera. Faltam ideias e falta respeito. É pena.

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Domingo, 8 de Janeiro de 2012
por Constança Martins da Cunha

Não se percebe muito bem que guerra é esta a propósito de haver políticos que fazem parte da Maçonaria.

Até parece que isso não é do conhecimento geral há mais de 100 anos.

 

Numa sociedade democrática cada um tem de ter a liberdade de pertencer a uma Loja Maçónica, ao Opus Dei ou à organização cívica ou religiosa que entender, sem ter que andar com um compasso, uma cruz ou uma estrela amarela colocada na lapela.

Sendo isso em Portugal totalmente pacífico desde há décadas, não se percebe qual o propósito desta recente polémica.

 

Quem é que afinal se quer atingir ou “fazer sair da toca”?


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