Domingo, 4 de Março de 2012
por José Meireles Graça

Acreditei durante muito tempo que os preconceitos são... preconceituosos; e que, em nome da igualdade de direitos, ou da igualdade tout court, de todos os seres humanos, não podia ser verdade que os alemães fossem arrogantes, os portugueses desorganizados, os italianos troca-tintas, ou os belgas caloteiros; e que houvesse uma quantidade inusitada de inglesas com dentes de cavalo, portadoras de sandálias com meias em pleno Inverno, de franceses convencidos da "grandeur de la France" ou que os alemães (sempre eles, essa nacionalidade fatídica) se emborrachassem à sexta-feira e, se em férias num país quente, envergassem inevitavelmente uns shorts de escuteiro.

O tempo passou e as minhas convicções foram sendo abaladas pelo choque com as viagens e as experiências: não apenas povos relativamente próximos geograficamente conservam diferenças físicas relevantes, como os preconceitos tinham sólidas raízes na realidade.

A igualdade básica de todos os seres humanos nas suas pulsões, capacidades e instintos não anula profundas diferenças de comportamento com origem em percursos culturais distintos; e a proximidade conta muito menos que as diferenças religiosas, linguísticas, de ética do trabalho - em suma, culturais.

Na terra dos relógios, esses chatos e polícias à civil que são os suíços mediram algumas destas coisas. E chegaram à conclusão que os Francófonos são os gregos da Suíça.

Juntei um novo preconceito à lista. É uma forma de enriquecimento cultural - viva a diferença.

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