Sábado, 8 de Setembro de 2012
por Joana Nave

Ter um psicólogo está na moda. A grande enfermidade do século XXI é a chamada consciência ou inconsciência que nos andam a tramar a vida. Há uns anos atrás as pessoas sofriam de dores reumáticas, insuficiência cardíaca, problemas respiratórios, para citar apenas alguns exemplos. As receitas consistiam em comprimidos milagrosos, pomadas e umas férias numas termas. Hoje em dia tudo reside num factor psicológico que está associado a traumas ganhos na infância e que condicionam toda a nossa vida enquanto não forem libertados. A ideia não é acusar os pais de terem educado mal os filhos, mas de terem tido comportamentos que lhes transmitiram medo ou insegurança. A lista é grande e variada: pais que casaram cedo, pais que casaram tarde, pais que não casaram, pais que se divorciaram, pais que discutiam, pais que não demonstravam afecto, e por aí fora.

Os traumas são uma excelente desculpa para evitar encarar a realidade ou assumir um compromisso, porque todas as pessoas têm uma enorme compaixão por quem está preso aos fantasmas do passado. Sinceramente, não entendo como podemos ser mais seguros ou capazes estando dependentes de uma terceira pessoa que orienta os nossos passos. Interesso-me por psicologia na medida em que entendo a mente humana como uma teia complexa de estímulos racionais e irracionais, que podem ser programados. O papel do psicólogo é ajudar-nos a equilibrar estes estímulos para que os usemos de forma a melhorar o nosso bem-estar.

Antigamente os amigos assumiam o papel de psicólogos uns dos outros, mas a sociedade evoluiu permitindo-nos ser mais independentes e, consequentemente, mais egoístas. Ninguém tem paciência para ouvir o desabafo de um amigo quando a sua própria cabeça está numa turbulência contínua. Na minha opinião, quando queremos encontrar respostas para as nossas dúvidas internas o melhor mesmo é distanciarmo-nos e colocar o que nos preocupa em perspectiva. O psicólogo não nos vai dar as respostas que temos de encontrar dentro de nós mesmos, mas vai orientar-nos nesse sentido. Como seres humanos todos precisamos de expressar o que sentimos de forma mais ou menos racional, uns fazem-no através da expressão artística, outros através da escrita, outros através da expressão oral. Independentemente da forma que adoptamos, o mais importante é que faça sentido para nós.

Outro dia um amigo meu contava-me que no seu entender as relações não resultam porque as pessoas se envolvem pelo sexo e não fazem programas interessantes a dois. Ele gostou de uma pessoa com quem fez um programa cultural muito interessante e tem como referência que uma relação para resultar tem de passar por um programa assim. Claro que para muitos casais esta fórmula irá funcionar, mas outros hão-de achá-la verdadeiramente aborrecida. Cada pessoa é diferente e única e acho que a fórmula que funciona para todas as relações é sermos nós próprios, sentindo mais e fazendo menos.


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