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Forte Apache

Com o PEC IV teria sido diferente

Alexandre Poço, 01.07.13

O insucesso do comentador Sócrates

Carlos Faria, 18.04.13

Embora no mundo da televisão as receitas de hoje possam não ter o mesmo efeito amanhã, a verdade é que depois do estrondoso pico do número de telespetadores da primeira entrevista de Sócrates, os programas seguintes têm vindo paulatinamente a ter audiências modestas e, pior ainda, em decréscimo.

A verdade é que no regresso televisivo de Sócrates este, mais do que ódios ou admiração, despertava a curiosidade de se saber se era capaz de vestir o papel de comentador e despir o de ex-primeiro ministro derrotado no parlamento e no voto popular. Não foi capaz e serviu-se do espaço pago pelos meus impostos e destinado a serviço público para se vingar dos seus opositores e não fazer nenhum mea culpa dos seus maiores erros que levaram Portugal à bancarrota. Limitou-se a assumir a falha de pormenor de ter tentado governar em minoria, talvez a única coisa que as suas vítimas (todos nós) aceitávamos como uma atitude compreensível.

Hoje, à exceção dos sempre fieis da RTP, dos seus fã e de outros comentadores que veem todos os comentários políticos para preparar os seus, praticamente ninguém vê ou fala sobre o que ele disse e a sua mensagem quase só é replicada nos blogues que sempre foram incondicionais seus apoiantes e nunca aceitaram a derrota democraticamente sofrida em 2011.

Esta situação também mostra que mesmo com, justificado ou injustificado, descontentamento das políticas do atual governo, o Povo não voltou a acreditar naquele embuste, não se revê naquela via, nem considera o seu autor um salvador, o que seguramente deve deixar um travo amargo a quem desejava um regresso de tal modelo de governar Portugal... afinal o Povo talvez tenha aprendido com os erros de Sócrates, ele é que não.

Le philosophe baillonné

José Meireles Graça, 21.03.13

Nós, os que estamos sentados à cabeceira de Portugal, conhecemos bem o doente e julgamos saber interpretar os sintomas. Infelizmente, fazemos interpretações diferentes, donde decorrem diagnósticos também diferentes, e correlativamente as terapêuticas.

 

Sejamos claros: diagnósticos há seis (o do CDS, o do PSD, o do PS, o dos dois restantes partidos parlamentares, o do MRPP e o de Fernanda Câncio); terapêuticas igualmente seis, mas não exactamente as mesmas (os mesmos menos a Fernanda mais os anti-Euro); e prognósticos apenas um, que é o de que isto vai acabar mal.

 

Toda esta gente tem posições sobre a liberdade de expressão, e divide-se em dois, e apenas dois, grupos: a favor e contra. Sem ter isto presente, e sem entender este pano de fundo, não se consegue perceber nada. E, não percebendo nada, cometem-se erros de avaliação. Muitas pessoas da minha criação, e outras de famílias diferentes, espolinham-se hoje de indignação por causa de a "nossa" RTP ter contratado Sócrates para comentador político: que isto é abrir-lhe uma autoestrada para começar a campanha para herdar Belém; que é um palco para lavar um passado político que foi insuficientemente castigado, e um passado pessoal que apenas lhe deveria permitir entrevistas no parlatório do Tourel; que é uma jogada de Relvas para lançar a sizania no campo socialista, encravando Seguro, atrapalhando as contas de Costa, e de modo geral criando um clima favorável ao Governo, visto que os vitupérios de Sócrates, vindos de que vêm, funcionam como elogios para a maioria.

 

Será alguma coisa destas, uma mistura, ou ainda outra combinação qualquer: de teorias da conspiração vamos ter para cima de duas dúzias.

 

Sucede porém que, do ponto de vista dos interesses da RTP, o convite é uma boa jogada: Sócrates foi um dos melhores tribunos da plebe que a democracia engendrou; é um prodigioso vendedor de banha-de-cobra; seria perigoso se ainda não tivesse sido testado; e, por isto e se a lógica não for uma batata, o programa terá grandes audiências.

 

Não é isso que se espera de um canal bem gerido, que tenha grandes audiências? E  não podemos razoavelmente pensar que é também com iniciativas destas que os prejuízos que suportamos ano após ano podem ter algum alívio, mesmo que sem privatização seja ilusório pensar que a barca algum dia terá lucro?

 

Depois, ou se têm princípios ou não. Fossem as polícias, o Ministério Público e os tribunais mais eficientes e Sócrates estaria provavelmente na cadeia - é a minha convicção. Mas seja por falta de tradição, de meios ou porque o caminho está recheado de truques, minas e alçapões que o Poder Legislativo lá colocou, Sócrates não está acusado de nada. Ora, um cidadão que não está acusado de nada tem todo o direito de ser convidado para um programa de comentário político, assim como os responsáveis pelo programa devem ter a liberdade de convidar quem entendam.

 

Quem não gosta não vê. Eu, tal como, estou certo, os meus amigos, não gosto e verei. E espero ter ocasião de, da minha ignota tribuna, lhe desmontar as atoardas. Que é coisa muito diferente de lhe querer fechar a matraca.

Seguro cada vez mais semelhante a Sócrates

Carlos Faria, 11.01.13

Não sei se é por incompetência, defeito de ambos os líderes socialistas ou pelo facto do atual grupo parlamentar do PS ser proveniente maioritariamente da ala socrática, mas a verdade é que com o tempo cada vez mais José Seguro se assemelha a José Sócrates: um estilo inteletualóide e um tom  de arrogância crescente que dá lições ao dizer coisas ocas que demonstram um vazio de ideias e a falta de uma estratégia para o futuro de Portugal que me aterroriza.

Passos tem responsabilidades por ter deixado este PS libertar-se das culpas pelo que estamos a passar, permitindo assim que Seguro diga impunemente que tem uma via diferente com slogans gastos, mas que continuam a soar bem, embora sem terem condições técnicas de serem postos em prática num País sob o jugo da dívida.

O Governo está mesmo obrigado a cortar 4000 milhões de euros, através do número de Funcionários Públicos, no Estado Social, na redução de vencimentos ou outra via por descobrir. Assumo, nenhuma das referidas me agrada, mas uma coisa é certa, Seguro não sabe mesmo onde o Estado pode cortar esse montante e limita-se a dizer: Ali não! por ser popular e por saber que ninguém lhe ousa perguntar: Então... Onde?