Sexta-feira, 26 de Abril de 2013
por Alexandre Poço

Há anos que ouvimos a ladainha que nos diz que é preciso trazer "nova gente" para a política. Gente que faça a "renovação" do desgraçado e pútrido sistema político, maioritariamente constituído por políticos profissionais. Diz-nos o senso comum que devemos sentir repulsa pelo carreirismo partidário que se inicia nas inefáveis jotas e tem continuidade no parlamento, nas autarquias ou no governo. Um movimento novo, qual agrupamento de D. Sebastiões independentes, é urgente para a restauração do regime. Esse movimento novo tem de nascer para lá dos partidos, como que por geração espontânea, e o ódio ao partidarismo e ao caciquismo deverá ser o cimento cola. A política feita por políticos profissionais é um nojo. Os partidos têm de trazer pessoas de outras áreas.

 

Ora, é engraçado ver a reacção dos que passam a vida a apontar os defeitos dos políticos quando os partidos vão buscar pessoas fora da esfera política para desempenharem cargos ou para se candidatarem a algum lugar. Se é alguém da academia ou da ciência, essa pessoa não conhece a realidade e não será um homem de acção, pois falta-lhe senso político (o mesmo que é simultaneamente odiado). É ver a forma como o Ministro Álvaro é tratado desde que tomou posse. Neste artigo no Blasfémias, o João Miranda já abordou o assunto de forma muito feliz. Nos últimos dias, as novidades do PS Oeiras e do PSD Porto para as respectivas candidaturas autárquicas deram-nos mais dois exemplos desta cultura que odeia políticos profissionais e que pede "renovação" mas que quando confrontada com as personalidades vindas de fora do meio político reage lembrando o populismo das escolhas, a decadência partidária e a falta de perfil para desempenhar cargos políticos. Como alguém disse no Twitter sobre estas escolhas: "Acenam com cromos para ganhar votos".


Ficamos então a saber que um professor universitário, um apresentador de televisão, um ex-futebolista ou um antigo árbitro não servem para a dita renovação, sendo que no caso dos últimos três isto é claramente uma manobra para ganhar votos devido à visibilidade mediática alcançada nas anteriores profissões. Esta gente na política é que não. A política tem de ser tratada de outra forma. São uma vergonha estes movimentos e estas candidaturas. Viva os políticos profissionais!


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