Sexta-feira, 16 de Março de 2012
por José Meireles Graça

Ora deixa ver se percebo: i) A troika refere-se expressamente aos rentismos, à boleia da patetice verde ou das consequências do queinesianismo do alcatrão, com a recomendação de lhes cortar o cabelo; ii) Os contratos pelos quais gente dinâmica, muitíssimo esperta e bem relacionada, colocou proveitos seguros de um lado e riscos incertos do outro, comprometem-nos a nós, de um lado; e, do outro, banqueiros e investidores vários, uma parte dos quais estrangeiros; iii) Se incumprirmos ai Jesus sanções, tribunais e quebra de confiança por parte dos investidores, quer dizer de quem poderia cá vir ajudar-nos a sair do buraco da ausência de crescimento e da armadilha da dívida.


Por outro lado, parece que o preço da EDP incluía a constituição como reféns dos consumidores, isto é, a garantia de que a verdadeira concorrência é uma miragem, o parasitismo verde uma fatalidade, e o custo da energia para todos, incluindo os que produzem e exportam, um pesadelo.


Não falta por aí argumentação jurídica a gosto - e para esse peditório dou nada. Mas quanto às consequências económicas de optar pelo caminho A ou B esta muitíssimo interessante discussão entre Priscila Rêgo e João Miranda (o link é para o último post a respeito, há vários anteriores, de um lado e outro) deixa-nos o sabor algo amargo de que nenhum caminho é isento de riscos.


Por mim, o problema tem sobretudo uma dimensão moral e política, e é esta: a agiotagem é uma figura que caiu em desuso no discurso, mas não existe menos por causa disso; e um governo decente pode impôr sacrifícios aos seus cidadãos e, avaliando friamente as alternativas, tripudiar em cima de direitos em nome do mal menor; mas não pode condenar os seus cidadãos a um regime permanente de servidão sem esperança.


Traduzo, a benefício da clareza do discurso, que às vezes me falha: Apertar violentamente o cinto em nome do pagamento das dívidas que só por ignorância, imprudência, preguiça, corrupção e teoria económica delirante, foram contraídas - de acordo; meter-nos definitivamente na prisão perpétua da dívida, com carcereiros chineses ou plutocratas, nacionais e estrangeiros, por causa de papeladas e tretas que o cidadão não entende ou entende bem demais - pensem melhor.

 

Isto é, quem tem que decidir, que tanto Priscila como João fazem serviço público de qualidade em desentenderem-se inteligentemente - a mim ajudaram-me, e suponho que a muitos outros, a ver mais claro. 


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Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
por José Meireles Graça

Não lobrigo razões para  infirmar a tese, se não fosse pela referência ao cabelo  "maravilhoso" de Jorge Jesus.


É que, ainda que o tema seja a existência de Deus e por isso a invocação de Jesus não seja um despropósito, a descrição daquela gaforina como "maravilhosa" lança sérias dúvidas sobre a pertinência dos outros argumentos.


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