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Sirajuddin Haqqani, em primeiro plano/Foto: Reuters
Sirajuddin Haqqani é hoje uma das principais figuras do terrorismo islâmico, ao liderar a ascendente rede Haqqani, uma espécie de afiliada dos taliban a operar no Paquistão e no Afeganistão, supostamente com o apoio camuflado ou, pelo menos, a conivência da agência dos serviços secretos paquistaneses, a ISI.
Apoio, esse, que o Governo de Islamabad nega categoricamente, mas que Washington e a CIA crêem ser real. Aliás, ainda há uns dias, o recém retirado Chefe do Estado Maior dos Estados Unidos, o almirante Mike Mullen, classificou a rede Haqqani como um “braço armado” da ISI. Declarações proferidas na sequência do atentado do passado dia 13 de Setembro contra a Embaixada norte-americana em Cabul.
As palavras de Mullen foram as mais duras contra Islamabad desde o início da parceria entre os Estados Unidos e o Paquistão na “guerra contra o terrorismo” em 2001.
Há muito que as relações diplomáticas entre Washington e Islamabad caíram para níveis mínimos, instalando-se uma desconfiança e um tom de crispação constantes.
Como o autor destas linhas escreveu há uns dias, “Islamabad não tem gostado destas acusações e muito menos das incursões da CIA e das forças especiais norte-americanas no seu território, como aconteceu em Maio passado, com a operação levada a cabo pelos “navy seals” numa localidade a poucos quilómetros da capital paquistanesa e que culminou na morte de Osama Bin Laden, perante o desconhecimento total do Governo do Paquistão”.
Por outro lado, os responsáveis em Washington olham para a rede Haqqani como uma espécie de sucessora da al Qaeda, tendo em conta a sua eventual actividade terrorista nos últimos tempos.
A rede Haqqani, que tem o seu bastião na região tribal do Waziristão Norte, tem uma liderança colegial, composta por sete elementos devidamente identificados por Washington, estando Sirajuddin no topo.
Alguns daqueles elementos são familiares directos de Sirajuddin, o qual assumiu a liderança da rede em 2008, fundada pelo seu pai, Jalaluddin, há mais de 30 anos, e que permanece ainda na cúpula da organização. Os Haqqanis pertencem à tribo Zadran, do leste do Afeganistão.
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Uma das particularidades da rede Haqqani em relação a outros grupos islâmicos é o seu cariz familiar e o seu perfil criminoso. São sem dúvida um grupo de ideólogos islâmicos, mas violam ao mesmo tempo os seus preceitos ao entregarem-se a práticas criminosas que podem ir de raptos por dinheiro a tráfico de produtos valiosos, passando por extorsão.