Quinta-feira, 1 de Novembro de 2012
por Carlos Faria

Pelo menos nos tempos mais próximos parece que o 1.º de novembro deixará de ser o feriado religioso de Todos os Santos. Em paralelo, a noite que o antecede vem desde algum tempo a sofrer a aculturação anglossaxónica e a transformar-se na noite das bruxas ou do halloween.

Nada tenho contra as tradições anglossaxónicas em terras com predominância de cultura inglesa, até porque partilho uma dessas nacionalidades, mas em países católicos latinos deixar-se influenciar por ritos pagãos estranhos, apagando as tradições locais, já é algo que considero ridículo e de falta de brio na cultura de raiz desse povo. Todavia, a hierarquia católica, no conjunto de vários feriados religiosos, optou por manter uma série de vários relacionados com o culto mariano, que não precisa de ser incentivado por estar bem vivo, em detrimento de celebrações fixas no calendário de outras festas litúrgicas. Nisto o Todos os Santos foi um dos sacrificados.

Todos os Santos, mesmo sendo parcialmente desvirtuado pelo aproveitamento do culto dos finados do dia 2 (uma confusão que em nada retirava o caráter cristão da data), esquecendo o comércio em torno do Natal, era o único feriado religioso ameaçado por uma retoma pagã da data e foi precisamente esta ameaça que a hierarquia católica alimentou com a sua opção.

Doravante, a noite de 31 de outubro será cada vez mais halloween para um 1.º de novembro sem santos e quando quiserem trazê-los de volta, talvez tal só sirva para que os festejos pagãos se possam prolongar mais pela noite dentro.


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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012
por Pedro Correia

 

Pela primeira vez na História bissecular dos Estados Unidos, não há nenhum protestante branco entre os candidatos à presidência e à vice-presidência, o que constitui um significativo sinal dos tempos. No campo republicano, o candidato à Casa Branca, Mitt Romney, professa a religião mórmone. O seu braço direito, como candidato à vice-presidência, é Paul Ryan, um católico assumido - tal como Joe Biden, recandidato ao lugar de vice-presidente pelo Partido Democrata.

Mas o recuo dos protestantes na vida pública norte-americana tem muitos outros sinais visíveis. O democrata que preside ao Senado, Harry Reid, é mórmone. A Câmara dos Representantes tem um presidente republicano: John Boehner, católico. E entre os nove membros do Supremo Tribunal federal há seis católicos e três judeus. Algo sem precedentes nos EUA.

Resta nas hostes protestantes o próprio Presidente Barack Obama, que cresceu sem educação religiosa e se baptizou já adulto, em 1988, aos 27 anos. Mas por ser afro-americano também ele foge ao padrão clássico. Estamos muito longe dos tempos em que John F. Kennedy - primeiro e até agora único presidente católico dos EUA - teve de proclamar solenemente, num discurso marcante, que jamais se deixaria influenciar pelas opiniões de bispos ou até do Papa. E mesmo ele escolheu para vice-presidente o senador Lyndon Johnson, um protestante oriundo do sul do país.

A verdade é que o mapa sociológico norte-americano está a mudar rapidamente. Os protestantes não ultrapassam hoje 51% da população, a nível nacional, enquanto os católicos são já cerca de 25%, o que corresponde a quase 70 milhões de fiéis - a quarta maior comunidade nacional católica a nível mundial, após o Brasil, o México e as Filipinas. Mas assumem o primeiro lugar enquanto confissão religiosa autónoma, uma vez que as diversas igrejas protestantes estão muito fragmentadas. E em estados como Rhode Island e a Pensilvânia ultrapassam 50% da população.

"Acredito numa América onde a separação entre a Igreja e o Estado seja absoluta. Acredito numa América que não seja oficialmente católica, protestante ou judaica - onde nenhum membro da administração pública solicite ou aceite instruções do Papa, do Conselho Nacional das Igrejas ou de qualquer outra fonte eclesiástica", declarou o então jovem candidato Kennnedy nessa memorável alocução, proferida a 12 de Setembro de 1960, a menos de dois meses de derrotar Richard Nixon na corrida à Casa Branca.

Se fosse hoje, tenho a certeza, não precisaria de fazer esse discurso. Joe Biden que o diga. E Paul Ryan também.

 

Imagem: John F. Kennedy, o primeiro presidente católico dos EUA, em visita à Irlanda (Junho de 1963)


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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
por jfd

Este vídeo está a fazer furor no youtube. No dia 12 quando li a notícia, já ia com 2 milhões de visualizações. Hoje com tempo para ver o vídeo, já vai em +5 milhões!

Um jovem, através de um poema, diz porque ama Jesus mas desdenha a religião.

A polémica está lançada na caixa de comentários. E é assim nos dias que correm. Chegamos a um mundo que há apenas uma década era impossível imaginar... A discussão já não é só dele. É de todos aqueles que a quiserem tomar para si.

Como são maravilhosos os tempos que correm!

 

sinto-me:

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