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Forte Apache

Steve Jobs e os Adolescentes

Ricardo Vicente, 27.11.11

A ideia mais importante que alguma vez Steve Jobs teve (ainda que nada original), isto é, a ideia que mais contribuiu para os seus lucros extraordinários foi esta: há dois grupos de gente ("market targets" ou assim) que estão dispostos a gastar rios de dinheiro com a mais pura leveza de espírito. O primeiro é o dos adolescentes da média e da média-alta: dão importância às marcas e não olham a preços porque o dinheiro que têm não é ganho por eles: basta-lhes pedir. O segundo grupo é o dos jovens adultos que gostam de ser diferentes (teenagers envelhecidos?, adolescentes mais velhos?).

 

Tanto uns como os outros não são capazes de comparar duas máquinas em termos de RAM, nem número de instruções por segundo, nem querem saber dessas complicações para nada. O que lhes interessa é ter uma coisa que lhes proporcione prestígio e um estilo "diferente", combinando com a imagem que pretendem dar de si. Para quem não se interessa por placas gráficas nem gigabytes, a única maneira de se aferir do prestígio de um objecto que não se compreende é o preço. É a velha história do quanto mais caro melhor.

Quanto mais caro melhor: foi isto que Steve Jobs percebeu. E não é que a Apple é hoje a fabricante de computadores americana com as maiores taxas de lucro?

 

 

P.S.: Este post não é uma crítica aos adolescentes, novos ou menos novos, e também não é uma crítica a Steve Jobs.

Não Faz Sentido Homenagear Homens de Negócios

Ricardo Vicente, 06.10.11

Não faz sentido homenagear quem se dedicou aos negócios e venceu nesse mundo. A menos que tenha havido sacríficio pessoal a favor dos outros. A menos que tenha oferecido alguma coisa aos outros. Dado, doado, etc..

 

A única e melhor "homenagem" com muitas aspas que podemos fazer, por exemplo, a Steve Jobs é comprar-lhe os produtos. A menos que ele nos tenha dado alguma coisa, não vejo que motivo existe para homenageá-lo: ele já recebeu em dinheiro o valor das suas contribuições. Ele forneceu-nos valor, nós pagámos-lhe com valor. Ninguém deu nada a ninguém. E, em verdade, tudo está bem quando é assim.

 

Já agora, os valores que Steve Jobes recebeu não foram nada pequenos, tendo em conta que entre produtos de igual qualidade os da Apple são sempre muito, muito mais caros. Por vezes estão acima da concorrência, outras vezes são muito piores (que raio de coisa é essa de só ser possível gravar músicas para dentro de um leitor de mp3 através de um software especial??).

 

Tentar passar por Madre Teresa de Calcutá quem dedicou uma vida aos seus próprios lucros não tem qualquer razão de ser. Viver para os lucros é eticamente aceitável, só os medíocres não compreendem isso mas daqui não decorre que faça sentido celebrar quem já viu os seus méritos remunerados em dólares.

 

Homenagem?? Mas eu já paguei! Querem que vos mostre a factura?

 

Update a 7 do 10 de 2011 às 14:35 hora de Lisboa: recomendaram-me, li e recomendo este artigo da BBC News Magazine.